5 de mar de 2014

Mãe, eu matei um soneto


tenho nos olhos implantadas raízes antigas
que me prendem aos lugares desertos
e que sorvem as correntes de água subterrâneas
dos teus caminhos indecifráveis e secretos.

tenho no peito enraizadas árvores carbonizadas
pelo fogo extinto das ideias sem dono
que perpetuam esta promessa dum país de cravos
desabrochados e vivos, mas com cores de outono.

tenho numa das mãos um livro de banda desenhada
e na outra um papel dobrado que nunca se fez barco
por não haver oceanos novos para o sucesso dos dias.

tenho nos meus pés acostumados um parco cansaço
comum a todos aqueles que desdenharam a estrada
só porque ela de antemão não promete o regresso.


tinha este soneto como posfácio se não fosse este verso.

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