1 de mar de 2012

Brasil


Há na música brasileira, particularmente naquela MPB dos mitos, um sossego melancólico que me põe ‘de bem com a vida’. Ares atlânticos (provavelmente!) porque noto isso também quando escrevo à beira-mar… ou tento, apenas.

Ora, essa volúpia de búzio, aliada ao eco distante de um pandeiro, faz para mim um tal sentido como conversar de família com tios estrangeiros. O Brasil não é o nosso país irmão. É os nossos primos e primas do estrangeiro! E nos parecem sempre mais divertidos e interessantes, muito graças a uma convivência social diferente. Nem melhor nem pior. Diferente, tão só. E eu, português, gosto muito de me imaginar em realidades estrangeiras como se, quase à socapa, me enfiasse sob o édredon dos sonhos alheios…

Não sei se isto será um reflexo ou apenas a minha criatividade infantil, calçando sapatos de adulto. Não sei. Mas divirto-me (contornando provavelmente a História) a imaginar que os portugueses, que por lá passaram há séculos, tenham infligido no código genético local, e em gostosas brincadeiras, um pouco do nosso fado… e de lá tivessem vindo, apenas, com um bolso de memórias transviadas e a alegria das ressacas.

Quanto ao ouro, que encheu apenas a mão dos ricos, não creio que tenha lugar nesta equação...


PS: A música original é de João Gilberto. Mas como a visão do post é também uma cover da História...



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