2 de out de 2013

Choques no nariz


Os narizes davam choques à chuva.
Dizia ele que…
Tinha descoberto que o que se sente deve ser dito. A morte de alguém fê-lo sentir essa urge. O que se sente, o que se sentiu. pensava ele na altura. Não pensava, sentia, achava, talvez fosse, talvez quisesse, talvez usasse o que achava, talvez ela não se importasse de achar que era não ser porque ela não parecia sentir ou parecia perdida ou só parecia ou não demonstrava ou nada importa, não importa, corroi-se, destroi-se silenciosamente tudo o que se diz, o que se finge sentir não existe.
Tinha descoberto que o que se quer momentâneamente, o capricho, o entediamento do amor, a paixão que se deve assentir, usar e matar. o que sentisse talvez devesse ter sido dito. o que se partilha… o medo, a surpresa, o expontâneo e o formigueiro na barriga, as estações parecem bonitas, o secreto é bonito, e a mentira camuflada no que se sente deve ser dita logo. logo para não se morrer sem ela. para se matar com ela. para a matar. ela parece não se importar. já não existe, já passou.
O que se sente deve ser dito…
Sentia ele que parecia que era afinal, parecia que sentia, parecia mesmo, não seria mas parecia. seria engano… as vezes que parecem ser engano, as que se esquece e simula-se, as que não existem, ouviram-te dizer o que sentes mas não existem, que as pessoas morrem em vida, que alguém sentiu, alguém disse o que sentiu, alguém morreu mas existe, mas morreu, o que se disse morreu, acabou.
Ainda não tinha descoberto que passa por quem achou que sentiu, passou junto mas não viu. disse antes de morrer mas ela já morreu. Então…
A verdade liberta,
a verdade não existe. A morte diz que torna tudo eterno. mas morreu enquanto sentia ou morreu o que sentia enquanto vivia.
Gosto do silêncio
"O amor dá choques no nariz" escreveram-nos um dia.

Nenhum comentário: