O artista é um ser incompleto. Ser completo é próprio dos parvos. O verdadeiro artista é uma invenção do erro. Ele pega no mundo todo e num molho de roupa suja com a mesma convicção, ao vir do banho. O artista incomoda-se, o artista deprime-se por ter de encontrar uma forma de explicar a sua visão do mundo. Ele é significante e significado em constante mutação e mexe na merda, provando com as mãos em vaporosa que ela cheira mal. O artista também existe para desmistificar os dogmas que a publicidade e a propaganda vendem como ideais de virtude e perfeição. Acresce ainda ter de inventar os códigos linguísticos mais acessíveis ao entendimento da sua visão e, nesse sentido, o verdadeiro artista deve também ser capaz de reinventar o seu discurso nos códigos já existentes. A sua forja é o mundo todo e o seu castelo uma torre de latão e marfim com apliques e farolins, por onde ele mesmo sobe, arriscando a gravidade dos seus pensamentos.
Essa mesma condição inventou-me um lugar no cinema e, sem mais delongas, proporcionar-vos-ei, sem quaisquer interesses comerciais, o desfrute de algumas cenas que me tornaram mais conhecido em Bombaim do que a Angelina Jolie no Cambodja…
O Último Tangas em Paris
http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-uk-559f51775ca97efa8b44858146fe398a.html
Carolina Estende a Toalha:
http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-uk-005d37149bbe8a4f5b450a9b4f54c281.html
Manif:
http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-uk-6169d8b1507630634135dfd25acbd207.html
Gina Lombriga:
http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-uk-a38ade88d60bed82a39c2091c872bfe2.html
Brevemente, há mais...
19 de out. de 2009
15 de out. de 2009
Ultimate Sex Power Fest
Acordai,
Que ainda sois jovens!
Bem sabeis que o tempo passa
E não há velhice de mel nos olhos
Para quem se adiou aos encontros.
Enoja-me o vosso peito a tinir de medo,
As conas secas e as pilas murchas!
Ide embora!
Comprai uma caixa de pau-santo
E metei-vos lá dentro para que nunca vos toquem!
Ou então arrependei-vos
E bebei comigo um trago de honra
Pelo tesão que vos gerou!
Ainda é possível desfazer o mal, -
O vosso mal!
Renegai o mundo que vos querem vender.
Renegai-o! – digo-vos eu!
Tendes beleza,
Tendes talento e terreno de pele que baste
Para inventar um museu de memórias
Na própria carne.
O vosso peito é tenro – eu sei-o!
Não espereis mais um quarto de século
Para o ofertar a um calor de mãos.
O sentido da vida é a morte!
É melhor que o saibam por mim!
Tirai essas mãos sujas dos bolsos
E dançai. E roçai
E devolvei a Bruxelas essa educação que vos obrigou a cobrir o corpo…
Como se a vontade de fazer amor fosse pecado!
Inventai comigo, outra vez, o amor.
Tomai-vos,
E comei-vos!
.
Que ainda sois jovens!
Bem sabeis que o tempo passa
E não há velhice de mel nos olhos
Para quem se adiou aos encontros.
Enoja-me o vosso peito a tinir de medo,
As conas secas e as pilas murchas!
Ide embora!
Comprai uma caixa de pau-santo
E metei-vos lá dentro para que nunca vos toquem!
Ou então arrependei-vos
E bebei comigo um trago de honra
Pelo tesão que vos gerou!
Ainda é possível desfazer o mal, -
O vosso mal!
Renegai o mundo que vos querem vender.
Renegai-o! – digo-vos eu!
Tendes beleza,
Tendes talento e terreno de pele que baste
Para inventar um museu de memórias
Na própria carne.
O vosso peito é tenro – eu sei-o!
Não espereis mais um quarto de século
Para o ofertar a um calor de mãos.
O sentido da vida é a morte!
É melhor que o saibam por mim!
Tirai essas mãos sujas dos bolsos
E dançai. E roçai
E devolvei a Bruxelas essa educação que vos obrigou a cobrir o corpo…
Como se a vontade de fazer amor fosse pecado!
Inventai comigo, outra vez, o amor.
Tomai-vos,
E comei-vos!
.
4 de out. de 2009
Era uma vez...
Admiro as pessoas que são natas contadoras de histórias. Não faço distinção quanto a idades, ou até mesmo a experiência de vida, tanto me apraz ouvir um velho ancião calejado e marcado pela existência, como um pequeno ser que ainda não saiu debaixo das saias da mãe… especialmente se ainda estiver debaixo dessas saias, bens sabereis o porquê, mas isso são outros caminhos, pelos quais não quero enveredar neste momento.
Ora, a natureza de um contador de historias faz com que essa criatura seja um ponto atractivo, uma pessoa na qual vamos para casa a pensar, em que por vezes estamos na cama a olhar para o escuro do quarto ou até na sanita (utensílio muito apreciado pelos pensadores) e nos surge na lembrança, é um espírito sempre presente, mesmo quando não o sentimos.
Foi com uma pessoa destas que tive o imenso gosto de contactar aquando das minhas férias na minha outra pátria. Inúmeras histórias me confidenciou a pessoa á qual me refiro, mas nenhuma me marcou tanto como esta que de seguida irei partilhar convosco, meus caros compinchas.
Não vos irei pedir que para tal narrativa (tal como me foi pedido a mim), depositeis a vossa crença, ou até o vosso interesse, abandonai, pois, este conto e este vosso humilde narrador, no ponto que acheis mais adequado para prosseguirdes o vosso caminho. Se por um feliz acaso o seguires até ao fim, estais desde já convidados a brindar-me com um copo do vosso juízo ou opinião.
Assim, passai a ouvir-me não só com os tímpanos, mas também com os olhos!
Lá na Ucrânia; bem na Ucrânia profunda, onde e como dizem os locais que Cristo não passou, existe um vilarejo, uma pequena comunidade, com não mais de cinco centenas de habitantes, pessoas modestas que vivem da terra e daquilo que esta lhes oferece mediante o seu trabalho sazonal. Essa terra de seu nome Pukalyak é maioritariamente cercada por bosques e vegetação bastante densa, que dá ao lugar um aspecto bastante sombrio. Mas essa densidade de florestação não é o único elemento a rodear Pukalyak. No lado sul do vilarejo existe um lago, de águas bastante calmas, mas também bastante negras e profundas. Diz-se até, que este lago encerra segredos de uma aldeia submersa pelas suas águas… factor que contribui para que os locais dificilmente o frequentem. È como que um local proibido.
Na localidade, existia uma rapariguinha, como tantas outras da sua jovem idade, Oksana era o seu nome. Era alta e magra, de longos cabelos negros e de olhos verdes escuros como a vegetação que circundava Pukalyak, vegetação que exercia um enorme poder sobre a rapariga. Dizia-se enormemente atraída pela floresta, como se esta sussurrasse o seu nome, afirmando, até, que um dia iria explora-la apesar de todas as tentativas dissuasoras de sua velha mãe, sua única e fraca família.
Os dias e os meses, assim como as estações passavam sempre toldadas pela constante e doentia névoa e o desejo de se entregar á floresta de Oksana, não parava de crescer. Era Janeiro e o dia estava mais frio que qualquer outro, sua mãe morrera há precisamente um mês, na noite de natal… presente envenenado com que fora brindada a nossa rapariga pelos santos e personagens natalícios. Hoje, Oksana decidiu libertar-se desse desejo que já há muito a sufocava, precisamente hoje iria entregar-se á densa e proibida floresta sombria…
O que por lá se passou com a jovem é de todo desconhecido, uma coisa, porém, é certa, quando regressou, um par de anos depois, não era a mesma rapariga. Vestia as mesmas roupas com que partiu, ou melhor vestia o pouco que delas restava, pois não passavam de trapos gastos, rotos e sujos. Os seus longos cabelos negros estavam ainda mais longos, mas também bastante estragados, sujos e como que viscosos. Os olhos sem brilho, bastante enterrados acrescentavam uma expressão ainda mais demoníaca á sua face pálida. Não falava ou sorria, não gemia ou chorava, simplesmente se notava ausência de expressões em toda a sua pessoa. Trazia consigo uma criança nos braços, um recém-nascido, que diziam os locais ser fruto gerado no seu ventre depois de concebido entre si e uma das muitas criaturas demoníacas que povoavam a escura floresta. Razões de sobra para que a população local começasse a desprezar, escorraçar e criar mitos em relação a estes dois miseráveis seres.
Admiravelmente a jovem sempre se conseguiu manter viva e ao rebento, sem que para isso necessitasse da ajuda alheia. Receosa das represálias da população, Oksana mantinha-se sempre retirada do resto da pequena vila, arranjando-se, desta forma, sempre o melhor que lhe era permitido. Certo dia, tentada pela fome desenfreada com que vinha sendo assaltada ultimamente, não aguentou os espasmos do seu corpo e mais uma vez aventurou-se floresta adentro, desta vez, somente, com o intuito de caçar para se saciar do seu apetite e por sua vez proporcionar uma refeição mais digna ao pequeno ser que a acompanhava. Saiu logo pelo romper da manhã, com uma névoa cerrada e um silencio de morte, entrecortado pelo som da luta de um bando de corvos ao longe. Á criança, deixou-a muito aconchegada, num cantinho resguardado da casa.
Ao meio da manhã, ainda nem todos haviam despertado e a caça já havia saído da floresta. Uma lebre iria servir de repasto… Mas ao entrar em casa e para seu desespero e terror, Oksana constatou que o seu pequeno ente desaparecera. Pela primeira vez nos últimos anos, o seu rosto assumiu uma expressão, a sua minúscula boca suja abriu-se violentamente emitindo um som semelhante ao de um uivo e o desespero tomou conta da sua alma, se é que ainda a possuía. Saiu, aturdida com o acontecido e veio grunhir por auxílio para junto do vilarejo e dos seus habitantes, que logo se puseram a bramir insultos e ameaças contra ela. O chefe dos anciãos assumiu o seu posto e tomou a palavra, dirigiu-se a ela nos seguintes modos:
- «Avistamos sim, o fantasma de uma criança a chorar e a correr em direcção ao lago, mergulhando na sua escuridão. Com certeza, ficou nas ruínas da aldeia submersa, habitada por algumas pragas aquáticas. Reza pela alma do teu filho! Talvez tenha virado comida dessas pragas, procurando nas suas fezes, talvez o encontres…»
Nisto, agarrou a cabeça de Oksana, com as duas mãos, muito firmemente e gritou-lhe: - «Acorda, mãe aflita, liberta o filho que está perdido no teu sonho. Abre os olhos, deixa-o sair do teu interior!»
Ora, a natureza de um contador de historias faz com que essa criatura seja um ponto atractivo, uma pessoa na qual vamos para casa a pensar, em que por vezes estamos na cama a olhar para o escuro do quarto ou até na sanita (utensílio muito apreciado pelos pensadores) e nos surge na lembrança, é um espírito sempre presente, mesmo quando não o sentimos.
Foi com uma pessoa destas que tive o imenso gosto de contactar aquando das minhas férias na minha outra pátria. Inúmeras histórias me confidenciou a pessoa á qual me refiro, mas nenhuma me marcou tanto como esta que de seguida irei partilhar convosco, meus caros compinchas.
Não vos irei pedir que para tal narrativa (tal como me foi pedido a mim), depositeis a vossa crença, ou até o vosso interesse, abandonai, pois, este conto e este vosso humilde narrador, no ponto que acheis mais adequado para prosseguirdes o vosso caminho. Se por um feliz acaso o seguires até ao fim, estais desde já convidados a brindar-me com um copo do vosso juízo ou opinião.
Assim, passai a ouvir-me não só com os tímpanos, mas também com os olhos!
Lá na Ucrânia; bem na Ucrânia profunda, onde e como dizem os locais que Cristo não passou, existe um vilarejo, uma pequena comunidade, com não mais de cinco centenas de habitantes, pessoas modestas que vivem da terra e daquilo que esta lhes oferece mediante o seu trabalho sazonal. Essa terra de seu nome Pukalyak é maioritariamente cercada por bosques e vegetação bastante densa, que dá ao lugar um aspecto bastante sombrio. Mas essa densidade de florestação não é o único elemento a rodear Pukalyak. No lado sul do vilarejo existe um lago, de águas bastante calmas, mas também bastante negras e profundas. Diz-se até, que este lago encerra segredos de uma aldeia submersa pelas suas águas… factor que contribui para que os locais dificilmente o frequentem. È como que um local proibido.
Na localidade, existia uma rapariguinha, como tantas outras da sua jovem idade, Oksana era o seu nome. Era alta e magra, de longos cabelos negros e de olhos verdes escuros como a vegetação que circundava Pukalyak, vegetação que exercia um enorme poder sobre a rapariga. Dizia-se enormemente atraída pela floresta, como se esta sussurrasse o seu nome, afirmando, até, que um dia iria explora-la apesar de todas as tentativas dissuasoras de sua velha mãe, sua única e fraca família.
Os dias e os meses, assim como as estações passavam sempre toldadas pela constante e doentia névoa e o desejo de se entregar á floresta de Oksana, não parava de crescer. Era Janeiro e o dia estava mais frio que qualquer outro, sua mãe morrera há precisamente um mês, na noite de natal… presente envenenado com que fora brindada a nossa rapariga pelos santos e personagens natalícios. Hoje, Oksana decidiu libertar-se desse desejo que já há muito a sufocava, precisamente hoje iria entregar-se á densa e proibida floresta sombria…
O que por lá se passou com a jovem é de todo desconhecido, uma coisa, porém, é certa, quando regressou, um par de anos depois, não era a mesma rapariga. Vestia as mesmas roupas com que partiu, ou melhor vestia o pouco que delas restava, pois não passavam de trapos gastos, rotos e sujos. Os seus longos cabelos negros estavam ainda mais longos, mas também bastante estragados, sujos e como que viscosos. Os olhos sem brilho, bastante enterrados acrescentavam uma expressão ainda mais demoníaca á sua face pálida. Não falava ou sorria, não gemia ou chorava, simplesmente se notava ausência de expressões em toda a sua pessoa. Trazia consigo uma criança nos braços, um recém-nascido, que diziam os locais ser fruto gerado no seu ventre depois de concebido entre si e uma das muitas criaturas demoníacas que povoavam a escura floresta. Razões de sobra para que a população local começasse a desprezar, escorraçar e criar mitos em relação a estes dois miseráveis seres.
Admiravelmente a jovem sempre se conseguiu manter viva e ao rebento, sem que para isso necessitasse da ajuda alheia. Receosa das represálias da população, Oksana mantinha-se sempre retirada do resto da pequena vila, arranjando-se, desta forma, sempre o melhor que lhe era permitido. Certo dia, tentada pela fome desenfreada com que vinha sendo assaltada ultimamente, não aguentou os espasmos do seu corpo e mais uma vez aventurou-se floresta adentro, desta vez, somente, com o intuito de caçar para se saciar do seu apetite e por sua vez proporcionar uma refeição mais digna ao pequeno ser que a acompanhava. Saiu logo pelo romper da manhã, com uma névoa cerrada e um silencio de morte, entrecortado pelo som da luta de um bando de corvos ao longe. Á criança, deixou-a muito aconchegada, num cantinho resguardado da casa.
Ao meio da manhã, ainda nem todos haviam despertado e a caça já havia saído da floresta. Uma lebre iria servir de repasto… Mas ao entrar em casa e para seu desespero e terror, Oksana constatou que o seu pequeno ente desaparecera. Pela primeira vez nos últimos anos, o seu rosto assumiu uma expressão, a sua minúscula boca suja abriu-se violentamente emitindo um som semelhante ao de um uivo e o desespero tomou conta da sua alma, se é que ainda a possuía. Saiu, aturdida com o acontecido e veio grunhir por auxílio para junto do vilarejo e dos seus habitantes, que logo se puseram a bramir insultos e ameaças contra ela. O chefe dos anciãos assumiu o seu posto e tomou a palavra, dirigiu-se a ela nos seguintes modos:
- «Avistamos sim, o fantasma de uma criança a chorar e a correr em direcção ao lago, mergulhando na sua escuridão. Com certeza, ficou nas ruínas da aldeia submersa, habitada por algumas pragas aquáticas. Reza pela alma do teu filho! Talvez tenha virado comida dessas pragas, procurando nas suas fezes, talvez o encontres…»
Nisto, agarrou a cabeça de Oksana, com as duas mãos, muito firmemente e gritou-lhe: - «Acorda, mãe aflita, liberta o filho que está perdido no teu sonho. Abre os olhos, deixa-o sair do teu interior!»
24 de set. de 2009
O Ócio e o Negócio
Calem-se os cépticos! Eis-me chegado de um longo período de marasmo, hibernação e/ou descanso. Vejam-me, os que em mim não acreditaram, como um bombom desses que a televisão publicita, desses chocolates que são retirados do mercado durante a estação das secas, do sol e do calor, para que não percam nenhuma das suas qualidades… podem ver-me assim, os que me julgavam desaparecido, ou ter desistido de comunicar no Cabaret… A verdade, meus caros amigos, é que este vosso humilde narrador só se ausentou por uns tempos, por ter ido de férias ao meu país natal.
Retirei-me, portanto do “negócio”, para gozar uma temporada de ócio. Mas afinal é sempre a isto que a vivencia humana se resume – ao ócio e ao negócio.
Foram umas grandes férias, vividas intensamente e até ao limite. Família, amigos, copos, comida da boa e muitas amigas sempre a entrarem pelos meus aposentos adentro. Ainda agora regressei e já sinto a falta desses regalos tamanhos. O mesmo senti por tudo isto e especialmente por vós meus caros cúmplices, quando me encontrava na mãe Ucrânia.
Já tomei conhecimento de algumas novidades do país e da terrinha e mais particularmente aqui do Cabaret. Desde a minha ausência, soube que mais alguns compinchas se juntaram ao elenco de comunicadores cá do blogue, a todos eles os meus mais sinceros e cordiais cumprimentos e boas vindas.
Assim, não sei se para rejúbilo geral, afianço a continuação da minha escrita neste local, que particularmente deveras me apraz.
Portanto, gozado que está o ócio, vamos ao nosso negócio!
Retirei-me, portanto do “negócio”, para gozar uma temporada de ócio. Mas afinal é sempre a isto que a vivencia humana se resume – ao ócio e ao negócio.
Foram umas grandes férias, vividas intensamente e até ao limite. Família, amigos, copos, comida da boa e muitas amigas sempre a entrarem pelos meus aposentos adentro. Ainda agora regressei e já sinto a falta desses regalos tamanhos. O mesmo senti por tudo isto e especialmente por vós meus caros cúmplices, quando me encontrava na mãe Ucrânia.
Já tomei conhecimento de algumas novidades do país e da terrinha e mais particularmente aqui do Cabaret. Desde a minha ausência, soube que mais alguns compinchas se juntaram ao elenco de comunicadores cá do blogue, a todos eles os meus mais sinceros e cordiais cumprimentos e boas vindas.
Assim, não sei se para rejúbilo geral, afianço a continuação da minha escrita neste local, que particularmente deveras me apraz.
Portanto, gozado que está o ócio, vamos ao nosso negócio!
23 de set. de 2009
Outono
Chegou o Outono, a minha estação preferida. Deixamos de suar como porcos, as cobras hibernam e os coretos demitem-se de acolher artistas pimba; as árvores que não arderam largam a mão das folhas, cobrindo o chão pejado de pevides e cascas de melão; o sol põe-se com um gosto de fruta madura e troca-se uma roupa por outra com mais ternura. Depois a carne tem outro gosto, convidando mais ao deleite e ao vinho chambriado. Sirvo Two Shots of Happy, One Shot of Sad de uma Nancy Sinatra em copos de cristal e os relógios entram em greve para me dar razão.
Por esta altura, as fadas deixam pistas da sua passagem pelos montes. Lenços de luz nas árvores e cabelos de oiro penteados sobre as pedras. As fadas são ninfas tímidas sujeitas à lei dos pássaros, instruídas para fugir dos homens. Mas há, em todas as criaturas de Deus, rebeldia e pendor para o desconhecido. À sombra do sono parecemos menos maus e as fadas arriscam o toque e beijam-nos a boca.
Acordamos depois revigorados, sem fada ou fado, com um gosto de flores na boca e o mesmo entendimento relativizado do mundo, confusos, mas sem noção de ter infectado a doença do amor num coração puro.
A fada morre depois, virgem, como uma borboleta mirrada de sede, e um ancião de tal adverte para os perigos num palanque de flores improvisado…
Chegou o Outono e a dor ouve-se como o vir da festa…
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Por esta altura, as fadas deixam pistas da sua passagem pelos montes. Lenços de luz nas árvores e cabelos de oiro penteados sobre as pedras. As fadas são ninfas tímidas sujeitas à lei dos pássaros, instruídas para fugir dos homens. Mas há, em todas as criaturas de Deus, rebeldia e pendor para o desconhecido. À sombra do sono parecemos menos maus e as fadas arriscam o toque e beijam-nos a boca.
Acordamos depois revigorados, sem fada ou fado, com um gosto de flores na boca e o mesmo entendimento relativizado do mundo, confusos, mas sem noção de ter infectado a doença do amor num coração puro.
A fada morre depois, virgem, como uma borboleta mirrada de sede, e um ancião de tal adverte para os perigos num palanque de flores improvisado…
Chegou o Outono e a dor ouve-se como o vir da festa…
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17 de set. de 2009
Carta aberta ao Bebé Delícia
Nunca antes tinha pensado na adopção...
Com este post, o menino fez-me reviver uma infância que eu julgava perdida, muito por culpa de uma orfandade que me atirou cedo para a fábrica de sapatos. Uma infância com meninas que gostavam de brincar às casinhas em cabanas com pilares e cheiro de eucalipto. Uma infância feliz e poligâmica cimentada em camas de giesta. Uma infância em que eu mostrava a pila às meninas, e elas, ainda sem pelugem de mocho, baixavam as cuequinhas até aos joelhos e deixavam-se inspeccionar.
Se, por traquinices do destino, os seus pais adoptivos o voltarem a pôr na cesta e o deixarem à porta de um orfanato, saiba-se avalizado para merecer os meus cuidados paternos. Conheço umas garotas sensíveis com parzorros leitosos, dos quais poderíamos sorver os dois.
