24 de out de 2011

Ultimate Sex Power Fest III - La Revolución

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Ultimaters:

Breve chega o nosso Dia!

Bem sei que me tomáveis absorto e distante, silencioso. Foi, não sem preocupação, que me víeis relaxado, tomando aquele que muito bem poderá ser o último Porto de um homem livre antes da guerra…
Mas no espírito de um homem de paz, serenado em beleza à proa dos elementos, habita um outro que se não bebe de sol poente, e para quem o ribombar das ondas prenuncia apenas terra firme… onde contra as pedras melhor se esmaga o crânio inimigo.

O nosso mundo foi tomado por ditadores sem rosto! Invasores que espargem sobre a nossa honra, sobre os nossos valores e convicções, um medo com sabor a chocolate. E há, ainda, neste mundo onde chegamos quase a ser felizes quando nos aprontávamos para despir a máscara das roupas, numa entrega genuína ao amor-livre, traidores. Traidores, sim. Há entre nós traidores que respondem ao gesto elegante dessa vil assombração com luvas de general que, na sombra, cofia o pêlo a um gato siamês.

Não é mais tempo de refrear os nossos ímpetos! Não é mais tempo de viver a correr e trabalhar dobrado, custeando ad eternum o dízimo recolhido em bandejas de prata por esse falso e fraudulento semi-deus.
Por que razão ou ventura haveríamos nós de sufragar uma vontade que nos esmaga os ossos? Mas por que razão (ou falta dela) haveríamos nós de conceder a um líder, material ou espiritual, o tamanho êxtase de propalar a sua utopia, se nem com a sua presença ele nos paga a solicitude? É falso este profeta – digo-vos eu – É falso este profeta como o são as acusações que me dão por meio tarado. Sou tarado por inteiro! E há na minha confissão uma vontade assumida que todo o ser humano seja tarado também. Mas não por obrigação. Não por um ‘ter de ser’ que esvazia o saco ou os bolsos, mas por um prazer que nos enche a alma de contentamento.

Estou em guerra, irmãos, mas breve chega o nosso dia!

E o nosso dia é 12 de Novembro. Reunir-nos-emos em Magna Assembleia no Restaurante Tongobriga, no Freixo, mesmo em frente às romanas ruínas onde, séculos antes, se reuniram em banhos públicos homens e mulheres com vontades mais elevadas do que simplesmente esfregar o sarro dos sovacos.

Encontremo-nos. Festejemo-nos…
Façamos jus a uma verdade em que toda a gente acredita e, talvez aí, possamos encontrar o antídoto para esse mal que se não identifica!

Juntem-se a nós os espiões, as divas sensuais e os aviadores sem soldo; a Resistência francesa e a francófona, a italiana, a polaca, a espanhola; os heróis libertários, os poetas de pistola e cartilha à cinta; soldados, os bastardos inglórios, as enfermeiras da Grande Guerra que tão bem cuidaram dos homens como se fossem os seus; os vilões – juntem-se a nós também os vilões – pois que um vilão único não deixa espaço aos restantes…

Juntemo-nos porque o frio voltou e o tempo é de União!
Juntemo-nos, pois quem por nós temos que por nós faça a Revolução?

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20 de out de 2011

meio mundo a foder meio mundo



Anda meio mundo a foder meio mundo
Mas lá longe, bem lá ao fundo
Há meia dúzia de vagabundos a observar
Com olhos que teimam em brilhar.

São Homens nus
Que escondem no seu corpo um país
Onde ainda se pratica o verbo amar.

Estão-te a chamar!
Se com o cerrar dos teus olhos
Meio mundo conseguires engolir
Vais ouvir!

É o chamamento dos que lutam
para rasgar as roupas caras
de um tempo travestido de dinheiro.

Estão aí para te ensinar
A apaziguar
O desespero com que
Em diárias transfusões sanguíneas de alegria
Te transformas em refresco para cus
De mal disfarçados Belzebus

Grita a esses Homens nus lá ao fundo
que queres ir com eles
Antes que dobrem a curva do mundo.

Grita caralho!

Grita até sangrar!!!

Grita….

 antes  que…o des

     pert 

 a dor

         toq

ue pa    ra ir     es

            tra

          b

             alh

                   ar…

18 de out de 2011

No meio dos montes que ardem lá atrás

Multiplicam-se:
os cães que tentam morder a própria cauda,
os salmões mortos na contracorrente,
as moscas contra os vidros.


e ao fundo ardem os montes
vítimas das pirómanas discussões
onde se nomeiam
os velhos heróis e os novos vilões


e fecham-se os dias
em círculos perfeitos,
sem portas entreabertas
que espreitem para dentro de nós, (clareiras),
onde pousem desiquilibrados corvos
num ramo de árvore que nos sustém.


e tudo parece minguar, mirrar, secar.
e tudo que mexe parece parar
no meio dos montes que ardem,
la atrás no meio de nós.

4 de out de 2011

Amanhã de manhã será tudo menos meia-noite e cinco

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Amanhã de manhã
Será tudo menos meia-noite e cinco.

Os cães acordarão cedo para responder aos galos
E aos cães que respondem aos galos
E as galinhas dirão num pi chic pipipi medroso que tudo aquilo é insuportável
Para os seus pequenos corações.
É lamentável! – dirão – quem pode assim chocar garnizos?
Não há direito!

A isto não serão indiferentes os pássaros,
No seu bulício de fruta fresca nos mercados:
Que tanto resmungam estes animais? – dirão, e a mãe –
Vá, meninos
Toca a voar que isto de ser livre e riscar o céu
Já teve melhores dias!

Amanhã de manhã
Será tudo menos meia-noite e cinco.

Tu estarás acordada e sentirás por mim, talvez,
Uma inconsolável necessidade de amar
Se tiveres sonhado comigo,
Ou eu contigo,
E então serei eu com o que me resta de sensibilidade
A convencer-me da tua ausência,
A acordar chorando, estupidamente,
Como no fim de um filme que não foi a nossa história.

Amanhã de manhã
Será tudo menos meia-noite e cinco.

Começaremos tudo de novo:
Eu a acordar cheio de sono às sete e meia
E a escrever ideias soltas como:

Amanhã de manhã
Será tudo menos meia-noite e cinco.

…para às dez da noite pegar nelas
E dar sentido ao grande intervalo que nos intercala a vida e os dias
Porque é preciso ganhá-los,
Ainda que nisso eu encontre uma injustiça
Para a qual me falta ainda uma utopia.

E é por isso que, a pensar em nós,
Sem saber quem tu és,
Te digo:

Amanhã de manhã
Será tudo menos meia-noite e cinco.

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