22 de abr de 2011

Corrida

Anda um homem a correr o mundo
Para juntar um braçado de notas.
Para cair num sono profundo
E ir no caixão com um par de botas.

Quando eu nasci não havia relógios.
Eu cresci no monte entre os tojos
A brincar às espadas.
Sem saber o que é lei,
Fui lacaio e fui rei,
À vez, com os meus camaradas.

Não é envelhecer que me custa,
É ter que crescer!
Não é morrer que me assusta,
É trepar pra ceder!

A gente olha-se ao espelho
E aquele puto tão velho,
Já não está ali.
Estende-se aos filhos
Ensinam-se os trilhos,
E o avô velho, sorri…


2 comentários:

art disse...

Simplesmente fenomenal. Poesia da maior.

Anônimo disse...

Loved it...

Helena Silva