16 de jan. de 2014

Poente


lá vai mais um. por ventura eu.
a caminhar imerso no mundo das ideias,
que não pode ser traduzido por palavras porque.

os pensamentos têm um universo próprio:
aí reside a verdadeira poesia,
na fenda entre a hermenêutica e a percepção.
as palavras são música, musas, miragens,
aragens que o tempo leva e depois faz regressar.

metamorfose. não escondas o teu rosto da contradição.

o que importa o justo sentido, sentado no seu trono,
se, afinal, sentir é a condição?

como ele que deambula: por ventura eu:
também o sol se dirige em brasa para um oceano que o resfrie.

onde está o meu Poente? talvez para trás tenha ficado,
naquela esquina onde fumei o último cigarromântico que tinha.


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