5 de mar de 2015

Acho que nunca disse porque gosto de escrever. Não creio que mo tenham perguntado ou o tenham posto assim, taxativamente. E isso diz muito da minha escrita ou talvez diga ainda menos. Não que isso faça diferença alguma, ainda que faça toda a diferença, como de resto tudo o que importa na vida.

A gente ama e perde-se e purga-se e
volta a amar.
Dá uma volta na rosa-dos-ventos e acha-se burra
infantil
deseja nunca ter dito uma coisa
nem ter feito uma série delas
que em suma é ter dito muito pouco
e ter feito muito menos do que se devia -
que é ter sido louco
e enfrentar a idade com um sinal de visto,
de corpo gasto
usado.

Lamento o que não fiz com doze anos
com dezoito
com vinte
com vinte e três
aos vinte cinco
vinte sete
trinta
aos trinta e três
à idade que tenho e não gasto.

Sou
assumidamente
um forreta existencial!
Lamento o dinheiro que gastei em impostos
e os votos que depus em outrem
para que tomassem decisões por mim.

O que deveria ter sido
nunca fui
Nem durmo as oito horas nocturnas que o meu corpo pede.
Cansa-me deitar à cama o corpo cheio de nada
sem que use das palavras para o esvaziar de tudo
completamente
e dormir um sono
em que dentro do sonho me ache dormindo,
esvaziado.

Sou magro, relativamente.
Não tenho com a beleza diatribe
senão com quem a tendo se vende.

A beleza abunda, nos dias que correm
de mão dada com a mediocridade
e me enlevaria cantar uma ode às putas do século XVIII
que eram de raíz menos putas
que estoutras que o mundo aplaude
em revistas.

Escrevo para me deitar bem.
E deito-me tarde.
Deito-me quase morto,
lavado,
E acordo sujo, doente,
como a roupa que dispo e deixo
para alguém lavar.




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