10 de dez de 2012

epifania de uma coisa feita de nada



os postes de iluminação pública choram as ruas desertas,
o frio reza às casas que o deixem pernoitar mais uma noite
e dentro dos corpos a alma contrai uma última fonte de luz.

nós somos as personagens que existem num filme francês,
a preto e branco, com as emoções gastas esbatidas no rosto,
ansiando pelo final calculado e pela metáfora vazia e batida.

os nossos pensamentos diluem-se na intifada dos deuses
cansados dos homens; cansados do calculismo da poética
que da essência não concebe nem caricatura aproximada.

somos a noite que relembra o dia. formámos este cansaço.
somos a avareza da epifania de uma coisa feita de nada
e as marionetas de pano iludidas por uma liberdade de aço.

Vida, acolhe-nos amanhã!


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