24 de jun de 2012

Fantasma d'ópera


Eu não sou fantasma d’ ópera
A que um senhorio de teatros permita deambulações clandestinas
Mas vejo-te dançar no palco
Para onde a tubagem do coração abre um respiro
Junto à claraboia

Contemplo-te na solidão absoluta dos sótãos poeirentos
Sentado numa caixa desconfortável
Que diz Frágil
Sem pensar nisso
E se pensasse,
Talvez a ideia de uma poltrona estragasse tudo
Ou comprasse o fruir infantil

Olho-te e gosto
E tudo à nossa volta é um cenário nublado
Que Deus fez sem Photoshop

Não é que use máscaras
Ou me esconda atrás de um espelho
Para te ver sorrir às flores
Que num flash de sonho te pus em jarra
No camarim

Tu sorris e fazes-me perguntas
Eu digo ãh?
Que sim
Sorrio também
E sinto-me egoísta por sentir isto tudo
E sem palavras
Tocando apenas as tuas mãos no café…

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Um comentário:

Anónimo Pralguns disse...

Muito bem caríssimo. belo pedaço de leitura!:)