Pense bem, menino, e não hesite em contactar-me!
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Com este post, o menino fez-me reviver uma infância que eu julgava perdida, muito por culpa de uma orfandade que me atirou cedo para a fábrica de sapatos. Uma infância com meninas que gostavam de brincar às casinhas em cabanas com pilares e cheiro de eucalipto. Uma infância feliz e poligâmica cimentada em camas de giesta. Uma infância em que eu mostrava a pila às meninas, e elas, ainda sem pelugem de mocho, baixavam as cuequinhas até aos joelhos e deixavam-se inspeccionar.
Se, por traquinices do destino, os seus pais adoptivos o voltarem a pôr na cesta e o deixarem à porta de um orfanato, saiba-se avalizado para merecer os meus cuidados paternos. Conheço umas garotas sensíveis com parzorros leitosos, dos quais poderíamos sorver os dois.
Pense bem, menino, e não hesite em contactar-me!
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16 de set. de 2009
Biberão On the Rock's
Oi,
Eu sou o Bebé Delícia e, com o tempo, percebereis que eu sou muito mais cabrão do que vós todos juntos. Vim do futuro com o objectivo bem delineado de me pôr na mira da pedofilia feminina!
Ao contrário do Sr. Mal, que persegue o seu fetiche por pernas com um cabisbaixismo mal disfarçado, eu ando sempre com o pescoço em jeito de periscópio à procura de mamas, como se respirasse um ar mais elevado. É, gosto de mamocas!
Ainda tenho os dentes de leite, ou melhor, tenho os dentes cheios de leite. Às vezes, estou a mamar e tiro a boquinha para lamber as beiças, como um epicurista bêbado degustando um Chianti de 88. Pelos peitos onde a minha boca passa nascem rugas de esvaziamento e erguem-se ao sol mamilos em penitência.
Agora tenho que ir dormir. Gostava de poder escrever posts maiores mas não posso dar muito nas vistas. Estou na sala de jantar a escrever às escuras no Magalhães do meu irmão adoptivo. Está tudo a dormir e eu vim aqui só para cambiar o leite de vaca que me puseram no biberão. Estava a precisar de uma pomadita que me pusesse a roncar mais a jeito. E sim, vou de gatas para a camita.
PS: O gato até foge de mim só de olhar para ele…
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Eu sou o Bebé Delícia e, com o tempo, percebereis que eu sou muito mais cabrão do que vós todos juntos. Vim do futuro com o objectivo bem delineado de me pôr na mira da pedofilia feminina!
Ao contrário do Sr. Mal, que persegue o seu fetiche por pernas com um cabisbaixismo mal disfarçado, eu ando sempre com o pescoço em jeito de periscópio à procura de mamas, como se respirasse um ar mais elevado. É, gosto de mamocas!
Ainda tenho os dentes de leite, ou melhor, tenho os dentes cheios de leite. Às vezes, estou a mamar e tiro a boquinha para lamber as beiças, como um epicurista bêbado degustando um Chianti de 88. Pelos peitos onde a minha boca passa nascem rugas de esvaziamento e erguem-se ao sol mamilos em penitência.
Agora tenho que ir dormir. Gostava de poder escrever posts maiores mas não posso dar muito nas vistas. Estou na sala de jantar a escrever às escuras no Magalhães do meu irmão adoptivo. Está tudo a dormir e eu vim aqui só para cambiar o leite de vaca que me puseram no biberão. Estava a precisar de uma pomadita que me pusesse a roncar mais a jeito. E sim, vou de gatas para a camita.
PS: O gato até foge de mim só de olhar para ele…
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8 de set. de 2009
Chá das cinco
Eu devia era dormir! Deitar-me numa cama fresca e ficar velando, sem grande contrição, por uma associação de ideias e pensamentos que me carregasse as pilhas. Mas há ímpetos que vencem o cansaço, como aquela vontade de querer passar a noite a foder, sem ter ainda com quem. Ímpetos que resvalam no vício e que ninguém gosta de admitir, como escrever bebendo ou conversar à distância…
Gostava de recuperar a prática romana dos banhos públicos, mas cruzado com um “chá das cinco”. Quem fodesse cinco vezes teria direito a um chá…
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Gostava de recuperar a prática romana dos banhos públicos, mas cruzado com um “chá das cinco”. Quem fodesse cinco vezes teria direito a um chá…
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5 de set. de 2009
Monólogo amigável nas agitadas paragens de Algures:
-Nunca digo tudo e tudo o que digo é tudo e nunca o todo.
-Criaste um espaço impenetrável e afastado de todos. Nada nos é próximo-lugar longínquo de intima nostalgia.
Falar é dar forma à palavra que está em ti. É ouvir o eco da tua voz interior.
- Não será a palavra que expõe o ser levando-o a provar da ironia e escárnio, deixando nele o sabor a fel?
Tudo o que é dito contém a morte em si. Ditosos os que são em silêncio.
Quantas frases são pronunciadas com o peso da repetição?
- E quando se fala das dores, serão elas também volúveis?
- As dores vivem-se na solidão que é nossa.Tudo o que é dito ou vivido no exterior não é mais do que areia que finca ao decalque da leveza do ser.
-Nunca desiludir-me-às...
-Recordas-te de tudo o que tens dito?
Por vezes penso que nos servimos das palavras quando menos necessitamos delas. Escondem-nos nelas e delas resultam frases feitas e lugares comuns... Prefiro escrever.
-Eu também. Adeus.
-Adeus.
-Criaste um espaço impenetrável e afastado de todos. Nada nos é próximo-lugar longínquo de intima nostalgia.
Falar é dar forma à palavra que está em ti. É ouvir o eco da tua voz interior.
- Não será a palavra que expõe o ser levando-o a provar da ironia e escárnio, deixando nele o sabor a fel?
Tudo o que é dito contém a morte em si. Ditosos os que são em silêncio.
Quantas frases são pronunciadas com o peso da repetição?
- E quando se fala das dores, serão elas também volúveis?
- As dores vivem-se na solidão que é nossa.Tudo o que é dito ou vivido no exterior não é mais do que areia que finca ao decalque da leveza do ser.
-Nunca desiludir-me-às...
-Recordas-te de tudo o que tens dito?
Por vezes penso que nos servimos das palavras quando menos necessitamos delas. Escondem-nos nelas e delas resultam frases feitas e lugares comuns... Prefiro escrever.
-Eu também. Adeus.
-Adeus.
31 de ago. de 2009
Competividade
PS: Esta missiva não foi sujeita a censura pelo que, visto tratar-se de uma divagação intercalada por uísques menores, está tão sujeita aos meus próprios reparos como à interpelação de outros uísques e/ou ideias.
Não me falem de competitividade. Se os meus pulmões estourassem e viesse de lá um monstro com toda a minha dor nos seus movimentos e a expurgar dos olhos uma placenta com os meus tecidos, chamar-lhe-ia COMPETIVIDADE!
Ensinaram-nos esta ladainha na fila dos impressos quando já estávamos fartos de olhar para o relógio e para a publicidade institucional e não nos deixaram acender cigarros para tocá-la com sentimento à guitarra. Chamam-nos por um número…
(não vos quero meter no meu número. Falarei na 1.ª pessoa…)
Chamam-me por um número que nem é o meu favorito nem cabe no Euromilhões para expurgar o meu azar. Chega a minha vez para descodificar o economês e a música de Simon & Garfunkel soa a cantilena de berço…
A lavagem cerebral estende-se como o sabão de uma roupa lavada nas pedras do rio mais a nascente e que vêm por aí abaixo a dar de beber.
Levo com um filme ao domingo que me faz simpatizar com a história triste dos nerds com sentimentos que tentam conquistar a miúda aos populares sem sentimentos. Durmo nos quarenta minutos de intervalos para publicidade e acordo para o desfrute amoroso do nerd que sacou a gaja e se vingou dos outros palhaços que, indubitavelmente, acabaram na merda a recuperar num sanatório depois de experiências com drogas, ou a apanhar sabões numa cadeia manhosa com homossexuais agressivos. E custa-me que alguém acredite nisto como retrato da sociedade e acorde para uma segunda-feira de trabalho com o espectro dos seus sonhos a fazer-se suportável em nome de uma competitividade que exige o sacrifício dos mais fracos para encher a boca de pão aos filhos de quem os tem e pagar as aulas de karate, de canto, ballet ou os sonhos adiados de uma puta que os pariu e os projectou na sua descendência, como forma socialmente aceite de exorcizar tudo o que não experimentou e encher de glória os seus rebentos, em detrimento dos outros. Como se tudo fosse um fogo-de-artifício e toda a gente falasse no fim, dizendo: - “o meu filho estourou mais alto que o teu”.
Hoje ouvi uma mulher dizer, orgulhosamente, que trabalhava numa fábrica de armamento na América e disse mal do Bush, mas sem formalizar. Como se, por acaso, tivesse sido levada pelo Amistad e estivesse agora fazendo um trabalho escravo, que tem de ser feito, independentemente de quem o realiza; como se as balas que ela afina fizessem dela menos culpada só porque alguém ordenou o seu uso.
Ah, mas eu não! Eu não pactuo com essa miséria miserável. E se fosse possível ser ainda mais miserável, e andasse acontecendo pelas ruas com um copo de papel a pedir esmolas, teria razões menos suficientes para acabar comigo. Não acredito na paz! É só uma utopia como outra qualquer. Não acredito enquanto continuarem a laborar essas máquinas de administrar a morte; não acredito enquanto o Homem mantiver a necessidade apócrifa de espalhar a sua ideologia como se tudo o que existe tivesse de ser destruído para dar lugar a um pensamento maior; como se continuassem as cruzadas mas com um deus diferente, ou outro discurso mais plausível...
O nosso destino é estourarmo-nos uns aos outros e não estar cá para ver o respirar do cosmos depois da passa que ele nos deu ou nós lhe demos.
E termino com a resposta mais odiosa e ignorante que conheço: - “É assim!...”
.
Não me falem de competitividade. Se os meus pulmões estourassem e viesse de lá um monstro com toda a minha dor nos seus movimentos e a expurgar dos olhos uma placenta com os meus tecidos, chamar-lhe-ia COMPETIVIDADE!
Ensinaram-nos esta ladainha na fila dos impressos quando já estávamos fartos de olhar para o relógio e para a publicidade institucional e não nos deixaram acender cigarros para tocá-la com sentimento à guitarra. Chamam-nos por um número…
(não vos quero meter no meu número. Falarei na 1.ª pessoa…)
Chamam-me por um número que nem é o meu favorito nem cabe no Euromilhões para expurgar o meu azar. Chega a minha vez para descodificar o economês e a música de Simon & Garfunkel soa a cantilena de berço…
A lavagem cerebral estende-se como o sabão de uma roupa lavada nas pedras do rio mais a nascente e que vêm por aí abaixo a dar de beber.
Levo com um filme ao domingo que me faz simpatizar com a história triste dos nerds com sentimentos que tentam conquistar a miúda aos populares sem sentimentos. Durmo nos quarenta minutos de intervalos para publicidade e acordo para o desfrute amoroso do nerd que sacou a gaja e se vingou dos outros palhaços que, indubitavelmente, acabaram na merda a recuperar num sanatório depois de experiências com drogas, ou a apanhar sabões numa cadeia manhosa com homossexuais agressivos. E custa-me que alguém acredite nisto como retrato da sociedade e acorde para uma segunda-feira de trabalho com o espectro dos seus sonhos a fazer-se suportável em nome de uma competitividade que exige o sacrifício dos mais fracos para encher a boca de pão aos filhos de quem os tem e pagar as aulas de karate, de canto, ballet ou os sonhos adiados de uma puta que os pariu e os projectou na sua descendência, como forma socialmente aceite de exorcizar tudo o que não experimentou e encher de glória os seus rebentos, em detrimento dos outros. Como se tudo fosse um fogo-de-artifício e toda a gente falasse no fim, dizendo: - “o meu filho estourou mais alto que o teu”.
Hoje ouvi uma mulher dizer, orgulhosamente, que trabalhava numa fábrica de armamento na América e disse mal do Bush, mas sem formalizar. Como se, por acaso, tivesse sido levada pelo Amistad e estivesse agora fazendo um trabalho escravo, que tem de ser feito, independentemente de quem o realiza; como se as balas que ela afina fizessem dela menos culpada só porque alguém ordenou o seu uso.
Ah, mas eu não! Eu não pactuo com essa miséria miserável. E se fosse possível ser ainda mais miserável, e andasse acontecendo pelas ruas com um copo de papel a pedir esmolas, teria razões menos suficientes para acabar comigo. Não acredito na paz! É só uma utopia como outra qualquer. Não acredito enquanto continuarem a laborar essas máquinas de administrar a morte; não acredito enquanto o Homem mantiver a necessidade apócrifa de espalhar a sua ideologia como se tudo o que existe tivesse de ser destruído para dar lugar a um pensamento maior; como se continuassem as cruzadas mas com um deus diferente, ou outro discurso mais plausível...
O nosso destino é estourarmo-nos uns aos outros e não estar cá para ver o respirar do cosmos depois da passa que ele nos deu ou nós lhe demos.
E termino com a resposta mais odiosa e ignorante que conheço: - “É assim!...”
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26 de ago. de 2009
Afago
Estar aqui e apenas aqui parece irrevogável...
O vento passa e afasta o corpo da penúria da morte,
um silêncio liquefeito personifica o medo,
embebido no balsamo purificador das paixões fugazes...
Da casa ao lado,
chega um som arrastado de duas mãos tocando piano.
Mão incansável . Espírito ausente.
Ouço ainda o comboio distante sem passageiros
e a chuva num retumbar continuo no telhado...
Tudo passa, o resto, o pouco, fica.
Esqueci o cheiro da terra.
Deixei de pertencer-lhe.
Ouço vozes que não a minha mas que nela se confundem,
em cada passo dado, antevejo a ausência de um encontro...
Deixo-me afagar pela descrença na fatídica razão.
O vento passa e afasta o corpo da penúria da morte,
um silêncio liquefeito personifica o medo,
embebido no balsamo purificador das paixões fugazes...
Da casa ao lado,
chega um som arrastado de duas mãos tocando piano.
Mão incansável . Espírito ausente.
Ouço ainda o comboio distante sem passageiros
e a chuva num retumbar continuo no telhado...
Tudo passa, o resto, o pouco, fica.
Esqueci o cheiro da terra.
Deixei de pertencer-lhe.
Ouço vozes que não a minha mas que nela se confundem,
em cada passo dado, antevejo a ausência de um encontro...
Deixo-me afagar pela descrença na fatídica razão.
MEMÓRIAS DE PAREDES DE COURA 2009 – A saga canta nua
Olá, meus pequenitos!
Estávamos todos muito ansiosos por este momento, não é verdade? Em bom rigor, não me lembro de tanta ansiedade acumulada desde os tempos do Buéreré em que, tanto pais como filhos, sugavam episódios inteiros de desenhados animados, na esperança de ver as cuecas à Ana Malhoa, quando ela cantava (e dançava) no intervalo dos macacos.
Entretanto, a cachopa desapareceu dos ecrãs e a miudagem ganhou buço e borbulhas; os pais voltaram-se para as minis e a realidade reinventou-se ébria, com episódios mais frequentes de violência na doméstica.
Os anos foram passando. Atravessamos a risca do milénio sem um fim de mundo maior que o dos anos anteriores e, já depois do advento dos Morangos com Açúcar, o fenómeno da ansiedade ganhou nova erecção: - uma publicação de índole erótica prometia escarrapachar a garota nas suas páginas, tal como veio ao mundo!
Rrrrrraaauuu!...
Num breve acesso de loucura, os cachopos ousaram depor a Cláudia Vieira do seu colo de fantasias e ficaram batendo píveas com o coração posto na meninice… comeram depois sandes, beberam sucos de fruta e repetiram-se inventados nos mistérios da masturbação, sem complacência para os milhões de espermatozóides afogados na sanita ou misericórdia para com o gatinho que deus mata por cada punheta.
Depois de muita espera, a revista lá chegou às bancas. Com a língua de fora, como os cães quando vêm de correr atrás dos gatos, a malta deteve-se naquele tufão de pernas que tudo parece redemoinhar. Mas, uma vez feito o scan até cima, a desilusão instalou-se, quase degenerando em motim. As maminhas, outrora pequeninas e lindas, fazendo lembrar os pudins Boca Doce (que dão vontade de lamber só pela textura), apareciam agora desenformadas como duas sandes de paio em pão de mistura com molho de silicone barato à travesti…
Desde então, só as minhas memórias de Paredes de Coura são verdadeiramente capazes de vos causar alguma ansiedade e excitação. Vosoutros machos, porém, estais proibidos de sentir o que quer que seja nas belas palavras provindas desta boca com 30 dentes. Caso contrário, obrigar-me-ei a molestar-vos e, Dios Mio, pelas almas tombadas na ponte do tralho, não espereis Alfinetes!
Feito o prólogo, passemos então ao hardcore…
Depois dos atrasos do costume, lá saímos do Marco de Canaveses com a viatura mais carregada do que a furgoneta de um cigano com contrafacção. Vimos uns gatinhos mortos pelo caminho (bem sabeis porque morreram!). Para contrariar o abalo nas nossas almas gentis, decidimos trautear umas cantigas, qual família cristã a caminho de Fátima. Da playlist constavam hits tão beatos como “subtilezas porno-populares” ou “esta vida oioai”, dos Ex-Votos. Um regalo de alto coturno, portanto…
Uma vez chegados a Ponte de Lima, fomos almoçar. Bebemos chá de gengibre e ficamo-nos pela comida vegetariana. Nada de rojões ou cerveja. As sobremesas, de origem macrobiótica, eram bastante ricas em ácidos gordos e Ómega 3. Deitamos abaixo mais duas ou três rodadas de chá na esplanada e rumamos a Paredes de Coura.
Uma vez feito o reconhecimento do espaço, optamos por descarregar os sacos pelas traseiras (uma opção recorrente e sempre muito válida, em todos os aspectos)!
Ao passar pelos chuveiros, não pude deixar de dar uma espreitadela. Estava carregado com sacos e mochilas. Logo, o facto de me apresentar naquele estabelecimento com a língua de fora, não causou estranheza de maior… embora um certo esgar e a desproporcionada assimetria das minhas feições levassem a crer que ali se encontrava um tarado da pior espécie.
Suguei fundo aqueles aromas como se estivesse no cume de um monte. Veio-me ao nariz um cheiro pestilento a Distrom e champô, carne mal passada e doenças vaginais. Grávido de inconformismo, abanei a cabeça e esbafori-me aos céus: - “Oh, meu Deus! Tanta inocência varrida por mãos inábeis! Está aqui um trabalho muito mal feito…”
Virei costas e fui de cabeça baixa montar tendas para junto dos outros. “Isto não é bom presságio”, pensei. Felizmente estava enganado! Mas isso agora são outros quinhentos! Por isso não percam o próximo capítulo porque, como dizia a minha velha avozinha, “enquanto tu cagas, netinho, o outro bebe-te as mines…”
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Estávamos todos muito ansiosos por este momento, não é verdade? Em bom rigor, não me lembro de tanta ansiedade acumulada desde os tempos do Buéreré em que, tanto pais como filhos, sugavam episódios inteiros de desenhados animados, na esperança de ver as cuecas à Ana Malhoa, quando ela cantava (e dançava) no intervalo dos macacos.
Entretanto, a cachopa desapareceu dos ecrãs e a miudagem ganhou buço e borbulhas; os pais voltaram-se para as minis e a realidade reinventou-se ébria, com episódios mais frequentes de violência na doméstica.
Os anos foram passando. Atravessamos a risca do milénio sem um fim de mundo maior que o dos anos anteriores e, já depois do advento dos Morangos com Açúcar, o fenómeno da ansiedade ganhou nova erecção: - uma publicação de índole erótica prometia escarrapachar a garota nas suas páginas, tal como veio ao mundo!
Rrrrrraaauuu!...
Num breve acesso de loucura, os cachopos ousaram depor a Cláudia Vieira do seu colo de fantasias e ficaram batendo píveas com o coração posto na meninice… comeram depois sandes, beberam sucos de fruta e repetiram-se inventados nos mistérios da masturbação, sem complacência para os milhões de espermatozóides afogados na sanita ou misericórdia para com o gatinho que deus mata por cada punheta.
Depois de muita espera, a revista lá chegou às bancas. Com a língua de fora, como os cães quando vêm de correr atrás dos gatos, a malta deteve-se naquele tufão de pernas que tudo parece redemoinhar. Mas, uma vez feito o scan até cima, a desilusão instalou-se, quase degenerando em motim. As maminhas, outrora pequeninas e lindas, fazendo lembrar os pudins Boca Doce (que dão vontade de lamber só pela textura), apareciam agora desenformadas como duas sandes de paio em pão de mistura com molho de silicone barato à travesti…
Desde então, só as minhas memórias de Paredes de Coura são verdadeiramente capazes de vos causar alguma ansiedade e excitação. Vosoutros machos, porém, estais proibidos de sentir o que quer que seja nas belas palavras provindas desta boca com 30 dentes. Caso contrário, obrigar-me-ei a molestar-vos e, Dios Mio, pelas almas tombadas na ponte do tralho, não espereis Alfinetes!
Feito o prólogo, passemos então ao hardcore…
Depois dos atrasos do costume, lá saímos do Marco de Canaveses com a viatura mais carregada do que a furgoneta de um cigano com contrafacção. Vimos uns gatinhos mortos pelo caminho (bem sabeis porque morreram!). Para contrariar o abalo nas nossas almas gentis, decidimos trautear umas cantigas, qual família cristã a caminho de Fátima. Da playlist constavam hits tão beatos como “subtilezas porno-populares” ou “esta vida oioai”, dos Ex-Votos. Um regalo de alto coturno, portanto…
Uma vez chegados a Ponte de Lima, fomos almoçar. Bebemos chá de gengibre e ficamo-nos pela comida vegetariana. Nada de rojões ou cerveja. As sobremesas, de origem macrobiótica, eram bastante ricas em ácidos gordos e Ómega 3. Deitamos abaixo mais duas ou três rodadas de chá na esplanada e rumamos a Paredes de Coura.
