19 de dez. de 2011

a casa

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a casa
aberta ao Inverno
,sem medo da chuva e o cigarro entre os dedos,
Conta-me que os dias
são apenas brinquedos.

Pela sua porta entro com alegria e um princípio de medo.
Nas sombras da luz,
Há sempre um segredo.

Atam-me à casa uma correria de crianças.
Soa a dança de um salão,
Cheira a terra molhada e tarte de maçã.
Há um sono de gato num sofá.

No cabide da entrada
Penduro o cansaço
Inspiro fundo
suspiro profundo
E avanço no espaço.

Escorre magia líquida pelos salões.
Os velhos ensinam os novos
A arte de ver,
Pelos olhos de outras televisões.

Vejo relógios: são casas abandonadas
Pelas horas que brincam lá fora
aos cavalos selvagens.
Ninguém as chama para dentro,
Nem para almoço, nem para jantar
Nem para dormir, nem para acordar.

Percorro tudo
Com passos delicados
Como quem teme
Que o resmungar do velho soalho
Me desperte de um sonho.

Encontro na cama de um quarto
Uma mulher nua com quem me pareço
Dispo-me e deito-me
Amo-a e adormeço.
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