11 de out de 2008

TAUFP

Hoje a minha tuna faz 14 anos. É verdade, eu pertenço a uma tuna. Para quem não sabe o que isso é, não o saberá até fazer parte de uma. “Aparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”, dizia o bandido do Pessoa. Aquilo que as pessoas sentem quando pensam numa tuna, penso eu, quase exactamente, quando as vejo no Praça da Alergologia. Que cambada de tones!


Para os que ficarem na dúvida… juntem 15 amigos num jantar, saiam para a noite e façam votos de se comportar como uma família com propósitos comuns. Uma tuna há-de parecer-vos um bando de meninos de coro. Há tunas que me repugnam, há estudantes que me repugnam… a maior parte das pessoas repugna-me. Mas eu vivi, estive lá, fiz o que tinha de ser feito, experienciei-me, por mim. Não fiquei à espera que as outras pessoas me redigissem um parecer sobre o mundo tunante ou vivessem a vida por mim e fui curtir. Hoje, tenho estórias para contar e, por isso, falo com a propriedade, não de alguém que "comeu o pão que o diabo amassou", mas de quem lho meteu na boquinha...


As nossas jantaradas, por exemplo, eram (são) diferentes de todas as merendas de curso ou desses ensaios de borga adolescentes que se vêem às sextas e sábados nos restaurantes perto dos bares. Na verdade, e em comparação, as diferenças saltam à vista. A primeira é que ninguém vomita no fim de jantar e não se pense que é por falta de vinho. Depois, quando o repasto acaba (apesar de haver um gajo com sotaque que não pára de comer), em vez de berrarmos eférreás sem significado, pegamos nos instrumentos, tocamos e cantamos, fazemos serenatas, lembramos aventuras passadas e, sobretudo, conversamos (coisa rara, a julgar pelo que por aí se vê). Há sempre canções, haverão sempre canções… A euforia é garantida e contagiante.


Fiz de tudo. Desde discutir Art Déco pelas ruas de Aveiro às 7 da manhã; Antes disso, ainda dormi à porta de uma discoteca, para onde fomos depois de resgatar dois ou três artistas que caíram à ria; andei nu em Viseu à procura da roupa; entrei no Plazza de Lisboa com um garrafão na mão (e dormi lá); os pequenos-almoços de francesinha eram constantes; lembro uma corrida de cadeira-de-rodas no corredor de um conhecido Hospital do Porto; levei injecções de penicilina com duas cruzes satânicas barbeadas no traseiro; gozamos com a Lili Caneças no palco do Coliseu de Lisboa (ela estava na primeira fila) e no final da actuação ainda me veio agradecer “a homenagem”; percorri o país com a malta, sempre em debanda e euforia. As estórias são mais que muitas e a maior parte não me apetece contá-las aqui…


A minha vida académica confunde-se com a tuna e, nesse sentido, é-me impossível pensar o academismo sem ter presente, pelo menos, uma metáfora das vivências que partilhei junto da Tuna Académica da Universidade Fernando Pessoa…

...

3 comentários:

Filipe disse...

Após ler este post, apeteceu-me divulgar algumas situações inospitas acontecidas numa "Républica Mex-a-ki"...

Esquiço

Sergio disse...

Boas amigo das tunas

Só para te dizer que a arte deco (Arte Amonike como eu lhe chamei) foi em Leiria e não aveiro por isso

BEBE Água

Abraço forte

Sapatilha

Sr. Mal disse...

Faz todo o sentido o teu reparo. Não é, contudo, vã a minha confusão, uma vez que a cidade de Aveiro é famosa pela quantidade e qualidade de obras deste estilo...
Porém, também tu devias beber mais água (ou menos vinho!). O jogador do Sporting chamava-se Amunike. Amonike não conheço nenhum. Conheço, isso sim, uma Monike (não sei bem se de Leiria ou de Aveiro) mas que era uma obra de arte, lá isso era...

Grande Abraço