Uma vez feito o reconhecimento do espaço, optamos por descarregar os sacos pelas traseiras (uma opção recorrente e sempre muito válida, em todos os aspectos)!
Ao passar pelos chuveiros, não pude deixar de dar uma espreitadela. Estava carregado com sacos e mochilas. Logo, o facto de me apresentar naquele estabelecimento com a língua de fora, não causou estranheza de maior… embora um certo esgar e a desproporcionada assimetria das minhas feições levassem a crer que ali se encontrava um tarado da pior espécie.
Suguei fundo aqueles aromas como se estivesse no cume de um monte. Veio-me ao nariz um cheiro pestilento a Distrom e champô, carne mal passada e doenças vaginais. Grávido de inconformismo, abanei a cabeça e esbafori-me aos céus: - “Oh, meu Deus! Tanta inocência varrida por mãos inábeis! Está aqui um trabalho muito mal feito…”
Virei costas e fui de cabeça baixa montar tendas para junto dos outros. “Isto não é bom presságio”, pensei. Felizmente estava enganado! Mas isso agora são outros quinhentos! Por isso não percam o próximo capítulo porque, como dizia a minha velha avozinha, “enquanto tu cagas, netinho, o outro bebe-te as mines…”
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13 de ago. de 2009
12 de ago. de 2009
Os começos
Vivo de começos, de despertares já obsoletos pelo continuo acontecer.
O entusiasmo de um inicio, de um despontar de sensações adormecidas e sentenciadas como esquecidas é fugaz na continuidade da minha existência.
Como abarcar e purgar o todo incompleto e frágil de um começo?
O entusiasmo de um inicio, de um despontar de sensações adormecidas e sentenciadas como esquecidas é fugaz na continuidade da minha existência.
Como abarcar e purgar o todo incompleto e frágil de um começo?
Fornalha
Estou sentado ao computador a beber cerveja e a suar como um porco porque é verão e as noites são quentes como fornalhas. Mas não me sinto realizado. Como poderia? A poesia não vem e o relógio, que não uso no pulso, chupa-me horas à vida. Sinto-me como os cães lá fora, impotentes para dobrar os portões e desfazer os vadios que lhes vêm cheirar de longe o cio e/ou a gamela. Mas eu posso dobrar-me e o relógio de parede, inventado como uma crucificação parva ad eternum, a sorrir pendularmente, faz-me apertar o cieiro contra os dentes… dou um último gole na garrafa e atiro-lha vazia à cara. O relógio cai e fica a entoar estilhaços no chão, como um acidentado de motorizada. Eu levanto-me e chego-me para ele, com umas botas que guardo desde os anos noventa e, como um rancor de neo-nazi, chuto-o contra a parede. Arranco uma garrafa que serve à mão e saio porta fora, puxando o casaco de cabedal das costas de uma cadeira, indiferente ao barulho, com um baque vibrante de gongos e madeira a ecoar nas têmporas, noite fora, ou adentro…
Entro no carro e vem-me ao nariz um cheiro de couro lavado com spray de tablier. Dou à chave e, mal o motor ruge, meto a primeira e piso fundo no acelerador. Quase me fodo contra um poste e os vizinhos acordam. Levantam-se com ímpeto e vêm à janela para testemunhar uma miséria maior que as suas vidas, mas o acordo sai gorado. Vou já longe para a curiosidade alheia, deixando apenas um rasto de pneu queimado e o eco de um carro que passou sem morada, como a viscosidade de uma lesma sem nome…
Umas atrás doutras, as mudanças servem o meu propósito. Invento caminhos novos, sem auto comiseração para a extensão das minhas necessidades mecânicas e estaciono no ponto mais alto de Montedeiras. Amanhã não vou estar em lado nenhum e escusado será procurar-me. Basta-me a paisagem e este oxigénio para entender o resto dos meus defeitos.
E não me apetece gritar mais nada…
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Entro no carro e vem-me ao nariz um cheiro de couro lavado com spray de tablier. Dou à chave e, mal o motor ruge, meto a primeira e piso fundo no acelerador. Quase me fodo contra um poste e os vizinhos acordam. Levantam-se com ímpeto e vêm à janela para testemunhar uma miséria maior que as suas vidas, mas o acordo sai gorado. Vou já longe para a curiosidade alheia, deixando apenas um rasto de pneu queimado e o eco de um carro que passou sem morada, como a viscosidade de uma lesma sem nome…
Umas atrás doutras, as mudanças servem o meu propósito. Invento caminhos novos, sem auto comiseração para a extensão das minhas necessidades mecânicas e estaciono no ponto mais alto de Montedeiras. Amanhã não vou estar em lado nenhum e escusado será procurar-me. Basta-me a paisagem e este oxigénio para entender o resto dos meus defeitos.
E não me apetece gritar mais nada…
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9 de ago. de 2009
Marionetas ao serviço de Sua Majestade A Podridão
Cenário:Trincheiras almofadadas no sótão do inconsciente
Bombardeiam-se constante e ininterruptamente com gracejos avassaladores da condição humana. O denegrir da imagem do outro é usado para realçar a sua própria miséria não observada.
Simulações e dissimulações seguem-se a um ritmo cortante e destrutivo.
Ninguém sabe o que é mas sabendo-o ficam à margem de si mesmos. Todos procuram um alguém e pensam possui-lo como coisa sua. Um alguém objecto. O ciúme está patente nesta dança de acasalamento e a inveja é a sua fiel companheira.
Alguns julgam-se mais do que são e passam a sê-lo na realidade.... outros porém ficam na sombra a descolorar.
Sem opinião erguem-se os que afincadamente seguem os cabecilhas encapuçados aproximando-se do abismo do ridículo...
As coisas que o espectador sente.
Mutilam-se pensamentos, aspirações e desabafos sem a menor compaixão. Daí a necessidade de tudo o resto ser estranho.
Julgamo-nos detentores de verdades que pobres chacais farejam na parte do alheio de nós. Não podemos, não devemos confiar. Duvidar e questionar, as cordas que sustentam as Marionetas.
Bombardeiam-se constante e ininterruptamente com gracejos avassaladores da condição humana. O denegrir da imagem do outro é usado para realçar a sua própria miséria não observada.
Simulações e dissimulações seguem-se a um ritmo cortante e destrutivo.
Ninguém sabe o que é mas sabendo-o ficam à margem de si mesmos. Todos procuram um alguém e pensam possui-lo como coisa sua. Um alguém objecto. O ciúme está patente nesta dança de acasalamento e a inveja é a sua fiel companheira.
Alguns julgam-se mais do que são e passam a sê-lo na realidade.... outros porém ficam na sombra a descolorar.
Sem opinião erguem-se os que afincadamente seguem os cabecilhas encapuçados aproximando-se do abismo do ridículo...
As coisas que o espectador sente.
Mutilam-se pensamentos, aspirações e desabafos sem a menor compaixão. Daí a necessidade de tudo o resto ser estranho.
Julgamo-nos detentores de verdades que pobres chacais farejam na parte do alheio de nós. Não podemos, não devemos confiar. Duvidar e questionar, as cordas que sustentam as Marionetas.
4 de ago. de 2009
Brandos Curtumes
Uma sondagem recente veio demonstrar que os portugueses julgam haver uma justiça para os ricos e outra para os pobres. Quanto a mim, basta estar atento aos noticiários para se perceber porquê. De vez em quando, lá aparece uma manchete bombástica dedicada às celebridades políticas do costume. Os motivos também são quase sempre os mesmos: - suspeita de corrupção; licenciamentos de legalidade duvidosa; tráfico de influências; fuga aos impostos e contas em offshore; sinais exteriores de riqueza a parecer semáforos, etc., etc.
Este punhado de costumeiros faz sempre as suas entradas à saída dos tribunais, ora queixando-se de cabalas políticas ora questionando a legitimidade das acusações por parte do Ministério Público, escudando-se no apoio popular democraticamente expresso no resultado das últimas eleições. Uma indignação de meter pena, portanto!
Ora eu, que sou uma pessoa sensível e muito meiga, fico logo com um pingo de ranho no nariz, a soluçar impropérios contra as injustiças deste mundo obradas na dignidade das pessoas de bem. Outras vezes, dá-se-me para rir mas isso é porque também sou um bocado traquinas.
Agora mais a sério, e até porque já falei de políticos quanto baste, o motivo deste post não é condenar em praça pública quem tem de responder sazonalmente pela sua honra.
Convenhamos que estar alapado na cadeira do poder não é fácil. Primeiro, porque a maior parte delas são feitas em madeira de pau-santo. Eu tenho duas ou três no escritório e (acreditem!), o desconforto começa a sentir-se muito antes de se efectuar um login com sucesso! Em segundo lugar, passar a noite sentado nelas, numa sessão da Assembleia Municipal, ouvindo impropérios ou respondendo por mesquinhices sem fundamento, basta para arrepiar o testo a qualquer um… e todas as oposições sabem isso! Não deve ser nada fácil!
Ainda mais a sério, e em jeito de conclusão, interessa-me reparar e chamar a atenção para alguns detalhes, deixados sem provimento pelas artimanhas do populismo e do Marketing político, e por mim chutadas em jeito de questão:
- Onde mora a inocência de uma pessoa condenada a uma porrada de anos de prisão efectiva e que, depois de recorrer, sai em liberdade com uma pena de dois e três anos de pena suspensa?
- Em que vão de escada mora a Justiça quando a lei, que supostamente a advoga, num dia condena um ser humano a 15 anos de cadeia e, dias depois, com uma reprimenda moral, o deixa beber champanhe no conforto do lar, pago com a fome dos saqueados.
Em suma, que puta de régua é esta?
Sabei por mim, que sou de confiar, mas em jeito de segredo: - a Justiça já não habita em lugar nenhum. Ocupa o coração dos homens livres e fá-los carpir com a sua depressão.
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Este punhado de costumeiros faz sempre as suas entradas à saída dos tribunais, ora queixando-se de cabalas políticas ora questionando a legitimidade das acusações por parte do Ministério Público, escudando-se no apoio popular democraticamente expresso no resultado das últimas eleições. Uma indignação de meter pena, portanto!
Ora eu, que sou uma pessoa sensível e muito meiga, fico logo com um pingo de ranho no nariz, a soluçar impropérios contra as injustiças deste mundo obradas na dignidade das pessoas de bem. Outras vezes, dá-se-me para rir mas isso é porque também sou um bocado traquinas.
Agora mais a sério, e até porque já falei de políticos quanto baste, o motivo deste post não é condenar em praça pública quem tem de responder sazonalmente pela sua honra.
Convenhamos que estar alapado na cadeira do poder não é fácil. Primeiro, porque a maior parte delas são feitas em madeira de pau-santo. Eu tenho duas ou três no escritório e (acreditem!), o desconforto começa a sentir-se muito antes de se efectuar um login com sucesso! Em segundo lugar, passar a noite sentado nelas, numa sessão da Assembleia Municipal, ouvindo impropérios ou respondendo por mesquinhices sem fundamento, basta para arrepiar o testo a qualquer um… e todas as oposições sabem isso! Não deve ser nada fácil!
Ainda mais a sério, e em jeito de conclusão, interessa-me reparar e chamar a atenção para alguns detalhes, deixados sem provimento pelas artimanhas do populismo e do Marketing político, e por mim chutadas em jeito de questão:
- Onde mora a inocência de uma pessoa condenada a uma porrada de anos de prisão efectiva e que, depois de recorrer, sai em liberdade com uma pena de dois e três anos de pena suspensa?
- Em que vão de escada mora a Justiça quando a lei, que supostamente a advoga, num dia condena um ser humano a 15 anos de cadeia e, dias depois, com uma reprimenda moral, o deixa beber champanhe no conforto do lar, pago com a fome dos saqueados.
Em suma, que puta de régua é esta?
Sabei por mim, que sou de confiar, mas em jeito de segredo: - a Justiça já não habita em lugar nenhum. Ocupa o coração dos homens livres e fá-los carpir com a sua depressão.
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23 de jul. de 2009
MEMÓRIAS DE PAREDES DE COURA V – Capítulo Último
Olho para o pulso para ver quantas patadas amanda o meu Ozyviza e… Sacré Bleu! - Já passou quase um ano!
Vesti as calças a correr e, sem me lavar convenientemente, vim para aqui cumprir promessas mas… não me ocorre grande coisa. Vou cheirando os dedos enquanto penso no que tinha para vos contar. Não sei, não me lembro, algo me tolhe…
Encosto as unhas ao nariz, inspirando com mais força, e rapidamente percebo os motivos da minha amnésia. Um odor a sal grosso estava distraindo-me! Bem sabeis porquê…
Muitas senhoras têm vindo de Lisboa para me dar banho e coçar os meus costados com pedra-pomes. Sei bem o que elas querem: - que amnistie a veracidade das minhas memórias em detrimento do bom-nome dos seus filhos. Nunca! Os vossos filhos são uns drogados, - digo-vos eu que vi, com estes olhos que a terra há-de fazer cara feia quando os rilhar! E em avulsos pensamentos vos direi o que vi!
- Vi-os sem força nas cordas vocais para agradecer uma fêvera canibal que lhes pus com um garfo no molete aberto, para não morrerem de fome;
- Vi-os a comer bolachas que disseram saber a merda, sem que eu as tivesse sequer passado no terminal das minhas nádegas;
- Vi-os de cabeça baixa a apertar cacetes, quando a gaja dos The Sounds atirava as coxas para o ar, provocando erecções bastante satisfatórias;
Todos os conselhos que lhe haveis dirigido, abortaram no primeiro esticão. Sossegai, contudo, pois eles não foram os piores… só foram os outros a seguir.
O pior de todos foi um loiro. Não, não era o gajo que se apresentou ao “people” antes de encontrar o seu “spot”. Falo, como já deveis ter reparado, daquele frango com urticária que parecia vir de um festim de famintos; aquele anjo loiro de asas rachadas que grunhia dor num tom quase inaudível ao ouvido humano e que, tão sabiamente, Tónio Cuco baptizou de “Lambido pelo Diabo”, inaugurando o mito, testemunhado e abispado por Anatoly Zerka e por mim.
- O caldo verde no Punkalhoto soube-me a bacia de lavar louça com detergente e rodela de chouriço; a roulotte dos drogados junto à ponte serviu-me o pior prego da minha vida. Ele há bifes e bifes, mas o tranche de fêvera que me serviram, a fazer de prego num molete azedo, parecia trinchada dum porco enforcado acometido de suicídio com nojo de si mesmo. Depois fui ouvir poesia…
- Lembro-me de um ciganito que queria ser lambido nas sobrancelhas pelas transeuntes que passavam. Tónio Cuco engrossava a brincadeira, estimulando-as com promessas de felicidade e orgasmos intensos. O ciganito chegou a falar para a televisão, disfarçando a moca que deveras carregava. Portou-se bem, o Moço do Chapéu. Sslaaaaaaa!...
- Eu e o ciganito falamos com deus nas margens do rio Tabuão. Não com deus, - O criador, mas com dEUS, a banda. Queriam saber se as águas eram amenas (provavelmente para andar sobre elas sem resfriados nos pés). Imbuído de uma hospitalidade lusitana, o Moço do Chapéu explicou aos nórdicos: “assim que a água chega aos testículos, a dor é insuportável!”… eles sorriram de agradecimento e partiram!
Voltei a cheirar as unhas e perdi-me! Por isso vou passar para o último dia de borga. Rumamos a Ponte de Lima para uma almoçarada das boas. Único senão: - Uma terrível vontade de vandalizar a porcelana…
Por ordem de desespero, e enquanto o manjar não chegava, lá fomos, cada um na sua vez, agredir o estaminé.
Quando entrei no WC, um perfume celestial preveniu-me: - “A vida é tão bela! Porque não vais cagar a outro lado?”. A sanita, porém, olhando-me de soslaio, articulou a tampa como se de lábios virginais se tratassem, e com gulosos argumentos, disparou: - Ouve os teus intestinos. A Mãe-Natureza chama por ti. Porque não tapas o nariz e te sentas? Põe um bocado de papel nos meus lábios. Bem sabes que não tenho língua para me lambuzar. Vá, abeira-te de mim. Vem… vem!”
Oh! Volúpia de Faustos rendidos… que promessa de absolvição!
- “Vem, vamos fazer música…” – dizia a maldita, - e eu fui! Vandalizei-a, entontecidamente, com os olhos a cuspirem-se das órbitas…
Voltei depois à mesa, com as mãos bem lavadas, carregando na alma uma espécie de culpa que deve assistir ex-virgens suadas de arrependimento, a remoer uma inconstância cumprida... E Voilá! Cabidela… ou como diria Pessoa, no final do gigante Tabacaria, “o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança e o dono…” do restaurante sorriu…
Depois fomos à feira. Pegamos um touro para a fotografia e despejamos umas canecas geladas. Que ricas!
Depois viemos embora. Tristemente. A festa tinha acabado. Vale-nos a orgia do costume para suportar mais um ano…
PS: Paredes de Coura está aí à porta! O Beerfest foi um bom estágio. Nota-se que a malta está preparada. O rio Tabuão é o limite…
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Vesti as calças a correr e, sem me lavar convenientemente, vim para aqui cumprir promessas mas… não me ocorre grande coisa. Vou cheirando os dedos enquanto penso no que tinha para vos contar. Não sei, não me lembro, algo me tolhe…
Encosto as unhas ao nariz, inspirando com mais força, e rapidamente percebo os motivos da minha amnésia. Um odor a sal grosso estava distraindo-me! Bem sabeis porquê…
Muitas senhoras têm vindo de Lisboa para me dar banho e coçar os meus costados com pedra-pomes. Sei bem o que elas querem: - que amnistie a veracidade das minhas memórias em detrimento do bom-nome dos seus filhos. Nunca! Os vossos filhos são uns drogados, - digo-vos eu que vi, com estes olhos que a terra há-de fazer cara feia quando os rilhar! E em avulsos pensamentos vos direi o que vi!
- Vi-os sem força nas cordas vocais para agradecer uma fêvera canibal que lhes pus com um garfo no molete aberto, para não morrerem de fome;
- Vi-os a comer bolachas que disseram saber a merda, sem que eu as tivesse sequer passado no terminal das minhas nádegas;
- Vi-os de cabeça baixa a apertar cacetes, quando a gaja dos The Sounds atirava as coxas para o ar, provocando erecções bastante satisfatórias;
Todos os conselhos que lhe haveis dirigido, abortaram no primeiro esticão. Sossegai, contudo, pois eles não foram os piores… só foram os outros a seguir.
O pior de todos foi um loiro. Não, não era o gajo que se apresentou ao “people” antes de encontrar o seu “spot”. Falo, como já deveis ter reparado, daquele frango com urticária que parecia vir de um festim de famintos; aquele anjo loiro de asas rachadas que grunhia dor num tom quase inaudível ao ouvido humano e que, tão sabiamente, Tónio Cuco baptizou de “Lambido pelo Diabo”, inaugurando o mito, testemunhado e abispado por Anatoly Zerka e por mim.
- O caldo verde no Punkalhoto soube-me a bacia de lavar louça com detergente e rodela de chouriço; a roulotte dos drogados junto à ponte serviu-me o pior prego da minha vida. Ele há bifes e bifes, mas o tranche de fêvera que me serviram, a fazer de prego num molete azedo, parecia trinchada dum porco enforcado acometido de suicídio com nojo de si mesmo. Depois fui ouvir poesia…
- Lembro-me de um ciganito que queria ser lambido nas sobrancelhas pelas transeuntes que passavam. Tónio Cuco engrossava a brincadeira, estimulando-as com promessas de felicidade e orgasmos intensos. O ciganito chegou a falar para a televisão, disfarçando a moca que deveras carregava. Portou-se bem, o Moço do Chapéu. Sslaaaaaaa!...
- Eu e o ciganito falamos com deus nas margens do rio Tabuão. Não com deus, - O criador, mas com dEUS, a banda. Queriam saber se as águas eram amenas (provavelmente para andar sobre elas sem resfriados nos pés). Imbuído de uma hospitalidade lusitana, o Moço do Chapéu explicou aos nórdicos: “assim que a água chega aos testículos, a dor é insuportável!”… eles sorriram de agradecimento e partiram!
Voltei a cheirar as unhas e perdi-me! Por isso vou passar para o último dia de borga. Rumamos a Ponte de Lima para uma almoçarada das boas. Único senão: - Uma terrível vontade de vandalizar a porcelana…
Por ordem de desespero, e enquanto o manjar não chegava, lá fomos, cada um na sua vez, agredir o estaminé.
Quando entrei no WC, um perfume celestial preveniu-me: - “A vida é tão bela! Porque não vais cagar a outro lado?”. A sanita, porém, olhando-me de soslaio, articulou a tampa como se de lábios virginais se tratassem, e com gulosos argumentos, disparou: - Ouve os teus intestinos. A Mãe-Natureza chama por ti. Porque não tapas o nariz e te sentas? Põe um bocado de papel nos meus lábios. Bem sabes que não tenho língua para me lambuzar. Vá, abeira-te de mim. Vem… vem!”
Oh! Volúpia de Faustos rendidos… que promessa de absolvição!
- “Vem, vamos fazer música…” – dizia a maldita, - e eu fui! Vandalizei-a, entontecidamente, com os olhos a cuspirem-se das órbitas…
Voltei depois à mesa, com as mãos bem lavadas, carregando na alma uma espécie de culpa que deve assistir ex-virgens suadas de arrependimento, a remoer uma inconstância cumprida... E Voilá! Cabidela… ou como diria Pessoa, no final do gigante Tabacaria, “o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança e o dono…” do restaurante sorriu…
Depois fomos à feira. Pegamos um touro para a fotografia e despejamos umas canecas geladas. Que ricas!
