28 de abr de 2010

Mergulho dos sentidos(continuação)

Enlaçados os corpos, as mãos quer de um quer de outro continuaram o frémito de uma mutua exploração.
Começou a despi-lo e a sentir a textura da sua pele que ardia numa febre de desejo . Perderam-se em caricias demoradas, pausadas, explorando cada recanto de pele, explorando cada beijo de mel arrepiante e vibrante. A cada toque era um latejar de sensações e inquietações... Os beijos sucederam-se por cada poro,por cada relevo daqueles dois corpos harmoniosos.
Lentamente ele percorreu numa" profusão de beijos, os cabelos dela, o pescoço, ombros , as pernas", até que a deitou na areia molhada envolvendo-a num êxtase hipnótico e sensual...
Demorava-se naquelas duas montanhas bem delineadas , beliscava e lambia os seus mamilos duros e ela gemia e contorcia-se. Foi deslizando pelo seu ventre redondo e firme até encontrar o seu delta de vénus...beijou levemente o seu clítoris já endurecido e palpitante e ela em pleno alvoroço segurou os cabelos dele e nesse instante ele introduz a lingua o mais profundo possivel e sentiu um jacto quente e molhado a sair de rompante...
De seguida introduziu um dedo na sua molhada vulva e em movimentos ascendentes e descendentes fê-la gemer e arfar como se estivesse possessa.
Estava pronta para receber o seu latejante membro, virou-a e ela ergueu-se e apoiou-se nos quatro membros como um polvo colado a uma rocha e sem demora investiu firmemente na sua aveludada e humida concha de prazer. Agarrou-lhe as nadegas impetuosamnete enquanto entrava e saia dela, num ritmo desenfreado enquanto ela estimulava o seu ponto de ebulição.
Ambos arfavam, perdidos em plena volupia de espasmos...
Enquanto massajava e apertava suas nadegas firmes tocava o seu anus e sentia um latejar cada vez maior. O desejo animalesco soltou-se e ele sentiu cada espasmo e vibração do seu prolongado orgasmo mas deixou-se ficar dentro dela, puxou-a para si até lhe tocar os seus mamilos erectos e no seu botão que pulava acima da sua humida gruta ... continuou aumentando a intensidade até que provou o tremor vindo do interior dela,seguiu-se um e outro e outro, orgasmos multiplos... Ambos se deitaram na areia ainda sob hipnose. Com os corpos quentes sob a areia molhada ficaram a olhar as estrelas e aquele luar mágico,suas testemunhas naquela noite estival. Ele procurou a mão dela e docemente beijou-a...Levantaram-se e foram banhar-se no mar .Dentro de agua flutuaram e dançaram uma valsa de movimentos graciosos. Passaram assim algum tempo até que ela mergulha e desaparece como num sonho.
Ele calmamente sai da água e dirige-se para o pontão , o vestido azul tinha desaparecido também...
Vestiu-se e resolveu caminhar pela areia ouvindo as ondas enquanto recordava a sereia que o fez dar aquele mergulho dos sentidos.

27 de abr de 2010

Carta a um amigo que não vendia discos, mas oferecia livros

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Meu amigo,

Bem sei que amas o teu piano. Pões-te nele a tocar como um braço esquerdo que segura o direito amputado. Tens um dom e um chicote e, ainda que este pensamento não seja totalmente original, foste capaz de inventar mais braços com a imaginação para te fustigares. Mas não te culpes ou chores por sentir demasiado, por teres visto por cima do cosmos a rodilha do mundo. Estiveste sozinho como perante um pôr-do-sol magnífico e não estava lá ninguém maior que o seres tu, como uma masturbação de fazer chorar.
Não juntaste dinheiro e podes bem vir a precisar de uma pensão de sobrevivência. Podias ter sido político se, por distracção do destino, tivesses vendido a tua maneira de sofrer o mundo a um espelho em que toda a gente se revê.

Receio que esta carta te não traga mais felicidade e, por isso, devia pedir-te desculpa, não fosse o teu desígnio viver uma cabana que se anima como um elevador sem paredes entre a merda e o absoluto. E é por isso, meu velho, que és grande e desajeitado como um régua de 70 cm. Porque o mundo achou por bem medir-se ao milímetro…

Não esperes, portanto, mais beijos. Ultrapassaste os cânones como um carro a alta velocidade e bateste o record de um desporto que não existe.

És, tal como eu, um estropiado que ouviu o mundo gritar por uma orelha rasgada e foi dá-lo a uma prostituta amiga. Levamos o pensamento sem corpo para guerras sem direito a resgate e pagamos por isso, como mercenários com vontade própria…

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Memórias de Paredes de Coura - The Redemption

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Ai estes primeiros dias de calor que sabem tão bem! O sol espraia-se pela tarde como se viesse de um longo período de hibernação ou de cantar a Nau Catrineta com putos de antigamente. A Primavera prenuncia sempre alguma felicidade. As crianças correm felizes pelos campos, descobrindo alergias respiratórias e o bem que sabe ser picado pelas vespas; os velhos batem a caçoleta e os orçamentos familiares ganham mais folga para prestações e gelados. Até os drogaditos parecem mais felizes, vendo brotar com esperança os cabeços nas suas plantas de solário…

Mas do que eu mais gosto é do cheiro das noites. – Uma rockada de cio enche o ar de perfumes sexuais e a malta bota-se a tomar refresco na esplanada. Depois há o Beerfest que a socialite Vicky Fernandes, no seu livro “Saber Estar”, desaconselha em absoluto… e Paredes de Coura que, talvez por esquecimento, não merece qualquer referência!

A festa foi gira, pá! Música boa e muitos sucessos gástricos. A escolha do gástrico para descerrar este capítulo de memórias, não é inusitada, uma vez que nas Warm Up Sessions alguém estourou na toilette. Quem testemunhou a mise-en-scéne, deixada pelo terrorista anal, chamou-lhe o “Ground Zero”… e diz que ali se chorou mais que em muitos enterros de família.

Apesar de tudo, este terrível acontecimento não roubou apetite aos convivas. O dia das bifanas, por exemplo, foi glorioso. Confesso que, antes de descobrirmos o Albergaria, comemos muito “gato por lebre” e, invariavelmente, lá chegou o fatídico momento de, uma vez digerida a ossatura do bicho, a Hello Kitty pôr o seu lacito de fora, lambendo a truce já de si bastante agredida pelos miados intestinais. Em desespero, houve quem tivesse ligado para a TelePuta a pedir o “Menu Felattio com cola, complemento de E0.50 de botão-de-rosa e 1 squirting de morango com topping de caramelo, bem como um Happy Meal com brinquedo sexual” para o Lambedor de Sobrancelhas e precursor do movimento AgroFreak Style

As tardes foram passadas no Arcada Fire, - esse belo cenáculo de epicuristas que vendia minis em resmas-de-três a E2,10, ao som do Vítor Espadinha. Pelo meio, saudamos com bastante reverência Samuel Etoo e o Fredie Guarin que por ali andava a passear a Katty Perry… uma linda demonstração de amor que nos deixou a vociferar contra os céus:
- E eu? A minha vida? O meu coração? – DESPEDAÇADO!!! (uma bela máxima que nos foi ensinada por aquele rapaz que tem contrato com a Nívea).

Não se julgue porém que as tiradas filosóficas ficaram por aí. Não senhor! Tínhamos tudo a nosso favor! – Pluviosidade mínima com possibilidade de boas abertas, cerveja fresca e um rádio pendurado no guarda-sol. Só para se ter uma ideia, aqui fica um cheirinho de hortelã para conaisseurs:


- “Espera aí um bocadinho que o tarado está a afiar a pissa!”
- “Santieiros abertos em flor”
- “Que rica alface para a minha grila!”
- “Acabei de lançar uma girândola na porcelana!”
- “As gajas nos chuveiros eram tão boas que até pus champô duas vezes”
- “Tu não vais de férias, vais de vinha-de-alhos!”
- Isto não é poesia! Poesia é quando um gajo num percebe!” (definição de poesia por Tónio Cuco, antes do jazz na relva)

Ah! E expressões a ter em conta numa boite:

- “Com essa boceta linda, matavas um autocarro!”
- “Queres beber, bebes da minha Seven Up

