20 de out de 2009

ULTIMATE SEX POWER FEST

Tenho uma visão desinspirada do mundo. Não só não o consigo mudar para melhor como não vejo, nas pessoas que podem, um altruísmo ou nobreza capazes de tornar a existência dos outros mais livre e autónoma. Arrisquei pensar o mundo como numa equação matemática, mas pus demasiada emoção nas contas e o resultado veio-se em mim como uma biblioteca de auto-ajuda…

Fartei-me de ouvir os conselhos dos outros; de ter uma identidade com deveres acessórios; de esperar em filas; de desligar a televisão; de esperar que algo bom aconteça; de me querer vestido e penteado como um nova-iorquino só porque os padrões de beleza se homogeneizaram a uma escala global…

Fartei-me de tanta coisa e encontrei-me isolado como um eremita. O mundo espera de nós uma contribuição para a correcta lubrificação das suas rodas dentadas. Ora, isso não me apetece. Cravaram-nos a religião nos corações e outros ideais de perfeição que nos juram a pele a uma cama de pregos se não os cumprirmos. E, mesmo que os cumpramos, esses ideais não nos ilibam de ser atropelados ou morrer à fome com as pernas partidas no fundo de um poço que alguém abriu e se esqueceu de tapar porque secou. Longe de querer culpar a humanidade por abrir poços ou deixar as suas crianças morrer afogadas em tanques, importa-me antes não fazer juízos de valor.

Cedo ou tarde, vamos todos morrer! Ter assim uma certeza, consola e apazigua. O que fazer então da vida? Prolongá-la por mais um ano ou dois, impondo sevícias ao corpo? Domesticar a alma? Cada um responderá por si, se acreditar que tem mais vida para além do corpo que preside…

Quanto a mim, prefiro seguir o conselho de Agostinho da Silva, e vou fazer exactamente o contrário daquilo que me faz infeliz. Ainda que os relógios torçam o nariz, ainda que a decência, o bom-gosto e o bom-nome achem “por bem” fazer juízos de valor, eu vou inventar a minha história. Começou mal, - com um baptismo à pressa - não fosse eu ferrar nos anjos como um menino selvagem com a dentição toda aguçada. A infância foi bonita, ainda que sem pedófilas; a adolescência foi o que é, e a idade rouba-me fatias de fígado por cada borracheira que apanho. Uma vez chegado a este ponto, importa-me tão-somente reunir as pessoas e ser feliz com elas, traficar o ânimo contra a lei vigente e inventar a felicidade.

Seremos capazes de nos reinventarmos, livres de preconceitos? Seremos capazes de aproximar a alma ao corpo e, mesmo assim, conviver harmoniosa e tolerantemente? A ver, vamos, no ULTIMATE SEX POWER FEST!


PS: aceitam-se inscrições. A festa terá lugar no Convento de Alpendurada, no dia 7 de Novembro. Arranjou-se a brincadeira pela módica quantia de 15 euros (jantar incluído). Depois da comezaina, acabou-se o vinho! Por isso, vamos lá surripiar uma garrafita à garrafeira do velhote, - ele faz menos caso se lhe disserem que a garrafa desaparecida se esfumou no Natal passado, quando ele “foi para a cama de gatas”…

A indumentária é livre, desde que seja sexy. Dão-se alvíssaras a quem aparecer de corpete e meia liga (a ver-se!). A ideia é fazer-se uma festa que combine os estilos Burlesco-Circence-Belle-époque-Gothic-Cabaret. Os homens devem comparecer de chapéu ou cartola, com indumentária Dandy, - dão-se alvíssaras a quem apareça de fato cor-de-rosa, camisa branca e laço verde-alface, calça curta e meias de riscas às cores. Os suspensórios são uma condição exigida pelo sexo feminino…

- Não esqueçamos que este jantar pretende ser uma ode à excentricidade. Os mais mirrados pela educação podem sempre dizer que vão a um carnaval de inverno. Sejam inventivos!

Libertem-se de preconceitos e vamos fazer a festa. Morrer pode ser para amanhã…

...

3 comentários:

V V disse...

Contem comigo!!!

Anatoly Zerka disse...

Meu caro e sacana amigo, como ja deves esperar, eu vou estar nesse antro de depravação, para se pôr ao leu as vergonhas mais sordidas e proíbidas que assombram a sociedade. vai ser um deboche de todo o tamanho.... e não te preocupes que se tu te finares, no entretato, fica a contar que mesmo morto, e como ja te prometi, vais estar presente neste festival. Bem esticadinho no teu caixão com um sorriso maquiavelico desenhado no teu palido rosto e com os olhos semi-serrados, como quem esta so a espreita (Tu entendes). E para melhorar a tua situação e tb a dos restantes convivas, ponho-te o caixão cheio de bebidas para que elas refresquem melhor, pois conto que estaras gelado...

Sr. Mal disse...

Sswweeeeeett!!!