28 de nov. de 2010

O último empregado

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Perdi-me em caixotes!

Em malas de sótão que andaram pelo mundo

E se adiam ao lixo porque guardam livros que ninguém lê…


Será que alguém os leu?


Guardo o livro de um cocainómano

Que entretanto virou polícia e casou com uma besta.

Ele não sabe.

Não me conhece, sequer.

Vive num jazz de casino que lhe inventei

Com empregados de camisa branca e laço preto,

Virando cadeiras sobre as mesas,

Fingindo que eu não estou lá,

Bebendo ao piano.


É um hotel…

E o tipo das horas mortas leva-me em braços ao quarto

Mais por ter coração

Que por obrigação.


Trata-me por senhor e

Ajuda-me a tirar os sapatos.

Enche-me, antes de ir, o copo de whisky com água da torneira

E põe-lhe uma pastilha efervescente…


É um bom homem,

Este Alcino sem horas

Que me deixa na cama

E se esvai pelo corredor alcatifado

A acender um cigarro…


E deve, porventura, amar uma prostituta que não o ama…




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