13 de mai de 2010

O Luto

Desceu a calçada vestida de preto...

Sobre a cabeça,um lenço de fina renda,

dá ao rosto um ar sereno e impenetrável.

Seus passos prendem um corpo lânguido

a pesadas mortalhas.

Para onde vais Maria das Dores?

-Vou soltar o grito que trago no peito,

Afogar as mágoas no leito do rio

onde desaguam as lágrimas dos que sofrem.

Vou ao encontro da bela donzela

que me espera à janela,

lá no beiral,

na outra margem do rio.

Anseio o toque das suas mãos,

o despertar de uma caricia morta,

o beijar de aguarela amorfa,

que um dia ninguém pintou.

Desceu a calçada ladeada de casas,

descalça entrou no cemitério...

Lágrimas, caixão ao centro, luto, o preto...

O pesar , cova, flores, terra, lápide,

flores, palavras, poucas...

Nasceu e morreu...

Reticências... reticencioso ritual,

preto no preto , caixão à cova selado.

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