18 de mai. de 2011
Pérolas do meu livro de filosofia do 11.º ano I
Quando somos jovens, estamos desejosos de terminar a instrução primária para entrar na secundária, desejosos de terminar a secundária para ingressar na universidade, desejosos que passe o tempo para começar a trabalhar, desejosos que acabem os nove meses para finalmente sermos pais, desejosos do fim do mês para recebermos o ordenado, desejosos que chegue o Verão e as merecidas férias, desejosos que passem os dois anos previstos para termos o carro há muito sonhado...
E quando finalmente chegamos aos 70 anos, temos o descaramento de dizer ao nosso neto:
- Ai, meu filho, quem me dera agora ter a tua idade!
J.M. Cravina, Coimbra, Portugal
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4 de mai. de 2011
O Poeta menor
22 de abr. de 2011
Corrida
15 de abr. de 2011
Wingless birds with feather hats
22 de mar. de 2011
Dia Mundial dos Unicórnios
Ontem foi o Dia Mundial da Poesia e eu passei-o longe dela como um corno no Dia de São Valentim… mas sem perder o sorriso dos pais que se vêem largados por um carrossel de jardim!
Estranho mistério, o Amor! Nunca tinha pensado nele como escrivaninha onde simultaneamente se podem guardar revistas porcas e retratos de família...
10 de mar. de 2011
Melancolia
É fim de mês sem ordenado
E Deus dorme com uma arma sob a almofada, com balas para mim.
Bem as mereço! – Um pau magnífico a bater-me nas pernas
E a correr para o trabalho todos os dias!
17 de fev. de 2011
Navalhas
15 de fev. de 2011
S/ título
17 de dez. de 2010
Wine Fest
Esta é a voz!...
Não é nada, pá! Sou eu, o Menino de Talho. Quase que vos enganava, seus jagodes!
Com que então, amanhã é o Wine Fest. Gosto! Até já pus a arejar o meu fato de levar aos casamentos. E vós? Já mandastes limpar a farpela a seco? Olhai que nódoas de vinho tinto não saem com duas tretas… e as de vómito na bainha das calças também são bem ruins de tirar. A Internet diz que o melhor para tirar a sujeira da roupa, é pô-la de molho em vinho branco. Mas tem que ser do bom! Não pode ser vinho de pacote porque senão fura o pano…
Também parece que este ano há um concurso de soquetes. Sobre isso… bem… já não bastava o pessoal não lavar os pés… aquilo vai ser um bedum a chulé… toda a gente descalça com as meias molhadas de ter andado para lá a correr como uns garotos… um bando de cinderelas mancas à procura dos sapatos… Ah! E parece que não vale ir de crokis. Quem quiser ir de crokis tem que partir uma perna! Mas é a si mesmo, não é a outra pessoa. E por falar em partir…
Para aqueles cachopos que não conseguem segurar o copo na mão, parece que há um programa alternativo… que é a feira das águas em Vidago. Se não aguentais o vinho no bucho, comei miolo de pão ou côdeas ou então deixai-o no copo porque alguém o há-de beber. É bem possível que deus vos não tenha abençoado com a graça de tomar vinho. Isto é como os cães! Os cães também não gostam de fruta porque deus não quis que eles subissem às árvores. E depois, eles a alçar a perna lá de cima, e a vir por ali abaixo a ganir nas rancas. Não, não!… não vamos estar para aqui a perturbar a ordem natural das coisas.
Vá, um bom wine fest para todos e juízo da cintura para cima!
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28 de nov. de 2010
O último empregado
Perdi-me em caixotes!
Em malas de sótão que andaram pelo mundo
E se adiam ao lixo porque guardam livros que ninguém lê…
Será que alguém os leu?
Guardo o livro de um cocainómano
Que entretanto virou polícia e casou com uma besta.
Ele não sabe.
Não me conhece, sequer.
Vive num jazz de casino que lhe inventei
Com empregados de camisa branca e laço preto,
Virando cadeiras sobre as mesas,
Fingindo que eu não estou lá,
Bebendo ao piano.
É um hotel…
E o tipo das horas mortas leva-me em braços ao quarto
Mais por ter coração
Que por obrigação.
Trata-me por senhor e
Ajuda-me a tirar os sapatos.
Enche-me, antes de ir, o copo de whisky com água da torneira
E põe-lhe uma pastilha efervescente…
É um bom homem,
Este Alcino sem horas
Que me deixa na cama
E se esvai pelo corredor alcatifado
A acender um cigarro…
E deve, porventura, amar uma prostituta que não o ama…
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15 de nov. de 2010
Deus Sex Macinha - rascunho II
Já não se pode ir a um sítio público, um bar ou um restaurante, sem que um eremita maluco, descido da montanha ou do poleiro de um galinheiro, me venha foder a cabeça com essa coisa de deus vir à terra. A culpa é deste Jacob Stratham, cujo nome profético e talento para a escrita sensacionalista, fez disparar o fenómeno, convertendo-se à mística desses naturalistas peludos que deixam o suor do cu nas cadeiras de plástico antes de serem expulsos das esplanadas.
Sempre gostei de teorias da conspiração. Por várias razões. Nasci praticamente a ver televisão (é provável que me tenham mudado as fraldas no intervalo das telenovelas), leio muitas revistas e folheio jornais… sempre que me parece haver teia, vou logo à procura das aranhas! Depois, porque as teorias conspirativas se baseiam em cálculos matemáticos relativamente simples a que basta juntar alguma criatividade ou ovos e farinha para o mélange dar em bolo. Por outras palavras, pode explicar-se a guerra no Iraque a partir de um pinanço fortuito em Times Square, uma esporradela filmada em Central Park, à sombra de uma árvore de folha caduca ou no banco traseiro de um carro japonês.
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Deus Sex Machina - rascunho
Gosto das ressacas ao domingo, principalmente quando chove e toda a gente sai de casa para se refugiar da chuva noutra casa qualquer. O dia é cinzento. Chego-me à porta com um copo de água para fumar um cigarro. Podia ser o primeiro do dia mas é o último da noite anterior, depois de dormir. O trânsito, do cimo da escada, à distância do olhar, é tão residual e irregular que nem valia a pena falar sobre ele, não fosse isso bom, como a poesia a tropeçar-me nos pés a fazer de gato carente. Bebo um copo de água à chuva e tudo é cinematográfico como a bonança depois de uma explosão.
Gozo de uma magnífica sensação que a tudo me desobriga, deambulando por mim e por todas as divisões, distraidamente. E é quando tudo o que é real me parece sanável, assim me dêem tempo à noite para o reescrever. Ter tempo! – O último luxo dos que se deserdaram da vida para existir com mais dinheiro. Tento, às vezes, perceber o que vai na cabeça daqueles senhores que têm mil milhões. Quando é que o dinheiro vai chegar? Haverá um número, um tecto? Se calhar o erro está em definir o tecto e não um soalho onde assentar os pés…
Mas de que vale estar para aqui a falar de ressacas e milionários, quando toda a gente murmura a visita de Deus!
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