29 de dez de 2009

Peru

Vendo-me a um sentir
Que há-de vir
Como um peru criado em casa,
Assassinado à borracheira.

Não sei tocar piano. Gostava de poder chegar a casa bêbado, acender um cigarro, pôr o copo em cima e contar-lhe a noite toda com os chinelos de quarto nos pés…

A poesia desgraça-me! Sentir o mundo todo como se todo o mundo tivesse de sentir por mim e, ainda assim, ter de o levar na mochila, como um lanche, para o grande piquenique na montanha.

O pior de subir montes é ter de os descer depois de experimentar o absoluto. Perguntai aos drogados que entraram no céu “pela porta do cavalo”. Nenhum foi resgatado por helicópteros. Os que voltaram, tiveram a sorte de cair numa rede de circo, montada para trapezistas. Mas não voltaram a sorrir…

Viver com pessoas que dormem impede-me o barulho; o tempo não me incomoda e só os relógios me enojam.

A dependência é uma escravidão cotada de suicídio…


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Um comentário:

Johanna Reis disse...

Ó Sr. Mal, tenho uma foto tua bastante engraçada no meu blog! Eheh