A certa altura, o humor foi ficando mais fraquinho devido à falta de ácidos gordos e Ómega 3, mas não o suficiente para impedir o ribombar das tendas. Porém, quando a inspiração faltava, a gente abeirava-se das barracas da $AGRES. Sacanas! Só vendiam espuma com cerveja. Excepção feita a duas meninas daquela barraca junto aos Toys inclinados. Quais? Aqueles junto à rede, em que um gajo tinha de pôr uma bota na tampa da sanita para não cair de ventas no caldo de mijo e pensos higiénicos usados. Sim, esses mesmos! Adiante. As moças da barraca tratavam-me bastante bem e uma delas até se lembrava de mim do ano transacto. De cada vez que eu lá ia (pedir informações) saudavam-me dizendo “Oh, meu príncipe!” – é verdade, embora tanta cordialidade se tivesse reflectido em parquíssimos finos. Mas, no cômputo geral, até se pode dizer que eram raparigas de bem e muito educadas…

No que diz respeito aos concertos, Patrick Wolf fez a actuação mais feminina do festival, Peaches a mais masculina; Nine Inch Nails sacrificaram um vitelo em palco “à garfada” e os Franz Ferdinand quase escacharam uma bateria que até estava em muito bom estado…

Para terminar, gostaria de endereçar aqui as minhas mais sinceras vénias a todos quantos me agraciaram com a sua paciência e companhia. Queria também dizer àquela espanhola que me veio pedir chiclas que, para o ano, não lhe perdoo. Para o espanhol que me veio perguntar se eu sabia onde arranjar MD’s, só tenho uma coisa a dizer:
- “Está descansado, hermano, que eu este ano levo-te um. Se eu não conseguir arranjar, conta pelo menos com o pára-choques de um carro, ok?”

Vá, agora ide todos fazer pela vida…
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21 de abr de 2010

Imortalidade

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Hei-de morrer sem mesa posta, num quarto possível, sem nada de concreto para deixar ao mundo… como se o mundo precisasse da minha herança pesticida para florescer. Deveria poder rir-me se acaso não fosse aquilo que sou. Interrompi sonhos para fazer apontamentos como um palerma que abandona a sala de cinema para buscar mais pipocas. E para quê? Para, depois de morrer, ser chorado por umas roupas que ficaram no gavetão, num quarto que tantas vezes adiei por amor à boémia.

Houve um tempo em que desejei ser lembrado depois de morrer. Pus-me depois a pensar na longevidade dos faraós, detido em seus hieroglíficos pensamentos, e achei-me digitalmente consciente como um vídeo rebobinado. De nada vale aspirar à imortalidade, ainda que ter razão dure ou valha quinhentos anos.

Mas, ainda que no silêncio absoluto, como um cão atropelado que não vai para o céu, gostava que a minha morte fosse celebrada. Gosto de celebrações e, só de pensar nelas, inventa-se-me um sorriso maroto que flecte metade da cara, com MALícia…

Entender as coisas e as pessoas rouba-nos inocência. É como secar o sumo de um limão antes de o espremer. Cai-se de cabeça na almofada e ela é fofa. Deixo a porta aberta, pelo sim e pelo não…


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20 de abr de 2010

No comboio

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A meio do caminho, faço uma pausa na leitura e pouso o livro no colo como se capitulasse uma viajem dentro de outra. Olho pela janela sem noção de estar abrindo atalhos ao espírito. Igreja de sensações sem esperança, missionário descontratualizado vagando à margem por uma cidade de pecado, sem penitência de jangada para as corridas de néon.

Passo como uma lanterna apagada que se ilumina para o mijo dos grafittis e para as pedras com ferrugem, chorando cada uma a sua lepra. Sou, acidentalmente, um turista que se perdeu do guia e achou a consciência num beco de lixo com vísceras, - Verdade das povoações pelo avesso, rasgada em vértice e aberta ao céu como o desprezo em ferida.

A minha visão confunde-se com a história de um hospital abandonado ou um prédio inacabado… desmemoriado para entorpecer falências e acomodar juízos e prejuízos. Os ratos ratificam-me e podem testemunhar a realidade que os bulldozers expurgaram para os segmentos de recta, sem licença de construção.

