12 de jun de 2009

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A miúda loira sorriu para mim, exibindo-me os seus dentes podres dos excessos doces da vida. Viagens acrobáticas ao longo de uma corda a arder, estendida, esticada, abandonada no vertiginoso e escarpado precipício de suas diversas vidas esbanjadas.... ela sorriu-me estranhamente, com os lábios visivelmente tortos, sinal da sua incompleta alegria, como se uma parte de si mostrasse alguma tristeza e quisesse assinalar o facto, moldando a parte anti-sorridente de seus lábios em direcção á terra, ao chão ao esterco... De seu colo, pequeno, seco e mirrado emanava uma aura, um estigma, uma luz ofuscante em forma de estrela, semelhante á imagem de um santo pintado ao estilo kitsh por um Rafael, também, naif dos tempos modernos. A vanguarda renascentista, acompanhada por um folclóre com tendências retro. Das pernas maioritariamente destapadas, deliniadas e finas, visivelmente cansadas das acrobacias circenses praticadas em delirio estridente, escorria um liquido viscoso e altamente contagioso e nocivo a toda a morte que em si existia... era o liquido da vida, o fluido dum corpo masculino em delirio, em frenesi, em extase... Vi, nas suas mãos pequenas e sujas de sangue e terra, chagas do tamanho de diamantes, rubis ou ametistas... era a virgem da cruz, desflorada por um espirito santo encarnado no animal, na besta no pequeno homem que escapou para o museu de arte, onde se infiltrou num quadro surrealista da exposição...


Um comentário:

Anônimo disse...

Projecto uma imagem do teu texto em que os personagens possuem semblantes pesados carregados de mau karma... Uma pintura que não projectaria em nenhuma parede do meu retiro.

Proponho-lhe uma solução para tão nefastas visões!!

Um heterónimo que apreciaria ver desenvolvido na pessoa em si:

Um Sr. Bem.