Depois viemos embora. Tristemente. A festa tinha acabado. Vale-nos a orgia do costume para suportar mais um ano…
PS: Paredes de Coura está aí à porta! O Beerfest foi um bom estágio. Nota-se que a malta está preparada. O rio Tabuão é o limite…
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21 de jul. de 2009
Mata-Drógados, o Justiceiro da Noite
Por cada crime que cometo, há uma menina a cair no céu e um macaco a aparecer-me no sótão. Mais peludo entre os outros, com uma mancha ou uma marca distintiva qualquer. Outro? Mas isto é por acaso a Santa Casa da Misericórdia?
Suo durante a noite. Acordo para um desconforto de atleta que adormeceu de cansaço sem tirar o equipamento. Seco-me na camisa de véspera deixada ao acaso na cadeira ao lado da cama. Atiro-a depois ao chão, faço uma festa no cão que dorme comigo e deito-me para onde a sua respiração menos me incomode. Torno a acordar mais tarde com um ímpeto de testa franzida que os soporíferos não dobraram e acendo a luz do candeeiro para tomar notas, cruzar dados.
Eu,
Exímio apreciador de coxas e voyeur,
Sou um assassino.
Sei de cor a rotina dos drogados que resvalam, os nomes e alcunhas, os esquemas, o tamanho dos pés e o número que um dia foi o de contribuinte. Presenciei atrás de árvores os seus assaltos a moradias, fotografei crimes hediondos. Registei com perfeccionismo a criatividade, o ímpeto e o rigor na execução dos planos, assim como o discernimento e ligeireza de pensamento que os fez abortar missões de risco. A tudo isso dediquei (e venho dedicando) atenção.
Não sou suspeito. Não me perco em manobras de diversão muito elaboradas. A descrença faz de mim tão suspeito como o velhote das missas, a senhora da frutaria ou o gajo do banco. Se fosse apanhado, os vizinhos diriam que eu era uma pessoa perfeitamente normal, muito respeitador, que nada os faria crer-me na pele de um monstro.
A lei é fraca e os polícias são os primeiros a duvidar dela, fechando os olhos como aqueloutra figura vendada à porta dos tribunais, convidando à troçada cega. Ora, eu não tenho muita paciência para caricaturas. Gosto delas, são engraçadas e tal, ajudam-nos a perceber a realidade de uma forma desempoeirada, mas são um recurso rebuscado para se dizer o que se pensa, de forma a evitar camisas de força maiores. A lei não se atreve a punir os causadores de desconforto, por os considerar simultaneamente seres humanos e metamorfoses desresponsabilizadas resultantes de contextos específicos.
Ora, a mim não me pesa na consciência deixar um corpo abraçado às coxas pelo avesso no fundo de um poço, desde que não reaja à lanterna que lhe aponto por fim aos olhos, antes de me ir embora. Não me dói. Não choro pelo cadáver que inventei, tão-somente pela criança que um dia teve lágrimas e cresceu para descobrir um amor falhado.
Não sou a favor das prisões, mas também eu sou um resultado de contextos sociais e nessa forma me fiz Super-Herói em consciência…
E enquanto houver velhinhos agredidos e roubados, saltará ao caminho dos seringas o… Mata-Drógados!
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Suo durante a noite. Acordo para um desconforto de atleta que adormeceu de cansaço sem tirar o equipamento. Seco-me na camisa de véspera deixada ao acaso na cadeira ao lado da cama. Atiro-a depois ao chão, faço uma festa no cão que dorme comigo e deito-me para onde a sua respiração menos me incomode. Torno a acordar mais tarde com um ímpeto de testa franzida que os soporíferos não dobraram e acendo a luz do candeeiro para tomar notas, cruzar dados.
Eu,
Exímio apreciador de coxas e voyeur,
Sou um assassino.
Sei de cor a rotina dos drogados que resvalam, os nomes e alcunhas, os esquemas, o tamanho dos pés e o número que um dia foi o de contribuinte. Presenciei atrás de árvores os seus assaltos a moradias, fotografei crimes hediondos. Registei com perfeccionismo a criatividade, o ímpeto e o rigor na execução dos planos, assim como o discernimento e ligeireza de pensamento que os fez abortar missões de risco. A tudo isso dediquei (e venho dedicando) atenção.
Não sou suspeito. Não me perco em manobras de diversão muito elaboradas. A descrença faz de mim tão suspeito como o velhote das missas, a senhora da frutaria ou o gajo do banco. Se fosse apanhado, os vizinhos diriam que eu era uma pessoa perfeitamente normal, muito respeitador, que nada os faria crer-me na pele de um monstro.
A lei é fraca e os polícias são os primeiros a duvidar dela, fechando os olhos como aqueloutra figura vendada à porta dos tribunais, convidando à troçada cega. Ora, eu não tenho muita paciência para caricaturas. Gosto delas, são engraçadas e tal, ajudam-nos a perceber a realidade de uma forma desempoeirada, mas são um recurso rebuscado para se dizer o que se pensa, de forma a evitar camisas de força maiores. A lei não se atreve a punir os causadores de desconforto, por os considerar simultaneamente seres humanos e metamorfoses desresponsabilizadas resultantes de contextos específicos.
Ora, a mim não me pesa na consciência deixar um corpo abraçado às coxas pelo avesso no fundo de um poço, desde que não reaja à lanterna que lhe aponto por fim aos olhos, antes de me ir embora. Não me dói. Não choro pelo cadáver que inventei, tão-somente pela criança que um dia teve lágrimas e cresceu para descobrir um amor falhado.
Não sou a favor das prisões, mas também eu sou um resultado de contextos sociais e nessa forma me fiz Super-Herói em consciência…
E enquanto houver velhinhos agredidos e roubados, saltará ao caminho dos seringas o… Mata-Drógados!
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20 de jul. de 2009
Beerfest
A festa foi bonita, pá! E antes que me avilte noutro tipo de comentários, gostaria de mandar um grande abraço a todos os lambidos pelo diabo que tornaram possível o Beerfest. A minha gratidão é honesta e não se esgota numa formalidade de etiqueta ou num reconhecimento pela rama. Explicar-vos-ei os meus porquês…
A vida devia ser uma festa com toda a gente a participar. Na era do virtual, troca-se o jeito dos pés para dançar por um programa de televisão com pantufas; a companhia de uma mulher pela pornografia; a nossa vida pela dos outros, num voyeurismo fotografado; “o calor da festa pelo tédio em vigor”…
Num mundo que privilegia as parecenças às vivências, tudo soa a oferta mas, cedo ou tarde, lá chega uma factura para cobrir as despesas, e o dia-a-dia retoma o seu aluguer.
Mas há, pelo meio, pessoas com bom coração. Gente que se inventa na felicidade dos outros sem lhes vestir uma camisa de obrigações. Gente que se inventa nas minhas melhores memórias, sem nenhuma certeza de as poder levar para algum lado depois de morrer, mas que me enchem de existência.
Não é uma ode à cerveja! É antes uma vénia aos génios que inventam a arte do encontro e se entregam a ela com nobreza. Não por interesse, mas por condição!
Não deixemos a festa acabar. É cedo…
A todos vós, um forte e sincero Bem Hajam!
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A vida devia ser uma festa com toda a gente a participar. Na era do virtual, troca-se o jeito dos pés para dançar por um programa de televisão com pantufas; a companhia de uma mulher pela pornografia; a nossa vida pela dos outros, num voyeurismo fotografado; “o calor da festa pelo tédio em vigor”…
Num mundo que privilegia as parecenças às vivências, tudo soa a oferta mas, cedo ou tarde, lá chega uma factura para cobrir as despesas, e o dia-a-dia retoma o seu aluguer.
Mas há, pelo meio, pessoas com bom coração. Gente que se inventa na felicidade dos outros sem lhes vestir uma camisa de obrigações. Gente que se inventa nas minhas melhores memórias, sem nenhuma certeza de as poder levar para algum lado depois de morrer, mas que me enchem de existência.
Não é uma ode à cerveja! É antes uma vénia aos génios que inventam a arte do encontro e se entregam a ela com nobreza. Não por interesse, mas por condição!
Não deixemos a festa acabar. É cedo…
A todos vós, um forte e sincero Bem Hajam!
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16 de jul. de 2009
Melodias Trágico Irónicas 4
Será muito normal que um bombeiro ande constantemente a ouvir a musica "light my fire" dos The Doors?
Não é curioso que a canção preferida do carteiro seja "where the streets have no name" dos U2?
E uma mulher que se diz apaixonada e que ligue para a rádio local para o programa Discos Pedidos pedindo para passar "the widow" dos The Mars Volta, para dedicar ao seu amado marido, não é estranho?
Não é curioso que a canção preferida do carteiro seja "where the streets have no name" dos U2?
E uma mulher que se diz apaixonada e que ligue para a rádio local para o programa Discos Pedidos pedindo para passar "the widow" dos The Mars Volta, para dedicar ao seu amado marido, não é estranho?
15 de jul. de 2009
Novos Oportunismos
Há coisas realmente altruístas que, pelo facto de o serem, ninguém se atreve a esboroar-lhe a parvoíce, sob pena de ser considerado parvo. Falo, como já devem ter reparado, do programa Novas oportunidades que, tal como um Reality Show, entretém as pessoas por um canudo mas não ensina nada a ninguém.
Oh heresia! Coisa feia de se dizer! – Mas muito fácil de explicar!
O programa Novas Oportunidades serve para certificar conhecimentos e atribuir graus de instrução a pessoas que, pelos mais diversos (e mesmo nobres) motivos não puderam ir à escola. No entanto, ao longo da vida, essas mesmas pessoas acumularam conhecimentos suficientes para se equipararem (e mesmo suplantarem) às outras que lá andaram. Tomemos como exemplo os nossos pais. Grande parte deles nunca fez muito mais do que a 4.ª classe e, no entanto, só com muita arrogância é que não seríamos capazes de reconhecer o valor das suas vivências e experiências. Os sacrifícios por que passaram durante todos estes anos, inventou-os para a existência com um leque de conhecimentos muito mais vasto e transversal do que um canudo da universidade com uma folha de papel timbrado lá dentro. Como tal, é de uma injustiça atroz que essas pessoas não tenham a mesma igualdade de oportunidades que uma pessoa formada na universidade. É injusto que se pretira toda uma vida de trabalho e suor e se dê mais valor a um acéfalo que fez a escolinha toda a chupar sugus.
Ora, até aqui eu compreendo. O que eu não concebo é que a solução apresentada para combater esta descriminação seja dar diplomas a quem não os tem, ainda que tenha conhecimentos para isso.
Investem-se milhões para dar canudos em vez de formação. Ou seja, a lógica do canudo continua a vigorar. Continuar-se-á a dar valor a quem tem um canudo e não a quem acumulou uma vida de saberes. A linha é ténue, bem sei. Mas o que seria realmente importante e no que valeria a pena investir, seria na educação e na formação, combatendo, ao mesmo tempo a discriminação no acesso ao mercado de trabalho. Mas não. O título é que importa, o grau é que importa e quem quiser ser apreciado pelo valor que tem, obrigue-se a passar pelo esquema das Novas Oportunidades. E é se quer! Porque se for analfabeto e quiser ser jardineiro da Câmara Municipal, ainda que não tenha feito outra coisa na vida senão trabalhar no campo, vai ficar de fora por não ter o nono ano. Se ao menos lhe dessem a possibilidade de ser bom naquilo que é, e depois o ensinassem a ler e a escrever… talvez as Oportunidades merecessem considerar-se Novas. Mas por enquanto é mais do mesmo e muito dinheiro mal gasto…
Assim não vamos lá!
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Oh heresia! Coisa feia de se dizer! – Mas muito fácil de explicar!
O programa Novas Oportunidades serve para certificar conhecimentos e atribuir graus de instrução a pessoas que, pelos mais diversos (e mesmo nobres) motivos não puderam ir à escola. No entanto, ao longo da vida, essas mesmas pessoas acumularam conhecimentos suficientes para se equipararem (e mesmo suplantarem) às outras que lá andaram. Tomemos como exemplo os nossos pais. Grande parte deles nunca fez muito mais do que a 4.ª classe e, no entanto, só com muita arrogância é que não seríamos capazes de reconhecer o valor das suas vivências e experiências. Os sacrifícios por que passaram durante todos estes anos, inventou-os para a existência com um leque de conhecimentos muito mais vasto e transversal do que um canudo da universidade com uma folha de papel timbrado lá dentro. Como tal, é de uma injustiça atroz que essas pessoas não tenham a mesma igualdade de oportunidades que uma pessoa formada na universidade. É injusto que se pretira toda uma vida de trabalho e suor e se dê mais valor a um acéfalo que fez a escolinha toda a chupar sugus.
Ora, até aqui eu compreendo. O que eu não concebo é que a solução apresentada para combater esta descriminação seja dar diplomas a quem não os tem, ainda que tenha conhecimentos para isso.
Investem-se milhões para dar canudos em vez de formação. Ou seja, a lógica do canudo continua a vigorar. Continuar-se-á a dar valor a quem tem um canudo e não a quem acumulou uma vida de saberes. A linha é ténue, bem sei. Mas o que seria realmente importante e no que valeria a pena investir, seria na educação e na formação, combatendo, ao mesmo tempo a discriminação no acesso ao mercado de trabalho. Mas não. O título é que importa, o grau é que importa e quem quiser ser apreciado pelo valor que tem, obrigue-se a passar pelo esquema das Novas Oportunidades. E é se quer! Porque se for analfabeto e quiser ser jardineiro da Câmara Municipal, ainda que não tenha feito outra coisa na vida senão trabalhar no campo, vai ficar de fora por não ter o nono ano. Se ao menos lhe dessem a possibilidade de ser bom naquilo que é, e depois o ensinassem a ler e a escrever… talvez as Oportunidades merecessem considerar-se Novas. Mas por enquanto é mais do mesmo e muito dinheiro mal gasto…
Assim não vamos lá!
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8 de jul. de 2009
Conspiração com Bisnetos II
Tenho adiado a publicação deste segundo capítulo, não por preguiça ou falta de vontade, mas por dificuldade em balizar o que importa ser dito, sem perder o fio à meada ou deixar-me enovelar na emoção do discurso. É sempre assim! Quando falamos de temas capitais como a Política, a Religião ou Futebol, a métrica que vai de alhos a bugalhos pode ser tão densa como ténue. Como se para ir à raiz das coisas, tivéssemos sempre de entrar num labirinto de canalizações subterrâneas. Em suma, justifica-se nessa complexidade, tanto o meu atraso como a ideia de chamar Conspiração com Bisnetos a esta série de cartas.
Não sou anárquico! A Anarquia assemelha-se-me, muitas vezes, a uma casaca política da Teoria do Caos. Para os menos familiarizados com esta teoria, vou tentar explicá-la à minha maneira. Imagine-se por exemplo a cidade do Porto. Tem um espólio arquitectónico fabuloso, porém desordenado; tem edifícios lindíssimos, porém a cair aos bocados; ruas de uma riqueza histórica inexcedível, mas por onde é impossível passar de carro… Não defendo, obviamente, a destruição do património, muito pelo contrário! Imaginemos agora que um terramoto destruía a cidade do Porto. Morreria muita gente, choraríamos muito todas as perdas, tudo aquilo em que acreditávamos, blá blá, etc.
Finda a choradeira, teríamos de nos unir, pôr a trabalhar os bulldozers e lançar mãos à obra para limpar a merda toda e dar novo rumo às nossas vidas.
Surgiriam novas visões arquitectónicas com avenidas largas e ruas simétricas; os edifícios seriam independentes energeticamente e sem emissões de carbono; as linhas de metro e transportes públicos seriam mais rectilíneas, rápidas e eficientes; graças às novas tecnologias, poderia rapidamente tornar-se na cidade mais avançada e sustentável do mundo. Houvesse vontade e visão…
Isto não é Utopia. Lisboa, depois do terramoto de 1755 ganhou a preponderância necessária para se tornar na capital do país; no fim da II Guerra Mundial, a Alemanha era um país em ruínas, mas rapidamente se inventou como uma das mais preponderantes potências mundiais, assim como o Japão…
A Teoria do Caos é basicamente isto. Queiramos ou não, as catástrofes são, não raras vezes, revoluções sem encomenda.
Não tenhamos medo de encarar a verdade das palavras. Chamemos-lhe caos sem qualquer juízo de valor. Não vale a pena continuarmos em negação. O Capitalismo vem-nos ensinando a pôr de lado as palavras quando o significado delas engorda. Tudo é retórica para sossegar o espírito. O desemprego passou a chamar-se downsizing ou layout. Até soa a promoção…
Habituamo-nos a contornar a realidade e tornamo-nos escravos incapazes de pensar por nós mesmos. Gajos sem ética, mas com muito dinheiro e poder, inventaram-nos uma Educação orientada para o curral. Fizeram crer a toda a gente que era importante passarmos vinte anos na escola a aprender um ofício específico, descurando todos os outros. Findo o processo, e incapazes de garantir a nossa própria sobrevivência, eles aparecem com côdeas de broa para nos seleccionarem como gado, em função das “necessidades de mercado”, vulgo propósitos monetários. Ou seja, escolhem entre nós os mais aptos a cuidar de um determinado parafuso da engrenagem, premiando os que menos valores humanos demonstrem na persecução dos objectivos.
Sem sabermos plantar uma couve, lançar um fio de sediela com anzol ou sequer atirar chumbo numa perdiz, vamos engrossando o cortejo dos desempregados e dos amarradinhos, com a mão estendida…
Poderão dizer-me que posso sempre abrir o meu próprio negócio. Pois posso. E posso até admirar quem persegue a via-sacra para cumprir os seus sonhos empresariais. O mais provável é que o faça porque, pese a falta de modéstia, até me julgo com suficiente capacidade para vencer nele. Mas, pergunto-me, não será essa uma forma de entrar no sistema, de aceitá-lo como ele é, de engrossá-lo, de me permitir aos seus defeitos? Sem dúvida que sim e, pese agora o meu idealismo, também eu preciso de comer as minhas sopas. Mas isso são contas de outro rosário…
O que me interessa com esta missiva, não é fazer despontar em mim a forma de ser grande e sustentado neste sistema. Interessa-me, isso sim, desmascará-lo porque é falso e vendido; porque concentra o poder; porque nos educa para a subserviência; porque nos educa para o conflito; porque nos inebria os sonhos com ideais consumistas; porque nos vende como mercadoria; porque nos rouba o ar dos pulmões e infesta de veneno os rios; porque ensina o endividamento; porque permite entendimentos de lei diferentes para crimes iguais; porque persiste na guerra; porque é impossível acreditar na paz enquanto as fábricas de armas continuarem a laborar; porque põe placas de proibição em tudo o que dá prazer; porque é intolerante e ensina os putos na escola a desprezar o próximo só porque é mais feio ou gordo; porque destrói a natureza; porque retira poder à vida humana; porque faz a corrupção parecer normal; porque poupa os corvos e persegue as pombas; porque justifica todos os meios para se atingirem determinados fins e, acima de tudo, porque ensina uma infelicidade sem entendimento que conduz ao vício e ao adiamento das responsabilidades, à existência virtual; porque adia o amor e faz-nos desejar ser más pessoas para suportar a existência com algum conforto; porque temos de lutar contra tudo e contra todos para sermos felizes quando, no fundo, o que mais desejamos é ser amados.
E é contra esta merda toda que se impõe largar uma bomba de Cultura e começar do zero. E não, não é depositando todas as esperanças num governante a falar de ventura que se vai fazer a grande revolução…
Continua…
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Não sou anárquico! A Anarquia assemelha-se-me, muitas vezes, a uma casaca política da Teoria do Caos. Para os menos familiarizados com esta teoria, vou tentar explicá-la à minha maneira. Imagine-se por exemplo a cidade do Porto. Tem um espólio arquitectónico fabuloso, porém desordenado; tem edifícios lindíssimos, porém a cair aos bocados; ruas de uma riqueza histórica inexcedível, mas por onde é impossível passar de carro… Não defendo, obviamente, a destruição do património, muito pelo contrário! Imaginemos agora que um terramoto destruía a cidade do Porto. Morreria muita gente, choraríamos muito todas as perdas, tudo aquilo em que acreditávamos, blá blá, etc.
Finda a choradeira, teríamos de nos unir, pôr a trabalhar os bulldozers e lançar mãos à obra para limpar a merda toda e dar novo rumo às nossas vidas.
Surgiriam novas visões arquitectónicas com avenidas largas e ruas simétricas; os edifícios seriam independentes energeticamente e sem emissões de carbono; as linhas de metro e transportes públicos seriam mais rectilíneas, rápidas e eficientes; graças às novas tecnologias, poderia rapidamente tornar-se na cidade mais avançada e sustentável do mundo. Houvesse vontade e visão…
Isto não é Utopia. Lisboa, depois do terramoto de 1755 ganhou a preponderância necessária para se tornar na capital do país; no fim da II Guerra Mundial, a Alemanha era um país em ruínas, mas rapidamente se inventou como uma das mais preponderantes potências mundiais, assim como o Japão…
A Teoria do Caos é basicamente isto. Queiramos ou não, as catástrofes são, não raras vezes, revoluções sem encomenda.
Não tenhamos medo de encarar a verdade das palavras. Chamemos-lhe caos sem qualquer juízo de valor. Não vale a pena continuarmos em negação. O Capitalismo vem-nos ensinando a pôr de lado as palavras quando o significado delas engorda. Tudo é retórica para sossegar o espírito. O desemprego passou a chamar-se downsizing ou layout. Até soa a promoção…
Habituamo-nos a contornar a realidade e tornamo-nos escravos incapazes de pensar por nós mesmos. Gajos sem ética, mas com muito dinheiro e poder, inventaram-nos uma Educação orientada para o curral. Fizeram crer a toda a gente que era importante passarmos vinte anos na escola a aprender um ofício específico, descurando todos os outros. Findo o processo, e incapazes de garantir a nossa própria sobrevivência, eles aparecem com côdeas de broa para nos seleccionarem como gado, em função das “necessidades de mercado”, vulgo propósitos monetários. Ou seja, escolhem entre nós os mais aptos a cuidar de um determinado parafuso da engrenagem, premiando os que menos valores humanos demonstrem na persecução dos objectivos.
