27 de mar de 2009

Blindness ou a mesma (In)justiça de sempre

Não há muito tempo li o romance do Nobel, José Saramago, intitulado "Ensaio sobre a Cegueira", cerca de dois dias depois não quis deixar de "VER" o filme de Fernando Meirelles, "Blindness", inspirado nessa mesma obra.
Pessoalmente gostei mais do livro do que do filme. Ou melhor, ao ler o livro fiz o meu próprio filme e esse era bem mais noir que o do Meirelles. Acho que no livro há uma violência refinada, cheio de crueza em cada acção, e as personagens são rasgadas (literalmente) ao virar de cada página.
Cada vez mais Portugal se assemelha ao espaço físico onde a história da cegueira decorre. Vejamos: todos os dias somos bombardeados com acontecimentos vergonhosos - SENHORES que roubam; que abusam do poder; que fazem desaparecer provas e pessoas, melhor, que constroem a realidade a seu bel-prazer, sem haver nada nem ninguém que os pare, que os faça pagar por essa selvajaria desenfreada na subida para a avareza das suas vidas.
(refrão) Mas está tudo cego, ou ninguém quer ver?
A cegueira afecta todos os governantes, juízes e agentes de autoridade, quando neste país quase se cortam as mãos a quem rouba pão para comer, ou deixa de pagar a prestação mensal do carro e da casa porque a empresa onde trabalhava faliu ou está em processo de insolvência devido a gestão danosa dos administradores e a estes nada acontece... a empresa onde trabalhavam está em processo de falência, o que é certo é que estes colarinhos brancos vão á garagem e os seus porches e mercedes estão lá, brilhantes como nunca; e as mãos dos assalariados, onde estão? DECEPADAS, no caixote do lixo do desemprego e da reforma!!
(refrão) Mas está tudo cego ou ninguém quer ver?
O que acontece aos "chicos espertos" dos autarcas de Felgueiras; Gondomar ou Marco de Canaveses por abuso de poder, desvio de fundos e um rol sem fim de crimes públicos e outros dos quais não sei os nomes? Não acontece NADA! Comem, bebem e festejam as suas ilibações e escapadelas á justiça para mais tarde repetirem mais do mesmo.
(refrão)Mas está tudo cego ou ninguém quer ver?
O que vos digo é que estes biltres, abutres e cleptomaníacos só param de cegar a justiça e o povo nacional, quando tiverem um acidente e venham a falecer de MORTE VIOLENTA.

2 comentários:

Anônimo disse...

Morte extremente violenta e bem dolorosa, se fose possivel!!!!!

Sr. Mal disse...

Como eu o entendo, amigo Zerka. A lei tem servido bem os interesses desses bocados de gente que falam da anarquia com desprezo, como se esta encerrasse um rol de maldades sem lei para se lhes deitar a mão.
Não vivemos em democracia. Vivemos, isso sim, no vão de uma experiência atroz que premeia os interpretadores da lei, como se esse fosse o contrato social que todos subscrevemos para nos permitirmos a uma vivência em comunhão.
Fez-se a lei para nos distanciarmos das práticas sanguinárias dos animais, mas continuamos aninhados como presas perante um predador maior.
Não é cegueira, caro Zerka, não é cegueira. Permitimo-nos à amputação todos os dias. Os media e as religiões contribuem para essa castração. Permitimo-nos à multa e desejamos que engrosse o exército de polícias que serve os seus propósitos. Nós, os tolhidos de medo, perante uma realidade para a qual ninguém nos convocou a opinião. Não é matá-los, mas abandoná-los. O poder dilui-se se todos o desprezarmos. Mas para que todos o queiramos desprezar era preciso que todos pensássemos e tivéssemos consciência dos males que nos imputam. Mas até as escolas servem os seus desígnios, engrossando o cortejo dos servis para a indústria.
Não sei ainda como lhes dar a volta, mas estou a cozinhar um estrugido, numa panela suficientemente grande, para os empurrar lá para dentro, quando eles vierem ao cheiro...