Viajo com a certeza futurista de me ter dentro de um colosso-mecânico-pós-moderno-e-pessimista, no rebordo interior de um abismo suspenso com fichas de andar à roda. Tudo é metálico e se crava languidamente nos morros de terra assassinada como um corpo com baque a cair de costas; como se o grande cenário compensasse a treva no bastidor sem ar.
Divago por uma passagem de nível e tudo é funéreo como um sepulcro comunista. Até a mulher, que é bonita e se move no apeadeiro, parece alombar um escombro de violação…

Detenho-me um pouco mais na paisagem como se ouvisse um acorde de plenitude ventilada. A paisagem escurece e enxuga-se de pessimismo num rosto que se olha para os vidros, com trabalhadores da construção segurando o sono com optimismo, na mesma carruagem que eu. Confesso sentir alguma paz nas suas derrotas…

Estou calmo como se tivesse bebido um trago que me soube bem e fizesse, depois de acender o cigarro, um gesto de boca quase involuntário. Não me sobram restes de medo e fui, no entanto, e sem que ninguém notasse, vencido como num combate de boxe por coisa nenhuma, como se a mulher que mais amei instantaneamente tivesse saído na última estação.

Para trás ficou uma estação inteira de carteiristas e a impressão de lá ter deixado uma bagagem roubada… mas estou lavado como se tivesse feito um testamento ou viesse de um duche assobiando, com a toalha enrolada à cintura.
Sirvo-me do livro sobre o joelho para apoiar o cotovelo… encosto a cara no vidro...
e durmo também.
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Velhice

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A velhice deve ser isto: - uma disposição que não vence urinas e músculos sem dinheiro para um carrego de vinho com pão, solidão sem vontade para bibliotecas.

Admoesta-se a pele com sabonetes de aromas, mas o corpo que é velho não tem poros para se demolir a um cheiro de sabão no tanque. Enxerga-se o mundo por uma nebulosidade cautelosa que ascendeu às sobrancelhas para multar os mancebos que aceleram.

Diz-se com mais frequência “se eu tivesse a tua idade…”, mas sem aflorar a leviandade de um fim com raciocínio como se, à memória que já era, acorressem romances que nunca o foram…

Não há lei para os que abrandam nas bermas com tempo para se pensarem. Resta o perdão e um entendimento das coisas sem lei que se anuncia com amor às crianças, numa cumplicidade que saltou gerações
E brinca à mesa…
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s/ título

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Há uma grande mosca no quarto que não me deixa concentrar nos meus nadas. É como uma grande poça de óleo a inundar-me a cozinha, em maré de escrita.

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s/ título

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Deitaste fora um poema, ó poeta -
diz-me o sonho -
só para apontares dois versos...

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16 de abr de 2010

Onde estão as crianças?!

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Onde estão as crianças? – Gritou alguém por entre a multidão, - e uma digestão de agulhas estoqueou o orgulho todo que havia naquela sala com santos de braços abertos. Os fatos ganharam vincos e os vestidos descoseram-se de pudor; desamarram-se os braços que seguravam as senhoras e o brilho todo daquela merda toda se desfez como uma bainha mal cozida, com as mulheres tropeçando de aflição pelo corredor da nave. Ninguém sabia o paradeiro das crianças e aquele juramento perante Deus, o Criador, finou a meio como um livro chato.
Estavam perto, felizmente, comungando da mesma fraternidade que os gerou infantes sem cerimónias e proto-adultos de sacristia.
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14 de abr de 2010

Universidade I

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Eu queria era ser filósofo,
Poeta, escritor, artista… essas coisas todas.
Pronto. Está dito!

Bem sei que ser livre ou grande por uma estrada de pensamento não merece ordenado ou um prato com mais comida, só porque se ganhou asas, ainda que, por aí, se aspire desapertar os grilhões da escravatura. Não queria ter de me roubar a um merecimento de alimentos no estômago. Dito isto, de forma tão sincera como se não lê nas entrelinhas das biografias dos gestores mais bem pagos do universo, desvendo-vos a minha consciência profissional do mundo: - Não há profissão mais nobre que ser Agricultor!

Trabalho duro! Puxar da terra a sobrevivência sem danos colaterais, sem matar – isso sim – é Utopia!

Não raras vezes tenho sido acusado de preguiça pelos profissionais das ciências exactas. Engenheiros, gestores, marketeers, economistas, etc… todos eles de muito boa-fé – não duvido! – mas mancos como eu para se desenrascarem sozinhos. E termos bocados de papel na carteira não faz crescer couves num apartamento…

Andamos neste carrossel há séculos. É mau? A ver, vamos! Mas vamos primeiro por partes…

Uns imaginam e criam. Outros criam o que os outros só imaginaram; outros ainda, criam sobre o imaginário dos outros uma ideia nova que ninguém pensou. E isto é tão estúpido e necessário como querer descobrir quem surgiu primeiro. Se o ovo ou a galinha, o arquitecto ou o engenheiro, o médico ou o enfermeiro (a parteira?), Lisboa ou Porto, Braga ou Guimarães, o Norte, o Sul, Este, Oeste, a Lua, o Sol ou os planetas…

Estão a ver como isto é estúpido?

Pois bem, vai continuar…
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3 ideias avulsas

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Comprou um guarda-chuva
E um arco-íris
E foi para o deserto


É certo que Pessoa
Não guardava revistas pornográficas
No baú dos poemas


Quando o criador descobriu
As potencialidades da boca
Pôs cheiro no esperma.

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12 de abr de 2010

Aranhão e Guarda-Chuva

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Ele era polícia e andava à chuva,
Ela era viúva de salão.
A ele chamavam-lhe o guarda-chuva
A ela, O Aranhão…

Ela fora em tempos Zaliou Renda
E aspirava ser actriz.
Sonhava ir, por Hollywood,
A Paris.

Ele tricotava rendas para caixões
Mas tinha o pé-de-meia furado;
Era rico a apostar nos milhões
Mas sempre a dar no dado errado.

Ela entrou virgem no cinema
Depois de um Mare Fettuccini
E o que meteu depois à boca, soube-lhe
A Fellini.

Ele coleccionava travessas e pratos
Mas custava-lhe adormecer.
Fez-se enriquecer na areia para gatos
Antes de enlouquecer.

Um dia ele fisgou nos seios dela
E ela colou no seu bumbum.
Cruzaram-se os dois na mesma viela
E foi isso que ambos tiveram em comum.

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Desistente!

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Tenho sido confrontado, por pessoas próximas, a propósito de um emprego recente que abandonei, a uma semana de receber o primeiro cheque. Desistente! Os meus motivos são válidos mas, para o que é preciso dizer, pouco importa nomeá-los. Da mesma forma, não pretendo fazer aqui uma expiação pública para as minhas acções, do tipo “minha culpa, minha tão grande culpa!”…

Conheço pessoas tristes que pedalam há anos na mesma bosta, incapazes de arriscar uma revolução que as torne mais felizes; pessoas que adiam a vida julgando viverem disso; pessoas socialmente integradas e com bons ordenados a levar porrada em sessões de bondage para se equilibrarem emocionalmente; exemplos de sucesso com faro para riscos de coca em sanitários públicos; tapetes persas cheios de lixo por baixo…

Também a exemplaridade se esquiva de mim. Tenho defeitos, características muito autênticas que me impedem de poder atirar para a cama um bando de mulheres, bem capazes de me fazer mais feliz. Mas, por alguma razão, acho-as renunciando a esse propósito. Umas desistentes, portanto...

Ninguém sabe ao certo o que é a felicidade. Sabemos que ela existe porque se manifesta nas pessoas. Através do amor, da realização, do riso, do prazer… sabemos, tão simplesmente, que ela existe no reverso do que nos faz infelizes. Soube isto por Agostinho da Silva, que achou alguma felicidade formalizada, fazendo “exactamente o contrário daquilo que nos faz infelizes”. Ora, perseguir este caminho implica renunciar e desistir de muitas coisas.

Felizes os que encontram o que procuram sem muito esforço. Felizes aqueles que sabem o que querem. Desculpem se não me penitencio por não ter achado o que procuro mas… a verdade é que não encontrei ainda o meu pote de ouro nem o meu amor. E não vou fazer juras de fidelidade perante o criador só porque estou a ficar velho para constituir família.

Não posso dizer que pouco me interessa o que os outros pensam. Gosto que gostem de mim e, nisso, somos todos muito iguais. “O espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente e não porque pensa”, dizia Fernando Pessoa. Gosto muito do que dizia esse falhado…
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