Sem sabermos plantar uma couve, lançar um fio de sediela com anzol ou sequer atirar chumbo numa perdiz, vamos engrossando o cortejo dos desempregados e dos amarradinhos, com a mão estendida…
Poderão dizer-me que posso sempre abrir o meu próprio negócio. Pois posso. E posso até admirar quem persegue a via-sacra para cumprir os seus sonhos empresariais. O mais provável é que o faça porque, pese a falta de modéstia, até me julgo com suficiente capacidade para vencer nele. Mas, pergunto-me, não será essa uma forma de entrar no sistema, de aceitá-lo como ele é, de engrossá-lo, de me permitir aos seus defeitos? Sem dúvida que sim e, pese agora o meu idealismo, também eu preciso de comer as minhas sopas. Mas isso são contas de outro rosário…
O que me interessa com esta missiva, não é fazer despontar em mim a forma de ser grande e sustentado neste sistema. Interessa-me, isso sim, desmascará-lo porque é falso e vendido; porque concentra o poder; porque nos educa para a subserviência; porque nos educa para o conflito; porque nos inebria os sonhos com ideais consumistas; porque nos vende como mercadoria; porque nos rouba o ar dos pulmões e infesta de veneno os rios; porque ensina o endividamento; porque permite entendimentos de lei diferentes para crimes iguais; porque persiste na guerra; porque é impossível acreditar na paz enquanto as fábricas de armas continuarem a laborar; porque põe placas de proibição em tudo o que dá prazer; porque é intolerante e ensina os putos na escola a desprezar o próximo só porque é mais feio ou gordo; porque destrói a natureza; porque retira poder à vida humana; porque faz a corrupção parecer normal; porque poupa os corvos e persegue as pombas; porque justifica todos os meios para se atingirem determinados fins e, acima de tudo, porque ensina uma infelicidade sem entendimento que conduz ao vício e ao adiamento das responsabilidades, à existência virtual; porque adia o amor e faz-nos desejar ser más pessoas para suportar a existência com algum conforto; porque temos de lutar contra tudo e contra todos para sermos felizes quando, no fundo, o que mais desejamos é ser amados.
E é contra esta merda toda que se impõe largar uma bomba de Cultura e começar do zero. E não, não é depositando todas as esperanças num governante a falar de ventura que se vai fazer a grande revolução…
Continua…
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7 de jul. de 2009
Obsessões
Olho-a quando passo por aquela vitrina situada na baixa da cidade.
Dia... Noite... Dia... Noite... Sol... Lua... Sol...
Olho-a quando passo a passo pela baixa da cidade.
Falo-lhe quando tenho tempo, não obtenho nenhuma resposta
Passo e falo-lhe, falo-lhe e passo - não obtenho nada
A mulher de quem falo, á qual falo e não obtenho nenhuma resposta é MUDA.
E um mudo fica rouco de tanto estar calado.
Dia... Noite... Dia... Noite... Sol... Lua... Sol...
É uma manequim muda, situada naquela vitrina da baixa da cidade,
É ela a quem falo e não obtenho nada,
A manequim calada e muda, a manequim...
Se é manequim e se é muda, então ser mudo está na moda?
Shiiiiiiiiiuuuuuuu!!
Dia... Noite... Dia... Noite... Sol... Lua... Sol...
Olho-a quando passo a passo pela baixa da cidade.
Falo-lhe quando tenho tempo, não obtenho nenhuma resposta
Passo e falo-lhe, falo-lhe e passo - não obtenho nada
A mulher de quem falo, á qual falo e não obtenho nenhuma resposta é MUDA.
E um mudo fica rouco de tanto estar calado.
Dia... Noite... Dia... Noite... Sol... Lua... Sol...
É uma manequim muda, situada naquela vitrina da baixa da cidade,
É ela a quem falo e não obtenho nada,
A manequim calada e muda, a manequim...
Se é manequim e se é muda, então ser mudo está na moda?
Shiiiiiiiiiuuuuuuu!!
Miminhos
Eu quero uma cesta de piquenique
E uma mota com side-car
A tombar de putas…
Eu quero um capacete com cornos de marfim,
Uns sapatos iguais aos do Papa
Ou os cornos dele no meu farolim.
Eu quero um Ayatolah talibã a lançar girândolas
E fogo de cana no meu funeral.
O Territory dos Sepultura na marcha-lenta
E um bando de grávidas a segurar na placenta.
Ser enterrado com um par de sapatilhas ardidas
E o ministro da Cultura em stockings servindo bebidas.
Ser estrangulado pelos paramentos do padre até me vir
E uma mentirosa a gritar que me viu sorrir.
Um canibal a trincar-me os dedos
E uma placa a dizer: - Morreu de nervos!
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E uma mota com side-car
A tombar de putas…
Eu quero um capacete com cornos de marfim,
Uns sapatos iguais aos do Papa
Ou os cornos dele no meu farolim.
Eu quero um Ayatolah talibã a lançar girândolas
E fogo de cana no meu funeral.
O Territory dos Sepultura na marcha-lenta
E um bando de grávidas a segurar na placenta.
Ser enterrado com um par de sapatilhas ardidas
E o ministro da Cultura em stockings servindo bebidas.
Ser estrangulado pelos paramentos do padre até me vir
E uma mentirosa a gritar que me viu sorrir.
Um canibal a trincar-me os dedos
E uma placa a dizer: - Morreu de nervos!
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Ode a um Capuccino Vermelho
Fiquei sem Net por uns instantes e, enquanto o Google se esgadanhava para abrir como uma virgem assustada, houve uma mosca que se deu ao desplante de parar no meio do ecrã branco a esfregar as patas de contente, metendo a cabeça entre elas como se ajeitasse o cabelo comprido ou coçasse piolhos. Só para me irritar. Apanhei-a num lanço e comi-a. Confesso que gosto mais de lagartas. Fico sempre com uma sensação de borboletas na barriga, como se estivesse apaixonado. Vem depois um Whisky de Mal a chover-lhes nas asas coloridas e o meu amor desbota. Dá para dormir mais descansado, ainda que sem antídoto ou remédio para as penas de corvo que me chegam à boca na metamorfose das manhãs.
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6 de jul. de 2009
Entro às nove
Entro às nove
Com uma convicção que tem de durar até às cinco.
Espero uma semana,
Adio um mês,
Para o ano é que vai ser!
Vinte anos de escola
A esculpir um analfabeto sem mão
Para arrancar da terra o próprio pão.
Ganha-se depois um rosto de tristeza ao fim do dia e do fundo
E um copo com duas doses bem servidas
Para anestesiar as certezas que se tinha do mundo.
Abro depois as gavetas onde me pus arrumado
E deito fora as memórias irrelevantes para o meu passado.
Livro-me do pó, escrevo post-hits com letra bonita
E vou levar o lixo para o caixote do mundo
Com um cheiro de armário lavado,
Outra vez engavetado.
Troco de religião
E vendo os serviços do que valho a um outro patrão.
Levo para abate a furgoneta dos sonhos
E passo a andar de camião.
Troco a mulher que me ganhou os filhos
E saio a viver por baixo de uma pensão
De alimentação.
Procuro depois amor na solidão de uma puta
Sem mais coração para outra luta.
Deixo para trás um resquício de esperma sem herança
E saio para o espaço vazio sem dizer “boa noite” ao segurança.
Sinto o chão nos pés caminhando até ao carro,
E arranco para lado nenhum a fumar um cigarro.
Incorporo uma música triste a passar na rádio
E atalho voando
Para uma serenidade sem lágrimas no lábio.
Os arbustos gritam no vidro por uma estrada inventada,
O carro salta
E eu fecho os olhos para uma surdez que troca tudo
Por nada.
Virão depois buscar-me os ouvidos cheios de sangue
E a carne acessória que o distribuía com disciplina.
Silêncio sem consciência…
Ficarei nas palavras que escrevi,
Na carne que me comeu,
Na memória dos outros onde vivi.
Passarão depois dez ou duzentos anos
E a sepultura que me tiver os ossos engavetados
Dará lugar a outros estropiados.
Não valerá de nada guardarem o que fui.
Tudo morre para o que pensa o tempo,
E tudo vale para quem se beija ao vento…
Viver é sorrir amor ao momento…
.
Com uma convicção que tem de durar até às cinco.
Espero uma semana,
Adio um mês,
Para o ano é que vai ser!
Vinte anos de escola
A esculpir um analfabeto sem mão
Para arrancar da terra o próprio pão.
Ganha-se depois um rosto de tristeza ao fim do dia e do fundo
E um copo com duas doses bem servidas
Para anestesiar as certezas que se tinha do mundo.
Abro depois as gavetas onde me pus arrumado
E deito fora as memórias irrelevantes para o meu passado.
Livro-me do pó, escrevo post-hits com letra bonita
E vou levar o lixo para o caixote do mundo
Com um cheiro de armário lavado,
Outra vez engavetado.
Troco de religião
E vendo os serviços do que valho a um outro patrão.
Levo para abate a furgoneta dos sonhos
E passo a andar de camião.
Troco a mulher que me ganhou os filhos
E saio a viver por baixo de uma pensão
De alimentação.
Procuro depois amor na solidão de uma puta
Sem mais coração para outra luta.
Deixo para trás um resquício de esperma sem herança
E saio para o espaço vazio sem dizer “boa noite” ao segurança.
Sinto o chão nos pés caminhando até ao carro,
E arranco para lado nenhum a fumar um cigarro.
Incorporo uma música triste a passar na rádio
E atalho voando
Para uma serenidade sem lágrimas no lábio.
Os arbustos gritam no vidro por uma estrada inventada,
O carro salta
E eu fecho os olhos para uma surdez que troca tudo
Por nada.
Virão depois buscar-me os ouvidos cheios de sangue
E a carne acessória que o distribuía com disciplina.
Silêncio sem consciência…
Ficarei nas palavras que escrevi,
Na carne que me comeu,
Na memória dos outros onde vivi.
Passarão depois dez ou duzentos anos
E a sepultura que me tiver os ossos engavetados
Dará lugar a outros estropiados.
Não valerá de nada guardarem o que fui.
Tudo morre para o que pensa o tempo,
E tudo vale para quem se beija ao vento…
Viver é sorrir amor ao momento…
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2 de jul. de 2009
A Grande Viagem
Ir nu,
Sem dinheiro ou passagem, sem férias
Ou banho de véspera.
Esgrimir de raiz uma viagem
Sem reserva de hotel ou estalagem;
Vir de Paris com um bordel atrelado,
Arrestar com tremoços a alma ao diabo.
Fundar as mãos num veio de mar
E virem de Lisboa Tágides me pentear;
Um fraque de algas costurado por cachalotes
E o Adamastor a cobrar-me os calotes.
Subir de muletas à lua por uma escada de vindima
E cair de costas num abismo que me redima;
Acordar num pântano salvo por crocodilos
E uma merenda de avelãs trazida por esquilos.
Tocar a rebate os sinos de um campanário
E provocar um motim de galinhas no aviário;
Ovular desejo nas mulheres que passam por mim,
Oferecer o Benfica a um travesti de Turim.
Fazer check in com um machado nas costas
E um braçado de bacalhau às postas;
Partir as janelas do avião para entrar ar,
Aterrá-lo em segurança para depois o incendiar.
A Poesia a tudo me permite
E a morte, para mim, assoa a sinusite!
Pensar o infinito pode soar imoral
Mas, tal como a lei, é legal!...
.
Sem dinheiro ou passagem, sem férias
Ou banho de véspera.
Esgrimir de raiz uma viagem
Sem reserva de hotel ou estalagem;
Vir de Paris com um bordel atrelado,
Arrestar com tremoços a alma ao diabo.
Fundar as mãos num veio de mar
E virem de Lisboa Tágides me pentear;
Um fraque de algas costurado por cachalotes
E o Adamastor a cobrar-me os calotes.
Subir de muletas à lua por uma escada de vindima
E cair de costas num abismo que me redima;
Acordar num pântano salvo por crocodilos
E uma merenda de avelãs trazida por esquilos.
Tocar a rebate os sinos de um campanário
E provocar um motim de galinhas no aviário;
Ovular desejo nas mulheres que passam por mim,
Oferecer o Benfica a um travesti de Turim.
Fazer check in com um machado nas costas
E um braçado de bacalhau às postas;
Partir as janelas do avião para entrar ar,
Aterrá-lo em segurança para depois o incendiar.
A Poesia a tudo me permite
E a morte, para mim, assoa a sinusite!
Pensar o infinito pode soar imoral
Mas, tal como a lei, é legal!...
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30 de jun. de 2009
Imperfecionista II
Não é fácil concordarmos. Se nos arriscássemos a uma definição pela rama, julgar-me-ias utópico e idealista, mimado, um talento desaproveitado (talvez). Sobre ti, arriscaria o epíteto de conservadora liberal. Que tens um emprego bem remunerado mensalmente, estável, e uma posição social com alguns privilégios…
Disposto assim o cenário, é possível que a balança da razão pese mais para o prato. Na verdade, se um de nós fosse o palhaço, seria eu. Tu serias o público em manada a sair do circo com um quarto de sorriso brie na boca e passos firmes em direcção ao estacionamento.
No espelho do bastidor, poupando na realidade por uma garrafa de cognac meia vazia, veria o meu rosto de sonho alegre desmaquilhar-se, com resquícios de algodão a prender-se na barba escanhoada sem esmero nem garantias de um amanhã com devir.
A caminho de casa tu irias trocando de emissora, talvez fumasses um cigarro para te ajudar a pensar nos deveres do dia seguinte e na melhor forma de vazar pilhas de papel sem provimento.
Reedificado homem, e depois de recolhidos às roulottes todos os artistas, eu voltaria ao silêncio da lona tricolor como um general em fato de treino, recolhendo no suor das tuas palmas uma glória invisível, vassourando a solidão…
Num gesto de perplexa humildade, inventando a tua presença, poria de lado a vassoura, e faria uma última vénia…
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Disposto assim o cenário, é possível que a balança da razão pese mais para o prato. Na verdade, se um de nós fosse o palhaço, seria eu. Tu serias o público em manada a sair do circo com um quarto de sorriso brie na boca e passos firmes em direcção ao estacionamento.
No espelho do bastidor, poupando na realidade por uma garrafa de cognac meia vazia, veria o meu rosto de sonho alegre desmaquilhar-se, com resquícios de algodão a prender-se na barba escanhoada sem esmero nem garantias de um amanhã com devir.
A caminho de casa tu irias trocando de emissora, talvez fumasses um cigarro para te ajudar a pensar nos deveres do dia seguinte e na melhor forma de vazar pilhas de papel sem provimento.
Reedificado homem, e depois de recolhidos às roulottes todos os artistas, eu voltaria ao silêncio da lona tricolor como um general em fato de treino, recolhendo no suor das tuas palmas uma glória invisível, vassourando a solidão…
Num gesto de perplexa humildade, inventando a tua presença, poria de lado a vassoura, e faria uma última vénia…
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29 de jun. de 2009
Manifesto de Mário Rôstes
Vote em Mário Rôstes,
Insista em Mário Rôstes.
Mário Rôstes a Presidente!
Autor do livro “Animais faz-me rir!”, vendeu a fábrica de semi-condutores e distribuiu o dinheiro pela criadagem. Está de volta para fazer a diferença e ingressou na política para mudar o mundo.
Mário Rôstes só não é saudável
De resto, é Impecável!
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Insista em Mário Rôstes.
Mário Rôstes a Presidente!
Autor do livro “Animais faz-me rir!”, vendeu a fábrica de semi-condutores e distribuiu o dinheiro pela criadagem. Está de volta para fazer a diferença e ingressou na política para mudar o mundo.
Mário Rôstes só não é saudável
De resto, é Impecável!
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Os cães
Os cães são reencarnações
Educadas para a subserviência da amizade.
Os cães aproximam-se da sua espécie
Em quatro patas.
Os cães não são atropelados.
Suicidam-se nas estradas.
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Educadas para a subserviência da amizade.
Os cães aproximam-se da sua espécie
Em quatro patas.
Os cães não são atropelados.
Suicidam-se nas estradas.
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Cervejário
Por isso eu tomo chope.
Que remédio! Sou um cliente do Woodrock
Moro numa carrinha da Super Bock
E ver passar a bebida
Faz-me sede
A sério!
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Que remédio! Sou um cliente do Woodrock
Moro numa carrinha da Super Bock
E ver passar a bebida
Faz-me sede
A sério!
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18 de jun. de 2009
Chute no marasmo
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Batei a todas as portas
Roubai-me às horas mortas,
O virtual é um mundinho pequeno
E lá fora o teatro é terreno.
Vou travar os vossos intentos
E estancar como o ir dos jumentos.
Mas vendei o que eu tiver para dizer,
O breu de fora vale mais que o meu querer.
Ainda que eu jure com força
Ou quiser salvar alguém da forca,
Os macacos no sótão podem esperar
Por mais um dia sem comida eu lhes levar.
Eu vou trincar o vidro das garrafas
Querendo abrir um postigo às girafas…
Vou exigir compor um mal preciso
E inventar um vão maior que o prejuízo.
“As nuvens parecem-me estranhas
E assobiam as minhas entranhas…
Não tarda nada e vai começar a chover,
Ide embora! Caiu-me mal o comer…”
Mas por mais que eu vos convença
De uma chamada a vir de Olivença…
Às malvas o fazer do meu pensar
Quem está, está! E quem não está, foi passear!
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Batei a todas as portas
Roubai-me às horas mortas,
O virtual é um mundinho pequeno
E lá fora o teatro é terreno.
Vou travar os vossos intentos
E estancar como o ir dos jumentos.
Mas vendei o que eu tiver para dizer,
O breu de fora vale mais que o meu querer.
Ainda que eu jure com força
Ou quiser salvar alguém da forca,
Os macacos no sótão podem esperar
Por mais um dia sem comida eu lhes levar.
Eu vou trincar o vidro das garrafas
Querendo abrir um postigo às girafas…
Vou exigir compor um mal preciso
E inventar um vão maior que o prejuízo.
“As nuvens parecem-me estranhas
E assobiam as minhas entranhas…
Não tarda nada e vai começar a chover,
Ide embora! Caiu-me mal o comer…”
Mas por mais que eu vos convença
De uma chamada a vir de Olivença…
Às malvas o fazer do meu pensar
Quem está, está! E quem não está, foi passear!
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16 de jun. de 2009
Diploma
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Terminei o curso mas nunca fui buscar o diploma.
Por alturas da cerimónia, estava a braços com um coma.
Não foram os shots na queima das fitas,
Mas os socos dos pais das rapariguitas…
Percebi da pior maneira
O quanto custa a um pai pagar um curso à filha rameira.
Trabalha-se muito para se ter aqueles calos nas mãos
E ganha-se força impondo à vontade muitos nãos.
As horas passam e a gente a pensar que os pais dormem.
Mas a indisciplina impõe tabefes com gritinhos.
Acordam os pais
E acordam a miar os gatinhos…
Dá sede acordar para o relincho dos pais inconformados.
Com a sela longe e os óculos mal pousados,
Pego no uísque que ficou à cabeceira
E vejo, por um fundo de garrafa, a vir para mim
O pai da rameira.
Exijo silêncio e grito shhhhhhiiu!
Amortalho-me com uma beira de edredão
E o uísque por biberão.
Dou duas chupadelas no que resta
E acordo no hospital de S. João
Com enfermeiras a dizer: - “este não presta!”
Eis a estória da minha formatura!
A das enfermeiras virá noutra altura…
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Terminei o curso mas nunca fui buscar o diploma.
Por alturas da cerimónia, estava a braços com um coma.
Não foram os shots na queima das fitas,
Mas os socos dos pais das rapariguitas…
Percebi da pior maneira
O quanto custa a um pai pagar um curso à filha rameira.
Trabalha-se muito para se ter aqueles calos nas mãos
E ganha-se força impondo à vontade muitos nãos.
As horas passam e a gente a pensar que os pais dormem.
Mas a indisciplina impõe tabefes com gritinhos.
Acordam os pais
E acordam a miar os gatinhos…
Dá sede acordar para o relincho dos pais inconformados.
Com a sela longe e os óculos mal pousados,
Pego no uísque que ficou à cabeceira
E vejo, por um fundo de garrafa, a vir para mim
O pai da rameira.
Exijo silêncio e grito shhhhhhiiu!
Amortalho-me com uma beira de edredão
E o uísque por biberão.
Dou duas chupadelas no que resta
E acordo no hospital de S. João
Com enfermeiras a dizer: - “este não presta!”
Eis a estória da minha formatura!
A das enfermeiras virá noutra altura…
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Música de se cantar a correr num passadão com sotaque brasileiro ou...
...Aventuras e desventuras de um Menino de Talho por terras de Vera Cruz.
(cante-se rapidamente e com sotaque, carregando na última sílaba antes dos hífens, quedando logo a seguir)
Eu dei uma saltada em copa-cabana
Pra bebê um chôpe com a irmã de uma tal de-Joana
Casada com um negão que era um sa-lafrário
Meteu na praia a mão no shorte que eu paguei com o meu pobre-salário.
Refrão
Eu pulei da areia puxando acima-o shorte
Joana riu com o susto que eu apanhei-de morte
Eu só queria fugir dali correndo pelo passadão-à toa
Mas a irmã, cunhada do negão era-tão boa…
Refrão
Fiquei um pouco mais para ver no-que dava
Mas o negão piscava o olho com a mão-fisgada.
Joana dava na irmã alheada passando creme-cotovelada
E eu a ver que aquela merda, merda nenhuma-mais dava…
Refrão
Pela calada, amandei uma joelhada à penca do-negão,
Pisei no silicone de Joana e agarrei a irmã pelo-bundão.
Meti fundo e à pressa o dedo grande em su-a racha
E saí correndo, correndo atrás de mim a-caixa baixa…
Refrão
Pela noite arrisquei ir no baile funk da-favela
Não estava lá o negão, Joana nem a ir-mã dela
Passei a noite assoprando cai-pirinha
E o puteiro todo assobiando prá minhá-cobrinha.
Refrão
Cumprido como Vasco da Gama voltei a Por-tugau
Esfregando creme para não apanhar doençá-no pau.
