17 de abr de 2012

O NADA QUE É TUDO


É tão fácil falar sobre o Homem. Sobre aquilo que não conhecemos mas que ansiamos conhecer. É tão fácil falar sobre a vida que não temos, sobre o que desejamos ser, na imensidão de pensamentos únicos e vazios, no outrora reminiscente de memórias e vivências.  
Somos o que julgamos ser, longe da experiência do momento, perto da vicissitude do tempo. Somos tudo aquilo que não ocupa espaço nem lugar, a leveza de um pássaro a voar, a consciência de um vulto a deambular.
É intrínseca esta ligação, longe do sentir, perto do coração. Somos o que dizem, não o que pensam. Somos o que pensamos, não o que dizem. Somos o tudo e o nada, aleatórios do silencio, músicos de estrada.
Somos palavras de angústia e de ambição. Somos a boca da consideração. Somos natureza humana e amor. Somos leis e matéria. Vasos e órgãos. Pele e cultura.
Vivemos de lemas e de poemas, de reflexos e falsidades. Não sabemos pensar sobre nós, nem tão pouco o nosso nome pronunciar. Vivemos de histórias e lendas, de guerreiros e rainhas, de conquistas e de sangue.
Triste e pobre condição. Esta dor do ser que nos perpetua o prazer. Gostamos todos de sofrer. De ver a vida a correr… de espetar facas na verdade e dela fazer o espelho do sorrir.
O instinto foi pisado no chão. A alma perdeu a inocência quando fora atirada em vão. E o sentir? Esse… foi dado às palavras, aquém do sentimento, aliado à razão. 

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