4 de ago de 2009

Brandos Curtumes

Uma sondagem recente veio demonstrar que os portugueses julgam haver uma justiça para os ricos e outra para os pobres. Quanto a mim, basta estar atento aos noticiários para se perceber porquê. De vez em quando, lá aparece uma manchete bombástica dedicada às celebridades políticas do costume. Os motivos também são quase sempre os mesmos: - suspeita de corrupção; licenciamentos de legalidade duvidosa; tráfico de influências; fuga aos impostos e contas em offshore; sinais exteriores de riqueza a parecer semáforos, etc., etc.

Este punhado de costumeiros faz sempre as suas entradas à saída dos tribunais, ora queixando-se de cabalas políticas ora questionando a legitimidade das acusações por parte do Ministério Público, escudando-se no apoio popular democraticamente expresso no resultado das últimas eleições. Uma indignação de meter pena, portanto!

Ora eu, que sou uma pessoa sensível e muito meiga, fico logo com um pingo de ranho no nariz, a soluçar impropérios contra as injustiças deste mundo obradas na dignidade das pessoas de bem. Outras vezes, dá-se-me para rir mas isso é porque também sou um bocado traquinas.

Agora mais a sério, e até porque já falei de políticos quanto baste, o motivo deste post não é condenar em praça pública quem tem de responder sazonalmente pela sua honra.

Convenhamos que estar alapado na cadeira do poder não é fácil. Primeiro, porque a maior parte delas são feitas em madeira de pau-santo. Eu tenho duas ou três no escritório e (acreditem!), o desconforto começa a sentir-se muito antes de se efectuar um login com sucesso! Em segundo lugar, passar a noite sentado nelas, numa sessão da Assembleia Municipal, ouvindo impropérios ou respondendo por mesquinhices sem fundamento, basta para arrepiar o testo a qualquer um… e todas as oposições sabem isso! Não deve ser nada fácil!

Ainda mais a sério, e em jeito de conclusão, interessa-me reparar e chamar a atenção para alguns detalhes, deixados sem provimento pelas artimanhas do populismo e do Marketing político, e por mim chutadas em jeito de questão:

- Onde mora a inocência de uma pessoa condenada a uma porrada de anos de prisão efectiva e que, depois de recorrer, sai em liberdade com uma pena de dois e três anos de pena suspensa?

- Em que vão de escada mora a Justiça quando a lei, que supostamente a advoga, num dia condena um ser humano a 15 anos de cadeia e, dias depois, com uma reprimenda moral, o deixa beber champanhe no conforto do lar, pago com a fome dos saqueados.

Em suma, que puta de régua é esta?

Sabei por mim, que sou de confiar, mas em jeito de segredo: - a Justiça já não habita em lugar nenhum. Ocupa o coração dos homens livres e fá-los carpir com a sua depressão.

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4 comentários:

anita disse...

...subscrevo cada linha escrita neste post... nunca tiveste tanta razão...

Cumprimentos Sr. Mal

sombra e luz disse...

ahh... o coração dos homens livres deprimidos carpindo é você a brincar, não é?...

que o coração dos homens livres é selvagem, não sabe chorar seu infortúnio, apenas se move porque está vivo e sempre está em busca da sua amada liberdade...

pois, a justiça...
que injustiça... a lei!... mas muito curtida se bem brandamente...
a do mais forte sobre o mais fraco... o marx explica isso muito bem... aquilo das supra-estruturas... e das próprias infra!... sabe? o ilustre e prestável mexilhão...

Bom.
A inocência dos homens livres e de suas irmãs, mães e amantes, também ditas de mulheres livres, já agora, mora num vão de escada frequentada por putas para todos os gostos e feitios, que andam de régua na mãos a medir e traçar-lhe os caminhos de se perder nas subidas e descidas da vida...

Em suma, a justiça é defeituosa à nascença e imperfeita na sua marcha até à própria decadência, mas a injustiça, essa,é insuportávelmente aviltante... pelo que indignar-se é preciso.

Indigno-me consigo.
Mas não me transforme o coração do homem livre naquilo!!... é outrossim bem mais precioso...

pois...:)
saudações.

Sinn-Klyss disse...

Esta é uma instrução importantíssima aos imunes-à-crença, para que tenham pelo menos noção de se defender não só dos crentes/católicos, etc, insuflados pelos espúrios "mandantes-de-crenças", mas também dos maçons, e de todos os séquitos de canalhas que impetram perseguição e escravidão à Sociedade Civil.
Pra começar dispense ser chamado de ateu. Ateu é um termo pejorativo, um rótulo desnecessário, que incita (o ambiente psicológico dos crentes) à discriminação aos sem-crença(s). A questão é intrincada, pois remete em importância à aceitação passiva do uso do têrmo “deus” escrito com D maiúsculo. O adulto e o infante podem confrontar imposições desse tipo (que vêm disfarçadas nesses feitios) desmontando categoricamente os anuviados/poluídos em crenças. Mas não basta uma simples instrução; é preciso saber proceder e ter disposição para defender o procedimento. Numa escola, se o filho de um imune-à-crença escrever “deus” assim com d minúsculo -- (ainda mais agora com o(s) Estado(s) envergonhando acintosamente a laicidade com o intrometimento dos agentes teológicos nas escolas, nocivos à desenvoltura psicológica dos estudantes) – como e quem e o quê o defenderia a ele, aos pais e os amigos dele?

Sinn-Klyss disse...

Mas tem solução: Praticamente todos os infantes hoje têm celular (dispense-se esse negócio de câmera, isso só serve pra vigiar os “ferrados” pelo Regime Nazi-Pulhítico-Divino), então que ligue para um amigo, para os pais, e diga: “Hoje, na escola, vi-me na situação de dispensar o D maiúsculo no termo “deus” ao escrever uma redação”; ou então mande um e-mail, por exemplo para haddammann@bol.com.br. Pronto. O que se tem a fazer? Dispõe-se personas categorizadas para acompanhar o suceder das covardias hediondas que vão espreitar e prejudicar o infante. O que acontecerá no ambiente desse infante? Com seus dias, suas notas, com as balinhas que compra na vendedora ‘boazinha’ que vende pipoca na porta da escola, com o emprego do seu pai, com os amigos que ficam perto e vão sendo quebrados, estropiados um a um (para causar, no infante e nos que pensarem em apoiarem-no, a impressão que carrega ‘maldição’, ‘azar’), com o serviço de limpeza defronte de sua casa, com a conta de sua mãe no banco, com o ir-e-vir no trajeto da escola, nos canais públicos “legais” em que lá se espera com avidez para sacralizar a desgraça, etc. Muito bem. Quando esses agentes pútridos encararem a conta do que fazem, e virem a fibra visceral da espécie Homo Sapiens sapiens faber psi vibrando pelo vigor de sua sobrevivência, aí ... definiremos o Efeito Reverso.