Fui postar foto do meu Brasiu-Good Vibe
E encontrei negão com penso me adicionando no-Hi-five…
PS: precisa-se Refrão…
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(cante-se rapidamente e com sotaque, carregando na última sílaba antes dos hífens, quedando logo a seguir)
Eu dei uma saltada em copa-cabana
Pra bebê um chôpe com a irmã de uma tal de-Joana
Casada com um negão que era um sa-lafrário
Meteu na praia a mão no shorte que eu paguei com o meu pobre-salário.
Refrão
Eu pulei da areia puxando acima-o shorte
Joana riu com o susto que eu apanhei-de morte
Eu só queria fugir dali correndo pelo passadão-à toa
Mas a irmã, cunhada do negão era-tão boa…
Refrão
Fiquei um pouco mais para ver no-que dava
Mas o negão piscava o olho com a mão-fisgada.
Joana dava na irmã alheada passando creme-cotovelada
E eu a ver que aquela merda, merda nenhuma-mais dava…
Refrão
Pela calada, amandei uma joelhada à penca do-negão,
Pisei no silicone de Joana e agarrei a irmã pelo-bundão.
Meti fundo e à pressa o dedo grande em su-a racha
E saí correndo, correndo atrás de mim a-caixa baixa…
Refrão
Pela noite arrisquei ir no baile funk da-favela
Não estava lá o negão, Joana nem a ir-mã dela
Passei a noite assoprando cai-pirinha
E o puteiro todo assobiando prá minhá-cobrinha.
Refrão
Cumprido como Vasco da Gama voltei a Por-tugau
Esfregando creme para não apanhar doençá-no pau.
Fui postar foto do meu Brasiu-Good Vibe
E encontrei negão com penso me adicionando no-Hi-five…
PS: precisa-se Refrão…
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14 de jun. de 2009
12 de jun. de 2009
...
A miúda loira sorriu para mim, exibindo-me os seus dentes podres dos excessos doces da vida. Viagens acrobáticas ao longo de uma corda a arder, estendida, esticada, abandonada no vertiginoso e escarpado precipício de suas diversas vidas esbanjadas.... ela sorriu-me estranhamente, com os lábios visivelmente tortos, sinal da sua incompleta alegria, como se uma parte de si mostrasse alguma tristeza e quisesse assinalar o facto, moldando a parte anti-sorridente de seus lábios em direcção á terra, ao chão ao esterco... De seu colo, pequeno, seco e mirrado emanava uma aura, um estigma, uma luz ofuscante em forma de estrela, semelhante á imagem de um santo pintado ao estilo kitsh por um Rafael, também, naif dos tempos modernos. A vanguarda renascentista, acompanhada por um folclóre com tendências retro. Das pernas maioritariamente destapadas, deliniadas e finas, visivelmente cansadas das acrobacias circenses praticadas em delirio estridente, escorria um liquido viscoso e altamente contagioso e nocivo a toda a morte que em si existia... era o liquido da vida, o fluido dum corpo masculino em delirio, em frenesi, em extase... Vi, nas suas mãos pequenas e sujas de sangue e terra, chagas do tamanho de diamantes, rubis ou ametistas... era a virgem da cruz, desflorada por um espirito santo encarnado no animal, na besta no pequeno homem que escapou para o museu de arte, onde se infiltrou num quadro surrealista da exposição...
3 de jun. de 2009
Todos somos esculturas!
Passo a vida nisto de escrever. A minha vida não é muito interessante. Durmo de manhã, trabalho à tarde e estrago-me em comunhão ao fim-de-semana. Pelo meio, faço umas refeições e despejo-me neste paletó rectangular, como se fosse um altar para onde se rezam novenas.
Não sei se deva considerá-los rituais, mas tenho hábitos geometricamente definidos. Não serão tão românticos como os de um Pessoa ou de um Eça que, entretanto valoraram graças à dimensão da sua escrita, não reconhecida a tempo de se lhes proporcionar uma existência mais ligeira e cómoda. O copo e o cinzeiro dispostos ao lado do portátil, a caixa de cigarrilhas com o isqueiro em cima, uma cadeira de palha feita pelos ciganos com upgrades de almofadas e o frigorífico atrás das costas, não vá esta merda debandar em terramoto e eu ficar sob os escombros longe das garrafas que não partiram.
E os génios, os grandes inventores da literatura universal? Que hábitos terão quando se abeiram do computador para escrever e não lhes ocorre nada? Será que bebem como eu ou fumam como eu fumo? Será que se levantam da cadeira em tronco nu para ir mijar? Gritarão silenciosamente a sua verdade ao mundo de modo a não acordar a mulher e os filhos que dormem?
Atentai: - Todos somos esculturas!
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Não sei se deva considerá-los rituais, mas tenho hábitos geometricamente definidos. Não serão tão românticos como os de um Pessoa ou de um Eça que, entretanto valoraram graças à dimensão da sua escrita, não reconhecida a tempo de se lhes proporcionar uma existência mais ligeira e cómoda. O copo e o cinzeiro dispostos ao lado do portátil, a caixa de cigarrilhas com o isqueiro em cima, uma cadeira de palha feita pelos ciganos com upgrades de almofadas e o frigorífico atrás das costas, não vá esta merda debandar em terramoto e eu ficar sob os escombros longe das garrafas que não partiram.
E os génios, os grandes inventores da literatura universal? Que hábitos terão quando se abeiram do computador para escrever e não lhes ocorre nada? Será que bebem como eu ou fumam como eu fumo? Será que se levantam da cadeira em tronco nu para ir mijar? Gritarão silenciosamente a sua verdade ao mundo de modo a não acordar a mulher e os filhos que dormem?
Atentai: - Todos somos esculturas!
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2 de jun. de 2009
Conspiração com Bisnetos
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Tenho, não raras vezes, acabado as noites de boémia a discutir matérias do foro da Ciência Política. Convém que assim o nomeie para que não se confunda o retrato com aqueloutro da politiquice. E tenho, quase sempre, dito o seguinte:
-“Estou a ficar cada vez mais anárquico!” mas, como o tempo e o palco nem sempre são os mais adequados à dissecação de temáticas tão profundas, e visto andar prometendo uma dissertação adequada sobre elas, decidi-me a não mais adiar este post.
Antes de mais, convém referir que não estou enrabichado com nenhum partido político. E a explicação é simples: - os partidos políticos tomam partidos! Como tal, enquanto os estivermos acreditando, vamos andar neste limbo de interesses que, ora pingam para a direita, ora pingam para a esquerda, dependendo de quem se ocupa da coutada dos poderes públicos.
A vida não está fácil para quem se recusa às cunhas, garanto-vos. Sou um sonhador, portanto. Cheio de sonhos como um qualquer adolescente, cujas lambadas da vida o vão tornando mais adulto e mais filho-da-puta.
Deste meu cantinho humilde e honesto estou, tão só e apenas, ideologicamente comprometido com a Verdade e com a Liberdade. Ora, o modelo anarquista defende afincadamente esses valores. Valores esses que rareiam, não só na sociedade portuguesa, mas também na generalidade das sociedades ocidentais. Dir-me-ão que não. Que há liberdade a mais e que os valores estão a perder-se, dando lugar a uma tremenda falta de respeito. Posso até concordar com a segunda parte da afirmação, mas a falta de respeito não resulta do excesso de liberdade mas sim da falta de educação. A Liberdade é um conceito demasiado vasto para se esgotar na conivência de um pai perante a parvoíce do filho que decidiu atirar garrafas de cerveja aos carros ou partir uma montra.
A convivência em sociedade sempre teve de lidar com ameaças à ordem estabelecida e obrigou-se a encontrar soluções para se refundar estruturalmente, de forma a tornar a convivência social mais serena, mas nem sempre mais justa e livre.
Nós somos apenas seres vivos. Somos, geneticamente, animais como todos os outros. Mas dispomos de características avançadas que nos permitem estar no topo da cadeia. Somos capazes de optar por não reagir animalmente, de não sermos violentos, de nos impormos um conjunto de regras capazes de tornar possível a nossa convivência. Somos capazes disso mas não o fazemos ou fazemo-lo erradamente. E, como tal, não só desmerecemos a nossa racionalidade, como deveríamos considerar-nos o mais reles e medíocre de todos os animais.
Rousseau defendia que a existência perfeita assentava numa relação de proximidade com a natureza. Ou seja, o ser humano, para ser perfeito, deveria viver em comunhão com a natureza. No entanto, e consciente das características inerentes à espécie, concluiu que o Homem se distanciou dela e se avizinhou dos seus pares com o intuito de se proteger. Porque tinha medo de morrer sozinho, de fome ou doença ou de outra coisa qualquer. O Homem uniu-se com medo da realidade envolvente e, ainda que não tenha formalizado teoricamente os seus motivos, a verdade é que o grémio não parou de crescer e, cedo se pôde comprovar, que o maior inimigo do Homem era o próprio Homem, com a sua sanha de poder, ambição e glória.
Não me interessa aqui fazer uma resenha histórica sobre a evolução das sociedades, tampouco desenovelar uma História carniceira que elevou mitos com bandeiras fundados sobre ossos e sangue de outra carne que não importa para a posteridade porque era fraca e, como ainda hoje repetimos acéfalamente, “dos fracos não reza a História”. Interessa-me, isso sim, tal como Rousseau, esmiuçar um conceito que ele avançou – O Contrato Social.
O Contrato Social é, basicamente, um conjunto de normas, direitos e deveres pelos quais se rege toda uma comunidade. Ou seja, um conjunto de leis, o mais unanimemente possíveis e passíveis de serem partilhadas por todos ou, se quiserem, uma ideologia comum. A isso chama-se Democracia. A palavra deriva do etímologo grego Demos (Povo) e do sufixo Cracia (Kpateía) que significa força ou poder. Nas palavras de Abraham Lincoln, “A Democracia é governo do povo, pelo povo e para o povo”. Eu entendo nelas uma intenção de dar voz à pretensão maioritária, ou seja, é a vontade da maioria que prevalece sobre todas as outras querenças.
Se a Democracia é o mais perfeito e acabado dos modelos, não sei. Por enquanto, parece-me o mais justo. Se vivemos em Democracia? Garanto-vos que não!
E sinto-me em condições de vos garantir que não, por duas razões:
- Em primeiro lugar, porque o Contrato Social deveria resumir-se a um resumido conjunto de normas que todos conhecêssemos e partilhássemos, de forma a erradicar qualquer tipo de violência entre a nossa espécie. Ao invés, o nosso Contrato Social é um magote de leis e merdinhas que permite aos ricos e poderosos um regime de impunidade, que em nada se assemelha ao propósito das maiorias.
- Em segundo lugar, e por razões que ainda não destrincei totalmente, mas sobre os quais me deterei em outras ocasiões, não me parece que os caminhos da Democracia e, principalmente, os da felicidade que todos desejamos, se persigam pelo abismo dos calmantes à noite ou em colheradas de antidepressivos para suportar os dias…
…Este post, definitivamente, não acaba aqui!
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Tenho, não raras vezes, acabado as noites de boémia a discutir matérias do foro da Ciência Política. Convém que assim o nomeie para que não se confunda o retrato com aqueloutro da politiquice. E tenho, quase sempre, dito o seguinte:
-“Estou a ficar cada vez mais anárquico!” mas, como o tempo e o palco nem sempre são os mais adequados à dissecação de temáticas tão profundas, e visto andar prometendo uma dissertação adequada sobre elas, decidi-me a não mais adiar este post.
Antes de mais, convém referir que não estou enrabichado com nenhum partido político. E a explicação é simples: - os partidos políticos tomam partidos! Como tal, enquanto os estivermos acreditando, vamos andar neste limbo de interesses que, ora pingam para a direita, ora pingam para a esquerda, dependendo de quem se ocupa da coutada dos poderes públicos.
A vida não está fácil para quem se recusa às cunhas, garanto-vos. Sou um sonhador, portanto. Cheio de sonhos como um qualquer adolescente, cujas lambadas da vida o vão tornando mais adulto e mais filho-da-puta.
Deste meu cantinho humilde e honesto estou, tão só e apenas, ideologicamente comprometido com a Verdade e com a Liberdade. Ora, o modelo anarquista defende afincadamente esses valores. Valores esses que rareiam, não só na sociedade portuguesa, mas também na generalidade das sociedades ocidentais. Dir-me-ão que não. Que há liberdade a mais e que os valores estão a perder-se, dando lugar a uma tremenda falta de respeito. Posso até concordar com a segunda parte da afirmação, mas a falta de respeito não resulta do excesso de liberdade mas sim da falta de educação. A Liberdade é um conceito demasiado vasto para se esgotar na conivência de um pai perante a parvoíce do filho que decidiu atirar garrafas de cerveja aos carros ou partir uma montra.
A convivência em sociedade sempre teve de lidar com ameaças à ordem estabelecida e obrigou-se a encontrar soluções para se refundar estruturalmente, de forma a tornar a convivência social mais serena, mas nem sempre mais justa e livre.
Nós somos apenas seres vivos. Somos, geneticamente, animais como todos os outros. Mas dispomos de características avançadas que nos permitem estar no topo da cadeia. Somos capazes de optar por não reagir animalmente, de não sermos violentos, de nos impormos um conjunto de regras capazes de tornar possível a nossa convivência. Somos capazes disso mas não o fazemos ou fazemo-lo erradamente. E, como tal, não só desmerecemos a nossa racionalidade, como deveríamos considerar-nos o mais reles e medíocre de todos os animais.
Rousseau defendia que a existência perfeita assentava numa relação de proximidade com a natureza. Ou seja, o ser humano, para ser perfeito, deveria viver em comunhão com a natureza. No entanto, e consciente das características inerentes à espécie, concluiu que o Homem se distanciou dela e se avizinhou dos seus pares com o intuito de se proteger. Porque tinha medo de morrer sozinho, de fome ou doença ou de outra coisa qualquer. O Homem uniu-se com medo da realidade envolvente e, ainda que não tenha formalizado teoricamente os seus motivos, a verdade é que o grémio não parou de crescer e, cedo se pôde comprovar, que o maior inimigo do Homem era o próprio Homem, com a sua sanha de poder, ambição e glória.
Não me interessa aqui fazer uma resenha histórica sobre a evolução das sociedades, tampouco desenovelar uma História carniceira que elevou mitos com bandeiras fundados sobre ossos e sangue de outra carne que não importa para a posteridade porque era fraca e, como ainda hoje repetimos acéfalamente, “dos fracos não reza a História”. Interessa-me, isso sim, tal como Rousseau, esmiuçar um conceito que ele avançou – O Contrato Social.
O Contrato Social é, basicamente, um conjunto de normas, direitos e deveres pelos quais se rege toda uma comunidade. Ou seja, um conjunto de leis, o mais unanimemente possíveis e passíveis de serem partilhadas por todos ou, se quiserem, uma ideologia comum. A isso chama-se Democracia. A palavra deriva do etímologo grego Demos (Povo) e do sufixo Cracia (Kpateía) que significa força ou poder. Nas palavras de Abraham Lincoln, “A Democracia é governo do povo, pelo povo e para o povo”. Eu entendo nelas uma intenção de dar voz à pretensão maioritária, ou seja, é a vontade da maioria que prevalece sobre todas as outras querenças.
Se a Democracia é o mais perfeito e acabado dos modelos, não sei. Por enquanto, parece-me o mais justo. Se vivemos em Democracia? Garanto-vos que não!
E sinto-me em condições de vos garantir que não, por duas razões:
- Em primeiro lugar, porque o Contrato Social deveria resumir-se a um resumido conjunto de normas que todos conhecêssemos e partilhássemos, de forma a erradicar qualquer tipo de violência entre a nossa espécie. Ao invés, o nosso Contrato Social é um magote de leis e merdinhas que permite aos ricos e poderosos um regime de impunidade, que em nada se assemelha ao propósito das maiorias.
- Em segundo lugar, e por razões que ainda não destrincei totalmente, mas sobre os quais me deterei em outras ocasiões, não me parece que os caminhos da Democracia e, principalmente, os da felicidade que todos desejamos, se persigam pelo abismo dos calmantes à noite ou em colheradas de antidepressivos para suportar os dias…
…Este post, definitivamente, não acaba aqui!
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30 de mai. de 2009
Movimento
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Tenho sido solicitado para fazer coisas em vez de só as referir. Não é que me importe muito com a visão que cada um tem do mundo, ainda que esse espectro tenha alguma validade. No entanto, correm rumores de que a próxima gerência municipal também tem uma visão do mundo…
Há por aí utopias que pretendem acabar com a diversão nocturna no Marco de Canaveses. E por muito vaga que possa parecer a ideia, todos sabemos que basta soltar a cadelice policial para que o famigerado propósito se cumpra.
Pelos vistos, para resolver a crise, não chega picar o boi de sol-a-sol durante toda semana. Não! Mal a malta começa a descomprimir duma semana de trabalho, chega a ASAE e/ou a polícia para acabar com a festa. No tempo do Salazar, apareciam montados a cavalo. Hoje, e porque vivemos em democracia (!), farejam-nos os cães. É caso para dizer:
- “Que se foda o melhor amigo do homem. O bacalhau é que é o fiel amigo!”
Sem eira nem beira, esta gentalha frustrada quer acabar com o divertimento da malta. Roubam-nos a casa e aparece-nos um polícia a perguntar o que aconteceu; saímos para jantar e beber um copo com os amigos e é vê-los em magotes para fechar o bar; pedimos a intervenção da polícia num acidente e eles respondem-nos que o jipe não está disponível, que vai demorar. E, no entanto, não faltam carros e “meio humanos” para cercar uma cidade às sextas e sábados à noite. Identificamos os criminosos e a polícia aconselha-nos a enfiar-lhes um enxerto de porrada…
A isto, caros senhores - chamo eu - deslocação de objectivos.
Pela minha parte, dispenso uma autoridade que serve só para passar multas.
Não se julgue, porém, que a polícia apareceu porque se lembrou de acabar com o barulho. Não. Estas práticas resultam de “aconselhamento camarário”. E, depois, bem podemos gastar todos os euros no telemóvel por altura das festas municipais, que a polícia não vai suspender o fogo-de-artifício ou o ruído do Tony Carreira…
Quanto a vós, não sei. Pela minha parte, não estou disposto a abdicar das minhas noitadas no Woodrock, no Red Box, no Jamaica, no Etc. e etecétera…
Estou disposto a encabeçar um movimento que espante esta passarada de frustrados que tentam acabar com a nossa diversão para nos empurrar para as suas festinhas de anho assado com arroz de forno ou às festas com melão do Castelinho, em que o líder espiritual se confunde com o presidente da Câmara.
Sou uma pessoa de paz mas não suporto atropelos à liberdade. Como diria Agostinho da Silva, “nascemos de graça e passamos o resto da vida a pagá-la”. E porquê? Porque alguém decidiu que nos devia proteger de nós mesmos, acabando por se proteger a si mesmo, mantendo-se no poder ou lutando para o atingir.
Estou em guerra. Não me interessa convencer-vos ou convocar-vos. Interessa-me apenas saber quantos de vós partilhais este propósito.
Estais comigo?
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Tenho sido solicitado para fazer coisas em vez de só as referir. Não é que me importe muito com a visão que cada um tem do mundo, ainda que esse espectro tenha alguma validade. No entanto, correm rumores de que a próxima gerência municipal também tem uma visão do mundo…
Há por aí utopias que pretendem acabar com a diversão nocturna no Marco de Canaveses. E por muito vaga que possa parecer a ideia, todos sabemos que basta soltar a cadelice policial para que o famigerado propósito se cumpra.
Pelos vistos, para resolver a crise, não chega picar o boi de sol-a-sol durante toda semana. Não! Mal a malta começa a descomprimir duma semana de trabalho, chega a ASAE e/ou a polícia para acabar com a festa. No tempo do Salazar, apareciam montados a cavalo. Hoje, e porque vivemos em democracia (!), farejam-nos os cães. É caso para dizer:
- “Que se foda o melhor amigo do homem. O bacalhau é que é o fiel amigo!”
Sem eira nem beira, esta gentalha frustrada quer acabar com o divertimento da malta. Roubam-nos a casa e aparece-nos um polícia a perguntar o que aconteceu; saímos para jantar e beber um copo com os amigos e é vê-los em magotes para fechar o bar; pedimos a intervenção da polícia num acidente e eles respondem-nos que o jipe não está disponível, que vai demorar. E, no entanto, não faltam carros e “meio humanos” para cercar uma cidade às sextas e sábados à noite. Identificamos os criminosos e a polícia aconselha-nos a enfiar-lhes um enxerto de porrada…
A isto, caros senhores - chamo eu - deslocação de objectivos.
Pela minha parte, dispenso uma autoridade que serve só para passar multas.
Não se julgue, porém, que a polícia apareceu porque se lembrou de acabar com o barulho. Não. Estas práticas resultam de “aconselhamento camarário”. E, depois, bem podemos gastar todos os euros no telemóvel por altura das festas municipais, que a polícia não vai suspender o fogo-de-artifício ou o ruído do Tony Carreira…
Quanto a vós, não sei. Pela minha parte, não estou disposto a abdicar das minhas noitadas no Woodrock, no Red Box, no Jamaica, no Etc. e etecétera…
Estou disposto a encabeçar um movimento que espante esta passarada de frustrados que tentam acabar com a nossa diversão para nos empurrar para as suas festinhas de anho assado com arroz de forno ou às festas com melão do Castelinho, em que o líder espiritual se confunde com o presidente da Câmara.
Sou uma pessoa de paz mas não suporto atropelos à liberdade. Como diria Agostinho da Silva, “nascemos de graça e passamos o resto da vida a pagá-la”. E porquê? Porque alguém decidiu que nos devia proteger de nós mesmos, acabando por se proteger a si mesmo, mantendo-se no poder ou lutando para o atingir.
Estou em guerra. Não me interessa convencer-vos ou convocar-vos. Interessa-me apenas saber quantos de vós partilhais este propósito.
Estais comigo?
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28 de mai. de 2009
25 de mai. de 2009
Ensaio sobre a Sociedade
Um certo senhor, dotado duma escrita maravilhosa, fê-la um dia cega. Descreveu-a sobre um dos maiores dos seus castigos e fez uma alegoria com o contra-senso de talvez não ser necessária a privaçao da visão para já sermos realmente cegos.
Ora eu diria ainda mais, somos cegos sim, mas também somos estúpidos que nem um tamanco esculpido por um sapateiro punheteiro.
Vivemos numa era em que a tecnologia reina, e quem dela sober retirar proveito, poderá ver a sua vida muita facilitada (daí roubos e falcatruas electronicas existirem desde o inicio da mesma), mas isto também veio criar um novo tipo de personalidades. Uma espécie demora muitos anos a evoluír e adaptar-se (ler "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life") no entanto Darwin não contava com a personalidade intrínseca do Ser Humano ao escrever este magnifico livro. Esta sim, evolui em pouquíssimo tempo, e quando digo evolui quero dizer "altera", "muda", "adapta-se", todo um rol de termos que explicam que o Ser Humano se APROVEITA do que lhe é dado. E o que foi dado nesta era tecnologica? A hipotese de ser jornalista, crítico, historiador, matemático, escritor, cientista, biólogo, letrista, músico, etc, etc, etc... Um sem fim de profissões e saberes, que num momento real da vida duma pessoa teria de ser comprovado com um diploma ou atestado superior, mas que nesta era se resume a assinar por "Anonimo". Depois disso, já posso dizer o que quiser, quando quiser, contra ou a favor de quem quiser. Não se lhe deve dar atenção, pois claro que não, mas estou farto de ignorar borrifanas deste género. Estou farto de ser acusado, mal-tratado, muitas vezes na minha própria "casa" por pessoas que no mínimo da ignorância, não sabem escrever o próprio nome.
Muito já terá sido dito e escrito sobre este tema, e sei muito bem que as eleições não se ganham por um voto, mas está um tempo maravilhoso para atirar um balde de água fria.
Poderei um ser criticado pelo mesmo? Não estarei eu a fazer o mesmo ao assinar como "Moço do Chapéu"? Não.. Este sou eu mesmo, o Sr. Mal conheço eu muito bem, e confirmo todos os seus ditos. Tónio Cuco é sem dúvida uma personagem única. E todos encontramos aqui uma mesa para as nossas comezainas e deprovações, não permitindo esta nossa pública partilha de estórias e saber, que alguém chegue e derrame o nosso vinho.
Deixemos de ser cegos, e deixemos de nos acanhar com as livres declarações de estupidez que nos são passadas sem fundamento algum, só para não nos "rebaixarmos". Rebaixar-me-ei sempre que necessário para mostrar quem sou, olhando olhos nos olhos, de quem me põe em dúvida.
Mais uma vez, tenho dito.
Ora eu diria ainda mais, somos cegos sim, mas também somos estúpidos que nem um tamanco esculpido por um sapateiro punheteiro.
Vivemos numa era em que a tecnologia reina, e quem dela sober retirar proveito, poderá ver a sua vida muita facilitada (daí roubos e falcatruas electronicas existirem desde o inicio da mesma), mas isto também veio criar um novo tipo de personalidades. Uma espécie demora muitos anos a evoluír e adaptar-se (ler "On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life") no entanto Darwin não contava com a personalidade intrínseca do Ser Humano ao escrever este magnifico livro. Esta sim, evolui em pouquíssimo tempo, e quando digo evolui quero dizer "altera", "muda", "adapta-se", todo um rol de termos que explicam que o Ser Humano se APROVEITA do que lhe é dado. E o que foi dado nesta era tecnologica? A hipotese de ser jornalista, crítico, historiador, matemático, escritor, cientista, biólogo, letrista, músico, etc, etc, etc... Um sem fim de profissões e saberes, que num momento real da vida duma pessoa teria de ser comprovado com um diploma ou atestado superior, mas que nesta era se resume a assinar por "Anonimo". Depois disso, já posso dizer o que quiser, quando quiser, contra ou a favor de quem quiser. Não se lhe deve dar atenção, pois claro que não, mas estou farto de ignorar borrifanas deste género. Estou farto de ser acusado, mal-tratado, muitas vezes na minha própria "casa" por pessoas que no mínimo da ignorância, não sabem escrever o próprio nome.
Muito já terá sido dito e escrito sobre este tema, e sei muito bem que as eleições não se ganham por um voto, mas está um tempo maravilhoso para atirar um balde de água fria.
Poderei um ser criticado pelo mesmo? Não estarei eu a fazer o mesmo ao assinar como "Moço do Chapéu"? Não.. Este sou eu mesmo, o Sr. Mal conheço eu muito bem, e confirmo todos os seus ditos. Tónio Cuco é sem dúvida uma personagem única. E todos encontramos aqui uma mesa para as nossas comezainas e deprovações, não permitindo esta nossa pública partilha de estórias e saber, que alguém chegue e derrame o nosso vinho.
Deixemos de ser cegos, e deixemos de nos acanhar com as livres declarações de estupidez que nos são passadas sem fundamento algum, só para não nos "rebaixarmos". Rebaixar-me-ei sempre que necessário para mostrar quem sou, olhando olhos nos olhos, de quem me põe em dúvida.
Mais uma vez, tenho dito.
O Imperfeccionista
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Aqui cheira às minhas entranhas e ao meu pus. A minha presença empesta o ar como um quarto de doença, com lenços usados e copos de vidro vazios na mesinha de cabeceira; uma colher de ter comido sobremesa ou diluído barbitúricos.
A luz é frouxa neste prostíbulo mal arejado e vós continuais vindo para assistir ao espectáculo das minhas misérias circences, pagando ad eternum por um bilhete com data vencida. Circo velho que foi ficando e viu morrer, de coração e vício, os palhaços que conduziam as carrinhas. O trapézio ganhou ferrugem e uma chiadeira que se ouve quando venta. Só as aranhas se aventuram agora nele, em coreografias já vistas, mas com um trabalho sincero e sem rede que faz sonhar um casal de trapezistas reformados. A humidade instalou-se nos nossos ossos e em largas poças sobre a tenda de lona que, durante o dia, tentamos salvar empurrando a água por dentro com uma vassoura; os módulos de madeira rangem como as escadas de uma casa abandonada, ameaçando colapsar; a atenção do público divide-se entre a nossa encenação e o espectáculo dos pingos de chuva nas bacias, espalhadas um pouco por toda a parte.
Neste circo de velhos saltimbancos, só o freak show maturou.
Eu, Sr. Mal, serei o vosso anfitrião para esta noite! - Aristocrata maldito caído em desgraça. Nos galões descosidos do meu casaco, há uma nobreza que rasteja transbordante. Flor-de-lis entre ervas daninhas que crescem como pêlos nas orelhas.
Dizem que maltrato as pessoas com o meu feitio; que faço discursos filosóficos cortantes às empregadas que vêm fazer meios-dias e me empestam a morada com um cheiro desumano a lixívia.
Ando branco como o engolidor de espadas que, dias antes de morrer, abismava a plateia tragando o vidro das nossas lâmpadas fundidas.
Não vos prometo cá estar no próximo inverno mas enquanto o arco sob as costelas demandar pão e vinho, deverei andar por aí, entretendo-nos.
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Aqui cheira às minhas entranhas e ao meu pus. A minha presença empesta o ar como um quarto de doença, com lenços usados e copos de vidro vazios na mesinha de cabeceira; uma colher de ter comido sobremesa ou diluído barbitúricos.
A luz é frouxa neste prostíbulo mal arejado e vós continuais vindo para assistir ao espectáculo das minhas misérias circences, pagando ad eternum por um bilhete com data vencida. Circo velho que foi ficando e viu morrer, de coração e vício, os palhaços que conduziam as carrinhas. O trapézio ganhou ferrugem e uma chiadeira que se ouve quando venta. Só as aranhas se aventuram agora nele, em coreografias já vistas, mas com um trabalho sincero e sem rede que faz sonhar um casal de trapezistas reformados. A humidade instalou-se nos nossos ossos e em largas poças sobre a tenda de lona que, durante o dia, tentamos salvar empurrando a água por dentro com uma vassoura; os módulos de madeira rangem como as escadas de uma casa abandonada, ameaçando colapsar; a atenção do público divide-se entre a nossa encenação e o espectáculo dos pingos de chuva nas bacias, espalhadas um pouco por toda a parte.
Neste circo de velhos saltimbancos, só o freak show maturou.
Eu, Sr. Mal, serei o vosso anfitrião para esta noite! - Aristocrata maldito caído em desgraça. Nos galões descosidos do meu casaco, há uma nobreza que rasteja transbordante. Flor-de-lis entre ervas daninhas que crescem como pêlos nas orelhas.
Dizem que maltrato as pessoas com o meu feitio; que faço discursos filosóficos cortantes às empregadas que vêm fazer meios-dias e me empestam a morada com um cheiro desumano a lixívia.
Ando branco como o engolidor de espadas que, dias antes de morrer, abismava a plateia tragando o vidro das nossas lâmpadas fundidas.
Não vos prometo cá estar no próximo inverno mas enquanto o arco sob as costelas demandar pão e vinho, deverei andar por aí, entretendo-nos.
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23 de mai. de 2009
Morri-vos
Morri-vos, escrevo das profundezas, no purgatório decidi, desço, Deus é demasiado justo, com o Diabo viverei como sempre vivi, na injustiça.
A sagrada escritura, Jó 26:6, antecipou-se a este dia:
O inferno está nu perante ele, e não há coberta para a perdição.
Morri-vos, como uma vaidosa borboleta sucumbi aos pés de um eco-sistema adverso após breves dias, vivi com a corajem de um inconsciente selvagem, morri por profundas facadas no meu ego, morri atingido por coisas em que não acredito, morri por ignorância alheia, pior, morri por intolerância, nada sei, é verdade, mas sei o que me magoa e incomoda, a censura incomoda-me e magoa-me a falta de tolerância de pessoas para quem as artérias são meros tubos que permitem o funcionamento do coração a frio, nas minhas, o sangue corre quente, tenho a capacidade de viver com paixão, sei que sou um biltre e que não interesso a mais ninguém que não os meus amigos, para mim chega, amo essa corja, eles ocupam o meu tempo e pensamentos, não tenho a necessidade de criticar, perseguir, insultar debaixo de um capote de falsa moralidade a sociedade que desconheço, não tenho tempo para isso, estou morto!
Mudei, não para os meus amigos, sei que me amam, mas mudei para os outros, tornei-me no mais novo dos hipócritas, sinto-me desterrado das minhas ideias, mas com a certeza que estaria pronto para acolher no meu âmago a mais estúpida criatura!
Fui lambido pelo Diabo, não há salvação para mim...
Espero-vos impolutos!
A sagrada escritura, Jó 26:6, antecipou-se a este dia:
O inferno está nu perante ele, e não há coberta para a perdição.
Morri-vos, como uma vaidosa borboleta sucumbi aos pés de um eco-sistema adverso após breves dias, vivi com a corajem de um inconsciente selvagem, morri por profundas facadas no meu ego, morri atingido por coisas em que não acredito, morri por ignorância alheia, pior, morri por intolerância, nada sei, é verdade, mas sei o que me magoa e incomoda, a censura incomoda-me e magoa-me a falta de tolerância de pessoas para quem as artérias são meros tubos que permitem o funcionamento do coração a frio, nas minhas, o sangue corre quente, tenho a capacidade de viver com paixão, sei que sou um biltre e que não interesso a mais ninguém que não os meus amigos, para mim chega, amo essa corja, eles ocupam o meu tempo e pensamentos, não tenho a necessidade de criticar, perseguir, insultar debaixo de um capote de falsa moralidade a sociedade que desconheço, não tenho tempo para isso, estou morto!
Mudei, não para os meus amigos, sei que me amam, mas mudei para os outros, tornei-me no mais novo dos hipócritas, sinto-me desterrado das minhas ideias, mas com a certeza que estaria pronto para acolher no meu âmago a mais estúpida criatura!
Fui lambido pelo Diabo, não há salvação para mim...
Espero-vos impolutos!
Tónio Cuco - o finado
Na qualidade de compincha e amigo de Tónio Cuco, pediram-me que dissesse algumas palavras em sua memória:
Tónio Cuco era um homem que prezava a fornicação. Dedicou-se com solicitude aos caprichos de uma carne em vinha-d’alhos que lhe não dava descanso. Mas, longe de ser um homem egoísta, Tónio Cuco amou-a, mimou-a e condenou a sua existência para que ela se cumprisse, namoradeira. Ofertou-se como uma chave de ouro sempre pronta a desaferrolhar grilhões alheios e, imbuído a dar uso aos dons com que foi molestado pela natureza, cumpriu-se.
Ele foi a verdadeira antítese da privação e, ainda que lhe possa ter pesado o fardo de arejar regaços várias vezes ao dia, Tónio Cuco não vacilou.
Confessou-me não ser um homem de palavras, mas de actos. Pensar demasiado – dizia – dá-me sede!
À sua maneira, foi nobre e não desperdiçou talentos. Nesta latrina a que chamamos sociedade, Tónio Cuco mijou como um cão nas valetas e amorteceu as suas virtudes no álcool, como um génio literário novecentista, cujo abraço era demasiado grande para abarcar uma realidade de enguias mais pequena do que ele. Tónio Cuco era, na verdadeira acepção da palavra, um fornicador e, como tal, capaz de estar ainda dando horas ao desejo na madeira do caixão.
Levante-se do lazúli caixotão
Ou de lá diga de sua justiça
Aquele cujo tesão
Não se comprometa com esta missa.
Tónio Cuco
A libertinagem canta-te.
Tónio Cuco… ALEVANTA-TE!
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Tónio Cuco era um homem que prezava a fornicação. Dedicou-se com solicitude aos caprichos de uma carne em vinha-d’alhos que lhe não dava descanso. Mas, longe de ser um homem egoísta, Tónio Cuco amou-a, mimou-a e condenou a sua existência para que ela se cumprisse, namoradeira. Ofertou-se como uma chave de ouro sempre pronta a desaferrolhar grilhões alheios e, imbuído a dar uso aos dons com que foi molestado pela natureza, cumpriu-se.
Ele foi a verdadeira antítese da privação e, ainda que lhe possa ter pesado o fardo de arejar regaços várias vezes ao dia, Tónio Cuco não vacilou.
Confessou-me não ser um homem de palavras, mas de actos. Pensar demasiado – dizia – dá-me sede!
À sua maneira, foi nobre e não desperdiçou talentos. Nesta latrina a que chamamos sociedade, Tónio Cuco mijou como um cão nas valetas e amorteceu as suas virtudes no álcool, como um génio literário novecentista, cujo abraço era demasiado grande para abarcar uma realidade de enguias mais pequena do que ele. Tónio Cuco era, na verdadeira acepção da palavra, um fornicador e, como tal, capaz de estar ainda dando horas ao desejo na madeira do caixão.
Levante-se do lazúli caixotão
Ou de lá diga de sua justiça
Aquele cujo tesão
Não se comprometa com esta missa.
Tónio Cuco
A libertinagem canta-te.
Tónio Cuco… ALEVANTA-TE!
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21 de mai. de 2009
O que é o Cabaret des Morts? - I Capítulo
É uma boa pergunta. Já definição do que é um cabaré não me interessa tanto. Um dicionário razoável pode dar-nos essa explicação. O que cada um acha que é ou deve ser um cabaré, interessa-me tanto como as dioptrias da irmã Lúcia. No entanto, não é pelo facto de uma máquina de rebites responder pelo nome de máquina que se lhe devam atribuir as características de uma máquina registadora, ou vice-versa. De igual modo, o conceito Cabaret des Morts não se esgota na definição de cabaré.
O blog é o ponto de partida de um conceito com propósitos mais elevados. Tornou-se, entretanto, e perdoem-me o egoísmo, uma espécie de sótão para pensamentos e memórias, um recanto de caixotes guardando o enxoval para um casamento que pode não vir.
O desígnio a que me propus é utópico e quase tão difícil de balizar como de concretizar. Mas ilumina-me os sonhos com o seu néon decadente e eu pernoito debaixo dele como um mendigo esfomeado, com um punhado de cêntimos no bolso, nas traseiras de uma padaria que tarda em abrir.
The Last Pit Before a Suicide…
Uma farmácia para enfermos da verdade, um teatro de bastidores sem tempos para a representação, oficina de montar a animalidade onde ela é devida e a cultura onde ela é precisa.
Mas, entretanto, faça-se a boda...
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O blog é o ponto de partida de um conceito com propósitos mais elevados. Tornou-se, entretanto, e perdoem-me o egoísmo, uma espécie de sótão para pensamentos e memórias, um recanto de caixotes guardando o enxoval para um casamento que pode não vir.
O desígnio a que me propus é utópico e quase tão difícil de balizar como de concretizar. Mas ilumina-me os sonhos com o seu néon decadente e eu pernoito debaixo dele como um mendigo esfomeado, com um punhado de cêntimos no bolso, nas traseiras de uma padaria que tarda em abrir.
The Last Pit Before a Suicide…
Uma farmácia para enfermos da verdade, um teatro de bastidores sem tempos para a representação, oficina de montar a animalidade onde ela é devida e a cultura onde ela é precisa.
Mas, entretanto, faça-se a boda...
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19 de mai. de 2009
Tempo perdido
Aos palanques sobem os enforcados, os vendedores da banha de cobra, os políticos em campanha eleitoral e os artistas de variedades nas festas de província. Logo, eu não subo a porra nenhuma para me fazer ouvir. Não preciso e, se precisasse, não seria para me defender de atoardas de pipa aberta.
Mais nível, senhores! Isto é um Cabaré e não um puteiro onde se vendam sandes.
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Mais nível, senhores! Isto é um Cabaré e não um puteiro onde se vendam sandes.
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18 de mai. de 2009
Melodias Trágico Irónicas 3
Um condenado a 5 anos de prisão por furto, viu a sua pena ser reduzida para metade depois da sua advogada provar que este padecia de cleptomania. A defensora constatou esse facto depois de descobrir que o arguido passava horas a ouvir a musica "Steal My Kisses" de Ben Harper and the Innocent Criminals.
Por outro lado, a advogada no seu Ipod, ouvia incessantemente "...And Justice For All" dos Metallica.
Por outro lado, a advogada no seu Ipod, ouvia incessantemente "...And Justice For All" dos Metallica.
14 de mai. de 2009
O Sentido da Vida
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ESTOU A MORRER! Não se trata de um mero exercício de retórica. Estou mesmo a morrer! Mais dia, menos dia, mais ano ou menos ano, mais década (eh lá! – viva o optimismo!) ou menos década, vou-me. E vós também. Não adianta negá-lo. O único sentido da vida é a morte. Pelo menos é para lá que ela caminha. Ainda que se troque de rins ou se ponha um par de mamas novas, vamos todos morrer.
Agora que estamos todos elucidados com este reconfortante pensamento, sentemo-nos à mesa. Depois de comer e beber, acendamos o tabaco. Um a um, despejemos sobre a mesa os despojos do assalto que fizemos à vida, como se estivéssemos perante o criador a prestar contas. Vamos supor que Ele existe e ordenou uma pausa para balanço, como se a nossa vida fosse um jogo de futebol com intervalo.
Devo lembrar-vos que a vida não tem intervalo. Ela não pára de perseguir esse instinto de morte. E, por isso, proponho-vos este exercício para discutirmos novas tácticas para combater um universo sem complacências para os nossos elevados desejos. Se nós, os grânulos de pó celeste, não formos capazes de reinventar o cosmos com nova Lei, resta-nos pensar no que pode fazer a nossa bela equipa de gorduchos e esqueléticos amadores perante o 0-15 com que vamos começar a segunda parte.
Quanto a mim, podermos jogar contra as Leis do Universo United já é uma grande honra. Logo, resta-nos pouco mais que levar mais 15 em cima, tal como os nossos antepassados, que julgaram poder vencê-la e morreram de abafo, ou doentes, atropelados em passadeiras, incendiados em casa, engasgados com ossos de frango, entalados na construção civil, de cirrose, afogados, intoxicados a limpar fossas, esmagados por tractores de vindima, caídos dos trapézios, mordidos por animais, assassinados, violados, de fome, de sede, caídos em buracos, torturados por raptores até à morte, roubados para tráfico de órgãos, vendidos pela pátria à guerra, baleados em manifestações, em atentados terroristas, esmagados contra as grades em concertos de música, de hipotermia, de intoxicação alimentar, de pneumonia ou gripe, de coma alcoólico, de overdose, de porrada à saída de uma discoteca, acidente de (a)viação, de exaustão, paragem cardíaca, sida, cancro, doenças em geral, de catástrofe natural, sepultados em minas, caídos de pontes e de pontes caídas, por inalação de gases tóxicos, acidentes de trabalho em geral, a desmontar bombas, comendo cogumelos venenosos, infectados por mijo de ratos, fulminados pela trovoada e pelo Viagra, como escudos humanos, por uma causa qualquer, por uma mulher, por um filho, porque alguém não aguentou mais e disparou bem sem olhar a quem, por ter uma arma, de solidão, de velhice, de medo, de loucura, de tanto sentir… de outro grandes Etecéteras…
E vai começar a segunda parte das nossas vidas. A primeira parte durou 45 minutos o que, traduzido em linguagem cósmica, equivale a 45 anos. A maior parte de nós não conseguirá chegar aos 90. Possivelmente o jogo acabará sem que nenhum de nós chegue ao período de descontos e, mesmo assim, para quê? Não há mercado de transferências para nonagenários. Esqueçamos o futebol. A vida não é um jogo e, se o fosse, seria uma espécie de solitário sem solução possível.
Como diria esse grande JP Simões no final do desabafo 1970 – “O que vamos fazer?”
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ESTOU A MORRER! Não se trata de um mero exercício de retórica. Estou mesmo a morrer! Mais dia, menos dia, mais ano ou menos ano, mais década (eh lá! – viva o optimismo!) ou menos década, vou-me. E vós também. Não adianta negá-lo. O único sentido da vida é a morte. Pelo menos é para lá que ela caminha. Ainda que se troque de rins ou se ponha um par de mamas novas, vamos todos morrer.
Agora que estamos todos elucidados com este reconfortante pensamento, sentemo-nos à mesa. Depois de comer e beber, acendamos o tabaco. Um a um, despejemos sobre a mesa os despojos do assalto que fizemos à vida, como se estivéssemos perante o criador a prestar contas. Vamos supor que Ele existe e ordenou uma pausa para balanço, como se a nossa vida fosse um jogo de futebol com intervalo.
