17 de fev de 2009

Até os bichinhos gostam...

Estava a ver o Prós e Contras na RTP, subordinado ao tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Obviamente, a minha atenção centrou-se naquilo que é acessório ao debate, ou seja, o que realmente importa.
Uma vez acesa a discussão… intervalo. E o pessoal começou a levantar-se. Sim, a publicidade é fundamental. Que se fodam os direitos das pessoas se a máquina não vender as suas escovas de dentes e tampões para o fluxo...

No preciso momento em que escrevo estas linhas, estará no WC da Casa do Artista um curioso agremiado de posições divergentes, ditosas de alívio. Imagino com gozo, a expressão de um cónego que aperta o cinto de castidade, desviando a pila para o lado no mictório, o mijo descompassado, o esfíncter retraído… nem uma ervilha se atreveria a balir-lhe as campainhas, quanto mais tocar-lhe o badalo…

Nestes preparos, com que me divirto, confesso encontrar-me em harmónica cantoria anal. Não, ninguém me sopra por onde o Sr. Castanho abre caminho. A ele sou fiel como as margens de um rio que corre para jusante. Peido-me, portanto. E quero eu lá saber se os gays casam ou não. Cago para a questão. E cago porque o cerne da questão não reside na possibilidade de consagrar o amor homossexual num ritual público com direitos sociais idênticos à classe heterossexual. O que está em causa é reajustar uma ideia conservadora de amor à imagem de um caralho imputado nas cavidades de alguém do mesmo sexo. Anda tudo assustado com a sua própria sexualidade (à excepção das pitas que se andam para aí a lamber umas às outras) e é esse medo de abrir as portas à diferença, como se daí viesse uma avalanche de piças, que circuncida a liberdade dos outros...

Por mim, coço os tomates com uma verdade mal lavada e rio-me. Apetece-me entrar num bar com quarentonas, barba por fazer… peço um whisky capaz de ser bebido à pressa, em copo quadrado, e acendo um cigarro contra as regras. Dou duas passas e antes de ser repreendido pelo desaforo, convoco-me numa velha boa, bebo de estalo e saio com ela sem esperar pelo troco de uma nota deixada ao balcão. O barman olha-me como se um louco lhe tivesse metido o dedo no cu, mas eu nem reparo…

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Um comentário:

MADAME disse...

Eu diria que se fodam tantos debates públicos quando o que é preciso é que o Sr. Presidente não se lembre de vetar mais um decreto de lei que vai passar no parlamento.

Depois dou vivas às pastas de dentes e aos tampões, porque o amor sabe muito melhor quando é feito higienicamente.

Lamento aches que para que te saia um post bem esgalhado, onde claramente afiaste esse músculo num aguça bem pequeno, porque nota-se que a ponta apesar de muito labutar pouco sumo brota (salivas mais que outra coisa, sim, porque obviamente estou a falar da língua) tenhas de alarvidar tais coisas como: o cerne da questão não reside na possibilidade de consagrar o amor homossexual num ritual público com direitos sociais idênticos à classe heterossexual. Aliás a ideia que queres passar na frase seguinte era muito bem-vinda, se antes não tivesses disparatado com a que eu anteriormente mencionei.

Mas eu percebo muito bem estes teus desvarios, apesara de não te conhecer, é que claramente tu vive bem longe daqui, lá para as Américas. Isso ficou bem patente no último parágrafo, só te faltou descrever o coldre e a areia a voar lá fora. Meu caro devo avisar-te que a vida não é um western onde podes, só porque tens uma língua desafogada, fazer a lei do bandido! E para bandido...com esse nome também não vais longe!

Saudações.