Devo lembrar-vos que a vida não tem intervalo. Ela não pára de perseguir esse instinto de morte. E, por isso, proponho-vos este exercício para discutirmos novas tácticas para combater um universo sem complacências para os nossos elevados desejos. Se nós, os grânulos de pó celeste, não formos capazes de reinventar o cosmos com nova Lei, resta-nos pensar no que pode fazer a nossa bela equipa de gorduchos e esqueléticos amadores perante o 0-15 com que vamos começar a segunda parte.
Quanto a mim, podermos jogar contra as Leis do Universo United já é uma grande honra. Logo, resta-nos pouco mais que levar mais 15 em cima, tal como os nossos antepassados, que julgaram poder vencê-la e morreram de abafo, ou doentes, atropelados em passadeiras, incendiados em casa, engasgados com ossos de frango, entalados na construção civil, de cirrose, afogados, intoxicados a limpar fossas, esmagados por tractores de vindima, caídos dos trapézios, mordidos por animais, assassinados, violados, de fome, de sede, caídos em buracos, torturados por raptores até à morte, roubados para tráfico de órgãos, vendidos pela pátria à guerra, baleados em manifestações, em atentados terroristas, esmagados contra as grades em concertos de música, de hipotermia, de intoxicação alimentar, de pneumonia ou gripe, de coma alcoólico, de overdose, de porrada à saída de uma discoteca, acidente de (a)viação, de exaustão, paragem cardíaca, sida, cancro, doenças em geral, de catástrofe natural, sepultados em minas, caídos de pontes e de pontes caídas, por inalação de gases tóxicos, acidentes de trabalho em geral, a desmontar bombas, comendo cogumelos venenosos, infectados por mijo de ratos, fulminados pela trovoada e pelo Viagra, como escudos humanos, por uma causa qualquer, por uma mulher, por um filho, porque alguém não aguentou mais e disparou bem sem olhar a quem, por ter uma arma, de solidão, de velhice, de medo, de loucura, de tanto sentir… de outro grandes Etecéteras…
E vai começar a segunda parte das nossas vidas. A primeira parte durou 45 minutos o que, traduzido em linguagem cósmica, equivale a 45 anos. A maior parte de nós não conseguirá chegar aos 90. Possivelmente o jogo acabará sem que nenhum de nós chegue ao período de descontos e, mesmo assim, para quê? Não há mercado de transferências para nonagenários. Esqueçamos o futebol. A vida não é um jogo e, se o fosse, seria uma espécie de solitário sem solução possível.
Como diria esse grande JP Simões no final do desabafo 1970 – “O que vamos fazer?”
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7 de mai. de 2009
MEMÓRIAS DE PAREDES DE COURA III
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“Não há duas sem três” – essa bela frase que tanto pode servir para dar mais uma como para pedir outra…
Neste momento, enquanto dormem os belos corpos em fim de orgia, dou um jeito às pernas, coço a barba e acendo um cigarro despenteado. Resgato o uísque de uma alcova de pernas cruzadas e bebo do seu gargalo salgado. Disponho o laptop num belo costado sem hérnias, demasiado cansado para acordar e que, não sendo de macho, deve ser de uma rapariga muito peludita e má. Esperem lá… já sei quem é! É má, sim senhor.
Deixo cair, inadvertidamente, uma unha de cinza neste agremiado de carnes octópodes em que me encontro (octopussy) e logo ele se ondula como se afastasse com os tentáculos uma mosca vareja.
Tudo repousa, como no fim das batalhas, mas em lona vermelha, e ocorre-me falar-vos de Paredes de Coura. Bela festa!
No dia seguinte aqueloutro, choveu pela madrugada e manhã, dissipando no rio Tabuão as provas de um assassínio hediondo sobre o qual não me pronunciarei até que apareçam os corpos das vítimas (espero que ainda amarradas e adornadas com os instrumentos na nossa criatividade). Depois de um banho revigorante, que serviu para arrancar das unhas restos de pele e sangue ressequido, eu e o Anatoly Zerka deambulamos pela Vila à procura de impermeáveis baratos. Na ressaca de tão voluptuosa maldade que nos fazia ranger os dentes, vislumbramos aquela que, nitidamente, seria a versão punk de D. Quixote, mas sem o seu fiel escudeiro. Se um Sancho houve, terá deixado alforges e largado o burro, correndo sem olhar para trás. Quais Moinhos? A visão deste gigante assemelhava-se a um hospital abandonado com ratos encavalitados nos caixotes, roendo gaze empapada de sangue, num bouquet com seringas infectadas… Depois fomos comer.
Pedimos uns petiscos que estavam bastante bons e só o vislumbre de uma divindade de vestido branco me arrancou os olhos dos pires de moelas. Apesar de quase ter sofrido um esquentamento mental não deixei de dar uso ao faqueiro que esmagava violentamente côdeas de broa. Boa, boa, boa!!!
De seguida, fomos receber em procissão os nossos condiscípulos que não puderam estar presentes no deboche da noite anterior. Seríamos seus guias até ao acampamento. Entre abraços, soou um baque de cisne que só as rolhas de cortiça conseguem imitar quando se apartam do gargalo de garrafas tintas…
Nesse momento precioso de divino simbolismo, refundamos a nossa fé e entregamo-nos a um renovado cardápio de hercúleos esforços e consequente perda de faculdades.
Juntamo-nos ao resto da malta e, sem jantar, fomos para o recinto inaugurar depravações…
No capítulo dos concertos, a coisa esteve composta. As bandas portuguesas Ex-Wife e Bunnyranch portaram-se muito bem. Não me lembro bem qual deles (acham que foram as divorciadas) nos brindaram com a presença em palco da Raquel Ralha, dos Wraygun, mas gostei bastante. Aquele coxão é um espectáculo e se ela me pegasse pela mão e dissesse “anda!”, eu ia. Ah pois com certeza que ia!
Bellrays foi excelente. Não conhecia a banda nem a vocalista. Tufão de senhora, coxa grossa, poderosa. Uma Tina Turner com acrescentos de soul. Que grande concerto! Quase nem fui buscar baldes de cerveja…
Tive medo que ela me pegasse na mão e dissesse “anda”, pois já estava arranjado para a Raquel.
Os Sex Pistols foram engraçados, tentando disfarçar o tesão que já não têm. Pediram vinho rasca só para chafurdar o palco com bisgas venenosas. O Jony Roto (para amigos) ainda mantém uma expressão de puto reguila e aquela boca torta com o maxilar superior lançado para a frente como se fosse espetar com viço os dentes num pão com chouriço.
Quando um punk conseguiu transpor a barreira de segurança e subir ao palco (não se sabe muito bem se era para lhe partir os cornos ou lhe oferecer um botão de rosa), foi imediatamente abatido pelos snippers do cabedal. O Jony limitou-se a aconselhar o público: - “DO NOT DO THAT! THIS IS MAAA STAGE! RESPECT!”
Bom, a partir daqui, fui emborcar baldes de cerveja. Quando um punk chega ao ponto de dizer que é para haver respeito é porque estamos perto do fim do mundo. E se o fim do mundo viesse, ninguém me iria apanhar sóbrio, não senhor! Portanto, fui beber como se não houvesse amanhã. Ainda cheguei a tempo dos “vivas à rainha” – essa sem futuro que ameaça durar mais que eu!
Por agora, não me apetece contar-vos mais nada. Está aqui uma ninfa a puxar-me pelas pernas. Acordou a ressacar sexo e está a pedir-me que lhe administre mais uma dose desse soro da vida. Vou só pô-la a dormir e já volto…
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“Não há duas sem três” – essa bela frase que tanto pode servir para dar mais uma como para pedir outra…
Neste momento, enquanto dormem os belos corpos em fim de orgia, dou um jeito às pernas, coço a barba e acendo um cigarro despenteado. Resgato o uísque de uma alcova de pernas cruzadas e bebo do seu gargalo salgado. Disponho o laptop num belo costado sem hérnias, demasiado cansado para acordar e que, não sendo de macho, deve ser de uma rapariga muito peludita e má. Esperem lá… já sei quem é! É má, sim senhor.
Deixo cair, inadvertidamente, uma unha de cinza neste agremiado de carnes octópodes em que me encontro (octopussy) e logo ele se ondula como se afastasse com os tentáculos uma mosca vareja.
Tudo repousa, como no fim das batalhas, mas em lona vermelha, e ocorre-me falar-vos de Paredes de Coura. Bela festa!
No dia seguinte aqueloutro, choveu pela madrugada e manhã, dissipando no rio Tabuão as provas de um assassínio hediondo sobre o qual não me pronunciarei até que apareçam os corpos das vítimas (espero que ainda amarradas e adornadas com os instrumentos na nossa criatividade). Depois de um banho revigorante, que serviu para arrancar das unhas restos de pele e sangue ressequido, eu e o Anatoly Zerka deambulamos pela Vila à procura de impermeáveis baratos. Na ressaca de tão voluptuosa maldade que nos fazia ranger os dentes, vislumbramos aquela que, nitidamente, seria a versão punk de D. Quixote, mas sem o seu fiel escudeiro. Se um Sancho houve, terá deixado alforges e largado o burro, correndo sem olhar para trás. Quais Moinhos? A visão deste gigante assemelhava-se a um hospital abandonado com ratos encavalitados nos caixotes, roendo gaze empapada de sangue, num bouquet com seringas infectadas… Depois fomos comer.
Pedimos uns petiscos que estavam bastante bons e só o vislumbre de uma divindade de vestido branco me arrancou os olhos dos pires de moelas. Apesar de quase ter sofrido um esquentamento mental não deixei de dar uso ao faqueiro que esmagava violentamente côdeas de broa. Boa, boa, boa!!!
De seguida, fomos receber em procissão os nossos condiscípulos que não puderam estar presentes no deboche da noite anterior. Seríamos seus guias até ao acampamento. Entre abraços, soou um baque de cisne que só as rolhas de cortiça conseguem imitar quando se apartam do gargalo de garrafas tintas…
Nesse momento precioso de divino simbolismo, refundamos a nossa fé e entregamo-nos a um renovado cardápio de hercúleos esforços e consequente perda de faculdades.
Juntamo-nos ao resto da malta e, sem jantar, fomos para o recinto inaugurar depravações…
No capítulo dos concertos, a coisa esteve composta. As bandas portuguesas Ex-Wife e Bunnyranch portaram-se muito bem. Não me lembro bem qual deles (acham que foram as divorciadas) nos brindaram com a presença em palco da Raquel Ralha, dos Wraygun, mas gostei bastante. Aquele coxão é um espectáculo e se ela me pegasse pela mão e dissesse “anda!”, eu ia. Ah pois com certeza que ia!
Bellrays foi excelente. Não conhecia a banda nem a vocalista. Tufão de senhora, coxa grossa, poderosa. Uma Tina Turner com acrescentos de soul. Que grande concerto! Quase nem fui buscar baldes de cerveja…
Tive medo que ela me pegasse na mão e dissesse “anda”, pois já estava arranjado para a Raquel.
Os Sex Pistols foram engraçados, tentando disfarçar o tesão que já não têm. Pediram vinho rasca só para chafurdar o palco com bisgas venenosas. O Jony Roto (para amigos) ainda mantém uma expressão de puto reguila e aquela boca torta com o maxilar superior lançado para a frente como se fosse espetar com viço os dentes num pão com chouriço.
Quando um punk conseguiu transpor a barreira de segurança e subir ao palco (não se sabe muito bem se era para lhe partir os cornos ou lhe oferecer um botão de rosa), foi imediatamente abatido pelos snippers do cabedal. O Jony limitou-se a aconselhar o público: - “DO NOT DO THAT! THIS IS MAAA STAGE! RESPECT!”
Bom, a partir daqui, fui emborcar baldes de cerveja. Quando um punk chega ao ponto de dizer que é para haver respeito é porque estamos perto do fim do mundo. E se o fim do mundo viesse, ninguém me iria apanhar sóbrio, não senhor! Portanto, fui beber como se não houvesse amanhã. Ainda cheguei a tempo dos “vivas à rainha” – essa sem futuro que ameaça durar mais que eu!
Por agora, não me apetece contar-vos mais nada. Está aqui uma ninfa a puxar-me pelas pernas. Acordou a ressacar sexo e está a pedir-me que lhe administre mais uma dose desse soro da vida. Vou só pô-la a dormir e já volto…
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5 de mai. de 2009
O tema deste Post...
Quando era miúdo, ia com os meus pais ao domingo levar o depósito nocturno ao banco. Não era bem nocturno. Saíamos de casa ainda era dia. Lembro-me de contar cerca de 100 árvores de natal nas janelas, da primeira churrasqueira que abriu em Alpendurada e de me fazer um esfomeado manhoso para irmos comer um prego com batatas fritas ao Gato Negro, ou Preto, ou a puta que o pariu…
Nessa altura, que não era nitidamente o meu tempo, lembro-me dos bancos que havia. Eram poucos e, no geral, só lá trabalhava quem fosse rápido a contar notas. Íamos ao Banco Fonsecas & Burnay e havia a Caixa Geral de Depósitos (a grande Madame), que era onde o meu avô teimosamente depositava as lecas. Depois fomos mudando, saltando de banco em banco, como os saltimbancos. Lembro-me do Montepio Geral, do Banco Borges e Irmão, do Crédito Predial Português e de surgir a Nova Rede, essa novidade de outrora com imagem juvenil, ecoando hoje à craveira de um qualquer partido político minoritário a pôr-se em bicos de pés.
Na altura, como hoje, não dominava essa linguagem de escravos que é o Economês. Mas suponho que os métodos fossem semelhantes. – ponha aqui o seu dinheiro. Nós somos do Best e a sua reforma vai parecer a lotaria (hoje, o Euromilhões, porque a bazófia também fez filhos e agigantou-se com upgrades).
O que me leva a crer o seguinte: - quem são estas bestas que nos juram fidelidade eterna e depois se vendem aos outros. Quem são estas putas de alterne que fundam bordéis e depois desaparecem? Vale a pena acreditar? Não creio. Grande parte das putas que conheço (assumidas e, portanto, as verdadeiramente dignas de respeito) carregam um fado qualquer, uma culpa de amor em saldo que elas não puderam comprar e a que, sem grande acometimento de valores, me atrevo a chamar de consciência. Não deve haver muitas verdades maiores do que uma puta a assumir que o é. E, como tal, merece respeito. Bem mais do que aqueloutras que namoram futebolistas e falseiam, não só o prazer mas também o Amor (essa sim, a mais reles das putarias).
Ora bem, bancos e putaria é quase a mesma coisa. Enquanto umas nos puxam pelas peles no colchão, os outros fazem-nos acreditar que as peles debaixo dele, estão mais seguras na sua caixa forte, o que, como sabemos, é uma grandessíssima mentira. Sei de uma estória. Senhora velhinha, com colhão e meio de euros, peintelhos de tostões. Pediu para levantar o dinheiro. Demorou a contá-lo. Feita a conversão para contos de rei, retorquiu: - “Está certinho! As notas é que já não são as mesmas!” – disse em tom de repreensão por lhe terem andado a mexer no dinheirinho. “Pode voltar a guardar!”
Inocência gira dirão uns, selvajaria grotesca, outros dirão. Na verdade, a velhinha não sabe o que é um banco ou o que representa, mas este sabe bem o que ela é. Se lhe contassem a história toda, dava-lhe um ataque nos órgãos mais sensíveis. Ela levantava as notas trocadas e sujeitar-se-ia às manápulas de um drogado a virar-lhe o colchão ou a comprar-lhe vinho com notas falsas, com troco verdadeiro e combinação de caixa fraca.
Eu também poderia chegar a velho. E se isso acontecesse poderia rir-me com toda a masculinidade dos meus ossos, uma espécie de escárnio em relação aos mal coçados. Imaginemos, um velho sem rapidez de movimentos ou raciocínio a lidar com a tecnologia de amanhã. É para rir e, no entanto, sem valores que nos protejam, nós somos hoje o sulfato e enxofre para essa colheita de amanhã. Invariavelmente, acabaremos por dizer: - “se eu tivesse a tua idade” e, muito pior, “o mundo é assim”. Diremos a mesma merda que ouvimos, ainda que tenhamos hoje quilhapos para virar o sistema pelo avesso. Mas definhamos. Ganhamos filhos e, com eles, um amor que não se permite a revoluções, porque não lhes desejamos fome nem abalos maiores na cadeirinha do carro que preenche todos os requisitos de segurança em caso de acidente. Pois claro. Na melhor das hipóteses são os primeiros a ficar órfãos. Dir-me-ão que pode salvar-se vidas. Não duvido, mas não é esse o tema deste post. Gosto muito de criancinhas, principalmente quando estão caladas ou a chupar cornettos. Podia até trazer uma ou duas a este mundo, partindo do princípio que elas andam pelo cosmos a voar. Podia até provocar-lhes uma infância feliz mas… e depois de sair da cadeirinha? “Este país não é para velhos” e muito menos para crianças que deixam as cadeirinhas. Portugal é, quando muito, para corruptos que se encavalitam em Bancos. Dir-me-ão que posso sempre emigrar (e viver fugindo do chafariz de merda com que nos contempla o Sr. Poder). Dir-me-ão que um dia, quem sabe, talvez esta gente que cria leis e nos obriga a cumprir normas de segurança se lembre de nos inventar uma cadeirinha para nos proteger dos Bancos. Sim, mas não é esse o tema deste post...
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Nessa altura, que não era nitidamente o meu tempo, lembro-me dos bancos que havia. Eram poucos e, no geral, só lá trabalhava quem fosse rápido a contar notas. Íamos ao Banco Fonsecas & Burnay e havia a Caixa Geral de Depósitos (a grande Madame), que era onde o meu avô teimosamente depositava as lecas. Depois fomos mudando, saltando de banco em banco, como os saltimbancos. Lembro-me do Montepio Geral, do Banco Borges e Irmão, do Crédito Predial Português e de surgir a Nova Rede, essa novidade de outrora com imagem juvenil, ecoando hoje à craveira de um qualquer partido político minoritário a pôr-se em bicos de pés.
Na altura, como hoje, não dominava essa linguagem de escravos que é o Economês. Mas suponho que os métodos fossem semelhantes. – ponha aqui o seu dinheiro. Nós somos do Best e a sua reforma vai parecer a lotaria (hoje, o Euromilhões, porque a bazófia também fez filhos e agigantou-se com upgrades).
O que me leva a crer o seguinte: - quem são estas bestas que nos juram fidelidade eterna e depois se vendem aos outros. Quem são estas putas de alterne que fundam bordéis e depois desaparecem? Vale a pena acreditar? Não creio. Grande parte das putas que conheço (assumidas e, portanto, as verdadeiramente dignas de respeito) carregam um fado qualquer, uma culpa de amor em saldo que elas não puderam comprar e a que, sem grande acometimento de valores, me atrevo a chamar de consciência. Não deve haver muitas verdades maiores do que uma puta a assumir que o é. E, como tal, merece respeito. Bem mais do que aqueloutras que namoram futebolistas e falseiam, não só o prazer mas também o Amor (essa sim, a mais reles das putarias).
Ora bem, bancos e putaria é quase a mesma coisa. Enquanto umas nos puxam pelas peles no colchão, os outros fazem-nos acreditar que as peles debaixo dele, estão mais seguras na sua caixa forte, o que, como sabemos, é uma grandessíssima mentira. Sei de uma estória. Senhora velhinha, com colhão e meio de euros, peintelhos de tostões. Pediu para levantar o dinheiro. Demorou a contá-lo. Feita a conversão para contos de rei, retorquiu: - “Está certinho! As notas é que já não são as mesmas!” – disse em tom de repreensão por lhe terem andado a mexer no dinheirinho. “Pode voltar a guardar!”
Inocência gira dirão uns, selvajaria grotesca, outros dirão. Na verdade, a velhinha não sabe o que é um banco ou o que representa, mas este sabe bem o que ela é. Se lhe contassem a história toda, dava-lhe um ataque nos órgãos mais sensíveis. Ela levantava as notas trocadas e sujeitar-se-ia às manápulas de um drogado a virar-lhe o colchão ou a comprar-lhe vinho com notas falsas, com troco verdadeiro e combinação de caixa fraca.
Eu também poderia chegar a velho. E se isso acontecesse poderia rir-me com toda a masculinidade dos meus ossos, uma espécie de escárnio em relação aos mal coçados. Imaginemos, um velho sem rapidez de movimentos ou raciocínio a lidar com a tecnologia de amanhã. É para rir e, no entanto, sem valores que nos protejam, nós somos hoje o sulfato e enxofre para essa colheita de amanhã. Invariavelmente, acabaremos por dizer: - “se eu tivesse a tua idade” e, muito pior, “o mundo é assim”. Diremos a mesma merda que ouvimos, ainda que tenhamos hoje quilhapos para virar o sistema pelo avesso. Mas definhamos. Ganhamos filhos e, com eles, um amor que não se permite a revoluções, porque não lhes desejamos fome nem abalos maiores na cadeirinha do carro que preenche todos os requisitos de segurança em caso de acidente. Pois claro. Na melhor das hipóteses são os primeiros a ficar órfãos. Dir-me-ão que pode salvar-se vidas. Não duvido, mas não é esse o tema deste post. Gosto muito de criancinhas, principalmente quando estão caladas ou a chupar cornettos. Podia até trazer uma ou duas a este mundo, partindo do princípio que elas andam pelo cosmos a voar. Podia até provocar-lhes uma infância feliz mas… e depois de sair da cadeirinha? “Este país não é para velhos” e muito menos para crianças que deixam as cadeirinhas. Portugal é, quando muito, para corruptos que se encavalitam em Bancos. Dir-me-ão que posso sempre emigrar (e viver fugindo do chafariz de merda com que nos contempla o Sr. Poder). Dir-me-ão que um dia, quem sabe, talvez esta gente que cria leis e nos obriga a cumprir normas de segurança se lembre de nos inventar uma cadeirinha para nos proteger dos Bancos. Sim, mas não é esse o tema deste post...
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